Jesus subiu aos céus: onde a Bíblia relata e como foi
O que aconteceu quando Jesus subiu aos céus
Jesus subiu aos céus quarenta dias depois de ressuscitar, diante dos apóstolos, numa colina perto de Betânia, no Monte das Oliveiras: ele levantou as mãos, abençoou o grupo, foi erguido do chão à vista de todos e uma nuvem o escondeu. Foi um evento físico, com testemunhas, que a Bíblia relata em Lucas 24 e Atos 1 — e o que ele significa é que Jesus foi exaltado, "assentou-se à direita de Deus", de onde governa e de onde vai voltar.
É isso que a palavra "ascensão" quer dizer: a subida. A Igreja celebra esse dia desde os primeiros séculos, mas o evento em si costuma receber menos atenção do que a Páscoa, e por isso muita gente lembra que Jesus "subiu aos céus" sem saber onde isso está escrito, como aconteceu nem para que serviu. O resto desta página responde essas três perguntas, na ordem.
Onde a Bíblia relata a ascensão
Dois textos narram a cena, e os dois são do mesmo autor. Lucas termina o seu Evangelho com ela e abre o livro de Atos retomando-a — a ascensão é a costura entre os dois livros.
No Evangelho, o relato é curto, quase uma despedida:
Mpawo wakazwa weenda aabo mane bakuusika kuBbetani, eelyo wakanyampula maboko akwe mpawo wakabalongezya. Lino muchiindi naakali kubalongezya, wakeenda, wakabwezegwa ajoba waya kujulu.(Lukku 24:50,51)
Vale notar o lugar: "até perto de Betânia", uma aldeia na encosta leste do Monte das Oliveiras, a uns três quilômetros de Jerusalém. É a mesma região onde Jesus havia chorado por Jerusalém e de onde tinha entrado na cidade montado num jumentinho semanas antes.
Em Atos 1, Lucas conta a mesma cena com mais detalhe: os quarenta dias de aparições, a última conversa, a pergunta dos discípulos sobre o reino, a promessa do Espírito, a subida, a nuvem e os dois homens vestidos de branco. É o relato mais completo e você pode ler tudo em Atos 1. O versículo 12 confirma de onde eles voltaram: "do monte chamado das Oliveiras".
Marcos também registra o fato, numa única frase:
Mwami Jesu naakamana kubaambila, wakatolwa kujulu mpawo wakakukkala kuluboko lwalulyo lwaLeza.(Makko 16:19)
Esse versículo está no trecho final de Marcos (16:9-20), que muitas Bíblias marcam com uma nota sobre manuscritos antigos. O que ele afirma, porém, não depende só dele: a frase "à direita de Deus" aparece em Atos 2:33, Romanos 8:34, Efésios 1:20, Hebreus 1:3 e 1 Pedro 3:22. Era a maneira padrão de a primeira geração de cristãos dizer onde Jesus está agora.
João e Mateus não narram a subida, mas João registra várias vezes Jesus falando dela antes de acontecer — e isso vai importar mais adiante.
Como foi a cena, passo a passo
A sequência que se monta juntando Lucas 24 e Atos 1 é esta:
Jesus ressuscitou e, durante quarenta dias, apareceu aos discípulos, comeu com eles e falou do reino de Deus (Atos 1:3).
Reuniu o grupo e os levou para fora de Jerusalém, até o Monte das Oliveiras, perto de Betânia.
Deu as últimas instruções: esperar em Jerusalém o Espírito Santo e depois ser testemunhas "até os confins da terra".
Levantou as mãos e os abençoou — o gesto de um sacerdote ao fim do culto.
Enquanto abençoava, começou a subir, à vista deles.
Uma nuvem o encobriu e eles não o viram mais.
Dois homens em roupas brancas apareceram e disseram que ele voltaria do mesmo modo.
Os discípulos voltaram a Jerusalém com grande alegria, e ficaram no templo e numa casa, em oração.
Dois detalhes do texto merecem atenção.
O primeiro é a voz passiva. Lucas não escreve que Jesus "subiu", como quem sobe uma escada. Em Atos 1:9 o grego diz epērthē, "foi levantado"; em Lucas 24:51, anephereto, "estava sendo levado para cima". Jesus é recebido pelo Pai. A subida é obra de Deus, uma acolhida, não uma demonstração de poder do Filho.
O segundo é que eles "estavam olhando" (Atos 1:9-10). Lucas repete o verbo ver três vezes em dois versículos. Ele quer deixar claro: isso não foi uma visão interior nem um sentimento de que Jesus "partiu". Foi algo que onze homens assistiram, ao ar livre, de dia.
