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Vencendo o desânimo: a força de quem caminha no deserto

Redação Bíblia Online Publicado em

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  • Reúne os devocionais de 14 de setembro de 2024 e 7 de fevereiro de 2026.

Quando o caminho não muda de lugar

Site’e ninga 'akala re sinyingara re ni nau’u. Awa ni mojongo re awa ni sawana ananga, sababu Ma JOU, Ma Jou’ongu Madutu ga’a ngini ni silamo’o re siḏubuso, Unanga gena-ge ḏuanga i’a 'o tagi mamete’e ra ngini. Unanga 'o sieanga i’a ngini ua mada’a 'O marimoi ra ngini ua.>>(Dadunu 31:6)

Caminhante de chapéu e mochila anda por trilha de terra com pegadas em terreno árido.

Segunda-feira, seis e meia. O despertador toca e você fica mais um minuto deitado — não porque dormiu mal, mas porque já sabe o que o dia tem: a mesma fila, a mesma planilha, a mesma conta que fecha apertado. Você reza, você se esforça, e a paisagem não muda. Isso tem nome. Não é preguiça: é desânimo. O cansaço de andar muito e ter a impressão de estar no mesmo lugar.

Israel conheceu esse cansaço de perto. Quarenta anos de deserto, com o mesmo pão caindo do céu, a mesma areia, a mesma promessa que não chegava. Em certo ponto o texto registra que o povo se impacientou no caminho (Números 21:4). Foi gente assim, com os pés doendo e a vontade curta, que ouviu Moisés dizer: sejam fortes e corajosos.

Este artigo faz parte de Devocionais

O que Moisés sabia quando disse isso

A frase de Deuteronômio 31:6 não vem de um comandante no auge. Moisés tinha cento e vinte anos e sabia que ia morrer antes de atravessar o Jordão (Deuteronômio 31:2). O povo ia perder o líder que o tirou do Egito justamente na hora de enfrentar nações mais fortes do que ele. Era o pior momento para pedir coragem — e foi quando ele pediu.

Repare onde o versículo apoia essa coragem. Não é "sejam fortes porque vocês dão conta". É sejam fortes porque o Senhor vai com vocês, e não vai abandonar. A força que o texto pede é a de quem olha para quem vai junto, não para o próprio tanque. Dois versículos depois, Moisés repete a mesma coisa a Josué, em particular (Deuteronômio 31:7-8). O líder também precisava ouvir.

Isso responde à pergunta que a gente faz no deserto: por que Deus permite? A Bíblia não esconde que os seus provaram o deserto — Abraão, Davi, os profetas; o próprio Jesus foi tentado nele (Mateus 4:1). O que ela também não esconde é que nenhum deles andou sozinho. Deus não promete pular a travessia. Promete a companhia nela. Isaías 41:10 diz o mesmo com outras palavras: "eu te fortaleço, e te ajudo" (ACF).

Um passo que cabe em hoje

O desânimo pede que você resolva tudo de uma vez — e, como não dá, acaba não fazendo nada. O versículo pede menos. Pede o passo de hoje, com alguém ao lado. Então, antes de abrir o celular e contar o que falta, diga em voz baixa: "o Senhor vai comigo". Depois faça a próxima coisa. Só a próxima: o banho, a reunião, a ligação que você vem adiando.

Não é truque para animar. É mudar o lugar de onde você tira a força. Quem levanta olhando para o próprio tanque levanta vazio; quem levanta olhando para quem vai junto, levanta acompanhado. O tanque continua o mesmo. A companhia é que muda a conta.

Pode ser que à noite a paisagem ainda seja igual. O povo que ouviu Moisés dormiu aquela noite do lado de cá do Jordão, com a terra prometida ainda do outro lado. Mas dormiu sabendo com quem ia atravessar.

A força que o deserto pede é a de quem olha para quem vai junto.

Amanhã o despertador toca de novo. Levante como quem não anda sozinho.

Senhor, eu estou cansado de andar e de não ver o lugar mudar. Não peço que o caminho acabe hoje. Peço para lembrar que o Senhor vai comigo, e para dar o passo de hoje confiando nisso. Amém.

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