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Vencendo a ansiedade: o que fazer quando o aperto vem

Redação Bíblia Online Publicado em

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  • Reúne os devocionais de 20 de dezembro de 2024 e 20 de maio de 2026.

O ônibus que não chega

Mulher com celular na mão e a outra mão no peito, em um ponto de ônibus de rua tranquila.

O ônibus está atrasado e a reunião começa em dez minutos. A conta do cartão fecha amanhã; o salário, só depois. O filho disse que chegava às dez, já são dez e meia e o telefone dele cai na caixa postal. Você conhece o aperto: o peito fecha, a cabeça monta cenários e nenhum é bom.

Vencer a ansiedade não é conseguir parar de pensar nisso. É ter para onde levar o pensamento antes que ele tome a casa. O provérbio diz as duas coisas numa frase: a ansiedade abate o coração, e uma boa palavra o levanta. O coração ansioso não precisa de silêncio. Precisa de alguém que fale com ele.

Este artigo faz parte de Devocionais

Preocupar-se não é falta de fé

A preocupação com o filho na rua é natural. É o preço de amar alguém que a gente não controla. O Eclesiastes observa que as mesmas coisas acontecem ao justo e ao ímpio (Eclesiastes 9:2): o ônibus atrasa para quem crê e para quem não crê, e a conta vence igual. Sentir o aperto não é pecado nem fé fraca. É ser gente, com gente para cuidar.

O problema começa quando a preocupação não passa com o ônibus que chega. Quando ela fica, cresce, vira noite sem sono, coração disparado, crise que paralisa. Aí a ansiedade deixou de ser aviso e virou peso que ninguém deveria carregar sozinho. Procurar médico ou psicólogo nesse ponto não é desconfiar de Deus: é cuidar da casa que ele deu. O salmista pergunta à própria alma por que está abatida e se manda esperar em Deus (Salmo 42:11). Ele não finge que o abatimento não existe. Ele fala com ele.

O que Jesus e Paulo fazem com a preocupação

Jesus não mandou os discípulos pararem de sentir. Mandou olhar para cima.

Ɓa ɓyǝa i nurug wayi; i byǝko i ɓǝrrǝu langkwɔi i al biu, yirrǝ Daa ɓǝ wayi da ji nungtang. Ɓa pǝlli lǝu?(Matta 6:26)

A cena do ônibus ajuda a ver o argumento. Os pássaros não têm reunião, não têm cartão, não controlam nada — e comem. Não porque sejam despreocupados, mas porque o Pai cuida. Se cuida deles, cuida de quem vale mais do que eles. O ensino inteiro, em Mateus 6:25-34, pede uma coisa só: cuidar de hoje, porque o amanhã já tem dono.

Paulo puxa o mesmo fio em Filipenses 4:6-7, escrevendo de uma prisão para uma igreja com motivos reais de medo:

Bǝ a nhǝm ba nung akun zii thǝ, kwoi dang bǝ pinwa mǝ ǝndǝi a yam Fuh lo nung kwɔ dǝmma yiɗi ɓǝ, vii ǝndǝi a yammu i bǝ to sakko. Langkwoi tǝmmi Fuh, kwɔ pǝll bǝ ibǝ nung gi thayuu kwɔ, a kang lonyimǝ i dang wa mǝ matthǝ dang tha i Kristi Yeso.(Filibiyawa 4:6,7)

Repare na ordem. Primeiro a ansiedade, depois a oração, só então a paz. Paulo não promete que a conta será paga nem que o ônibus vai chegar. Promete que a paz guarda o coração enquanto a situação continua aberta.

Um gesto que cabe no dia

Por isso a resposta decorre do provérbio: o coração oprimido precisa de uma palavra, e a oração é você dizendo a sua a Deus para poder ouvir a dele. Hoje, quando o aperto vier, não tente desmontá-lo. Nomeie-o em uma frase — "Pai, tenho medo de não dar conta" — e deixe a frase lá. Depois faça a próxima coisa da lista. Só a próxima.

Deus pode fazer muito mais do que a gente pede ou imagina (Efésios 3:20). Isso não garante o resultado que você escolheria. Garante que o pedido não cai no vazio. Quem ora com o ônibus atrasado continua esperando o ônibus. Mas espera acompanhado.

A ansiedade perde quando é apresentada, não quando é engolida.

Deus de paz, este mundo está cheio de inquietações e, mesmo confiando em ti, muitas vezes o aperto vence. Recebe o que pesa em mim hoje. Acalma o meu coração, firma a minha confiança e me ajuda a fazer a próxima coisa, sabendo que tu cuidas do resto. Amém.

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