Por que uma nuvem
A nuvem não é efeito especial. Para um leitor judeu, ela carregava séculos de sentido.
No deserto, a nuvem era a presença visível de Deus guiando o povo (Êxodo 13:21) e enchendo o tabernáculo (Êxodo 40:34). No Sinai, Deus falou a Moisés de dentro de uma nuvem. Na transfiguração, poucos meses antes, uma nuvem cobriu Jesus e os três discípulos no monte, e dela veio a voz do Pai (Lucas 9:34-35).
E há Daniel 7:13, um texto que Jesus citou sobre si mesmo repetidas vezes: "vinha com as nuvens do céu um como o Filho do Homem", que recebe de Deus "domínio, glória e um reino". Quando a nuvem envolve Jesus no Monte das Oliveiras, Lucas está mostrando a profecia de Daniel acontecendo. O Filho do Homem está sendo levado até o trono.
Então a nuvem diz duas coisas ao mesmo tempo: Deus está aqui, e este homem está indo receber um reino.
O que significa "assentar-se à direita de Deus"
Essa é a parte que muita gente perde. A ascensão não é só Jesus "indo para casa". É uma entronização.
"Direita" vem do Salmo 110:1: "Assenta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos debaixo dos teus pés". É o versículo do Antigo Testamento mais citado no Novo. Num palácio antigo, sentar à direita do rei era ocupar o lugar de quem governa em nome dele, com a autoridade dele. Não é um lugar de descanso; é um lugar de mando.
Pedro explica exatamente assim no primeiro sermão cristão, cinquenta dias depois: "Deus o fez Senhor e Cristo" (Atos 2:36), e por isso ele pôde derramar o Espírito. Paulo diz que Deus o exaltou "soberanamente" e lhe deu o nome que está acima de todo nome (Filipenses 2:9). Hebreus abre dizendo que, depois de fazer a purificação dos pecados, ele "assentou-se à direita da Majestade nas alturas" (Hebreus 1:3).
Olha o que isso muda: a cruz e a ressurreição são o que Jesus fez; a ascensão é o que Jesus é agora. Ele não está esperando para reinar. Reina. A teologia evangélica histórica chama isso de "estado de exaltação" — a leitura é compartilhada por católicos e ortodoxos, com diferenças de ênfase, e praticamente todas as tradições cristãs confessam no Credo: "subiu aos céus e está sentado à direita de Deus Pai".
E tem outra coisa, menos comentada. Quem subiu foi um homem. Jesus ressuscitou com um corpo — comeu peixe, mostrou as mãos, deixou que Tomé tocasse. Foi esse corpo que subiu. Isso quer dizer que há agora, no trono do universo, um ser humano. Hebreus tira daí uma consequência prática: ele pode interceder por nós como quem sabe o que é ser tentado (Hebreus 4:14-16; 7:25).
O que Jesus disse sobre a própria partida
Jesus não foi pego de surpresa pela ascensão, e não quis que os discípulos fossem. Em João, ele fala dela repetidas vezes, sempre como um movimento de volta.
"Saí do Pai e vim ao mundo; de novo deixo o mundo e vou para o Pai". É um ciclo completo: descida e subida. Jesus entende a própria história como uma viagem de ida e volta, e a ascensão é o trecho final. Antes disso, em João 7:33, ele já tinha dito aos adversários: "vou para aquele que me enviou". E, na manhã da ressurreição, a primeira coisa que disse a Maria Madalena foi que ainda não havia subido ao Pai (João 20:17) — como quem avisa que a ressurreição não é o ponto de chegada.
Na noite anterior à cruz, ele explicou para que estava indo:
A imagem é da casa de um pai de família no Oriente antigo, onde os filhos casados construíam novos quartos encostados na casa paterna. "Moradas" não são palácios individuais; são lugares dentro da casa de Deus. E o versículo seguinte, João 14:3, fecha o raciocínio: "virei outra vez e vos tomarei para mim mesmo". A partida existe em função de um reencontro.
Por que Jesus precisou ir embora
Essa é a objeção que a gente acaba fazendo: não seria melhor Jesus ter ficado? Um Jesus visível, andando por Jerusalém até hoje, resolveria muita dúvida.
Jesus respondeu a essa objeção antes que alguém a fizesse. Em João 16:7, ele diz: "convém-vos que eu vá, porque, se eu não for, o Consolador não virá". A ida de Jesus é a condição para a vinda do Espírito Santo. Enquanto Jesus estava num corpo, estava num lugar — Cafarnaum, ou Jerusalém, ou Betânia. Pelo Espírito, ele passa a estar com cada discípulo ao mesmo tempo. Em Atos 2:33, Pedro liga as duas coisas diretamente: Jesus foi "exaltado pela direita de Deus" e por isso derramou o Espírito.
Daí também a frase estranha de João 14:12: quem crê fará obras "maiores" do que as dele, "porque eu vou para o Pai". Maiores não em qualidade — ninguém vai superar a ressurreição de Lázaro —, mas em alcance. Em três anos de ministério, Jesus pregou na Galileia e na Judeia. Em Atos, os discípulos chegam a Roma. O corpo de Cristo, a Igreja, vai aonde o corpo de Jesus não estava.
Há ainda o trabalho que Jesus faz lá. Hebreus descreve o céu como o santuário verdadeiro, e Jesus como o sumo sacerdote que entrou nele de uma vez por todas, "para comparecer agora, por nós, diante de Deus" (Hebreus 9:24). Romanos 8:34 resume: ele está à direita de Deus "e também intercede por nós". A ascensão não tirou Jesus de cena; mudou o lugar de onde ele age.
"Virá do mesmo modo": a promessa que fecha a cena
Os discípulos ficaram parados olhando para cima, e foi preciso alguém interromper:
"Dois homens vestidos de branco" é a mesma descrição dos anjos no túmulo vazio em Lucas 24:4. A pergunta deles — "por que estais olhando para as alturas?" — tem um tom de correção suave. Não há motivo para ficar paralisado olhando o céu. Ele vai voltar, e o modo da volta está dito: "assim como o vistes subir". Visivelmente. Em corpo. Com nuvens (Lucas 21:27; Apocalipse 1:7).
Isso dá à ascensão um formato de parêntese aberto. Ela é a primeira metade de um movimento cuja segunda metade ainda não aconteceu. Os cristãos entendem o tempo em que vivemos como exatamente isso: o intervalo entre a subida e a volta. É por isso que o Credo liga as duas frases sem pausa — "subiu aos céus, está sentado à direita de Deus Pai, de onde há de vir".
Lucas registra a reação dos discípulos, e ela surpreende: voltaram "com grande júbilo" (Lucas 24:52). Perder Jesus de vista deveria dar tristeza. Deu alegria. Porque eles entenderam o que a cena significava: aquele que tinham visto morrer estava agora no trono, e não tinha ido embora para sempre — tinha ido na frente.
A cena inteira, com a conversa dos quarenta dias, a promessa do Espírito e a volta para Jerusalém, está em Atos 1. Vale ler o capítulo completo.
Quantos dias depois da ressurreição Jesus subiu aos céus?
Quarenta dias. Atos 1:3 diz que Jesus apareceu aos discípulos "durante quarenta dias" falando do reino de Deus, e a ascensão encerra esse período. Dez dias depois, no Pentecostes (cinquenta dias após a Páscoa), veio o Espírito Santo, como Jesus havia prometido em Atos 1:8.
Em que lugar Jesus subiu aos céus?
No Monte das Oliveiras, perto da aldeia de Betânia, a leste de Jerusalém. Lucas 24:50 diz que ele os levou "até perto de Betânia", e Atos 1:12 registra que os discípulos voltaram para a cidade "do monte chamado das Oliveiras". Zacarias 14:4 associa esse mesmo monte à vinda futura do Senhor.
Quem viu Jesus subir aos céus?
Os apóstolos — onze, já que Judas havia morrido. Atos 1:2 e 1:9-11 identificam os presentes como os apóstolos que receberam as últimas instruções e depois voltaram a Jerusalém. Não há indicação no texto de que multidões ou outros discípulos tenham assistido.
Jesus subiu com o corpo ou só em espírito?
Com o corpo. O Jesus que subiu é o mesmo que ressuscitou, comeu com os discípulos e deixou Tomé tocar suas feridas (Lucas 24:39-43; João 20:27). Lucas insiste que eles o viram subir, e os anjos dizem que ele voltará "do modo como o vistes subir" — visivelmente e em corpo. A fé cristã histórica confessa que há um homem glorificado no trono de Deus.
Qual a diferença entre ressurreição e ascensão?
A ressurreição é Jesus voltando da morte, com um corpo transformado, no terceiro dia. A ascensão é esse Jesus ressurreto sendo recebido no céu e entronizado "à direita de Deus", quarenta dias depois. A primeira vence a morte; a segunda inaugura o reinado atual de Cristo e a sua intercessão pelos crentes (Romanos 8:34; Hebreus 7:25).
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