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Cordeiro na Bíblia: o significado do sacrifício de Jesus

Por Bíblia Online
Cordeiro branco deitado na grama seca, com outras ovelhas pastando ao fundo.

O que significa o Cordeiro de Deus na Bíblia

Na Bíblia, o cordeiro representa o sacrifício substitutivo: um animal inocente que morria no lugar de quem havia pecado, cobrindo a culpa diante de Deus. Quando João Batista declara que Jesus é o «Cordeiro de Deus», ele afirma que Cristo assumiu essa morte de uma vez por todas, tirando o pecado do mundo e encerrando o antigo sistema de sacrifícios.

Ao longo das Escrituras, essa imagem atravessa a profecia, os relatos dos Evangelhos e as cartas apostólicas, até culminar na visão do Apocalipse.

A profecia do cordeiro sofredor

Ele foi oprimido, mas não abriu a boca; como um cordeiro, foi levado ao matadouro e, como a ovelha muda perante os seus tosquiadores, ele não abriu a boca.(Isaías 53:7)

Séculos antes do ministério de Jesus, o profeta Isaías descreveu o servo de Deus com a figura de um cordeiro conduzido ao matadouro. A comparação destaca a mansidão e a submissão: diferentemente de quem resiste ou clama por vingança, o servo aceita a dor em silêncio. Para a fé cristã histórica, o texto antecipa com exatidão a postura de Cristo diante dos seus acusadores e da cruz, demonstrando que sua entrega foi voluntária.

A revelação de Jesus no rio Jordão

No dia seguinte, João viu a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.(João 1:29)

Quando João Batista aponta para Jesus, qualquer ouvinte judeu compreendia a linguagem do sacrifício, praticado diariamente no Templo de Jerusalém. O elemento surpreendente da declaração está no alcance: os cordeiros oferecidos sob a lei cobriam os pecados de Israel ano após ano, mas Jesus é anunciado como aquele que remove o pecado da humanidade inteira.

E, vendo passar a Jesus, disse: Eis aqui o Cordeiro de Deus.(João 1:36)

No dia seguinte, João Batista repete o mesmo testemunho aos seus próprios seguidores. O título funcionava como uma identificação definitiva do Messias. Ao ouvirem a confirmação de que Jesus era o Cordeiro, aqueles discípulos deixaram João para seguir a Cristo.

O valor do sacrifício na pregação dos apóstolos

sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver que, por tradição, recebestes dos vossos pais, mas com o precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro imaculado e incontaminado,(1 Pedro 1:18,19)

Na antiga aliança, a lei exigia que o cordeiro levado ao altar fosse sem defeito e sem mancha para ser aceito. O apóstolo Pedro resgata essa exigência ritual para explicar o valor da redenção: o resgate humano não se deu por bens materiais perecíveis, mas pela vida moral e espiritualmente perfeita de Jesus.

Um plano estabelecido antes da criação

E adoraram-na todos os que habitam sobre a terra, esses cujos nomes não estão escritos no livro da vida do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo.(Apocalipse 13:8)

A crucificação não foi um imprevisto diante do fracasso humano nem um plano de contingência. Este versículo de Apocalipse ensina que a entrega do Cordeiro já fazia parte do propósito eterno de Deus antes mesmo de o mundo ser formado.

O Cordeiro exaltado no Apocalipse

No livro de Apocalipse, a figura do cordeiro passa por uma mudança profunda. O animal que nos Evangelhos é imolado em silêncio surge no céu exercendo autoridade e recebendo o louvor devido a Deus.

que com grande voz diziam: Digno é o Cordeiro, que foi morto, de receber o poder, e riquezas, e sabedoria, e força, e honra, e glória, e ações de graças.(Apocalipse 5:12)

O Cordeiro não é honrado apesar da sua morte, mas precisamente por causa dela. A autoridade de Cristo para conduzir os rumos da história nasce do fato de ter dado a própria vida em resgate de muitos.

porque o Cordeiro que está no meio do trono os apascentará e lhes servirá de guia para as fontes das águas da vida; e Deus limpará de seus olhos toda lágrima.(Apocalipse 7:17)

O texto constrói uma inversão proposital: o cordeiro, que por natureza necessita de proteção, torna-se o próprio Pastor. É Ele quem guia o povo às fontes de água viva e enxuga o pranto de quem passou pelo sofrimento.

E disse-me: Escreve: Bem-aventurados aqueles que são chamados à ceia das bodas do Cordeiro. E disse-me: Estas são as verdadeiras palavras de Deus.(Apocalipse 19:9)

O desfecho da salvação é comparado a uma festa de casamento — as bodas do Cordeiro. A imagem marca a comunhão definitiva entre o Salvador e a sua comunidade redimida.

E a cidade não necessita de sol nem de lua, para que nela resplandeçam, porque a glória de Deus a tem alumiado, e o Cordeiro é a sua lâmpada.(Apocalipse 21:23)

Na nova Jerusalém, o Cordeiro é descrito como a lâmpada da cidade. Toda a criação renovada passa a ser iluminada pela presença de Deus e pela memória viva do sacrifício que tornou aquela realidade possível.

E ali nunca mais haverá maldição contra alguém; e nela estará o trono de Deus e do Cordeiro, e os seus servos o servirão.(Apocalipse 22:3)

O livro conclui com a imagem soberana do «trono de Deus e do Cordeiro». Aquele que um dia assumiu a fragilidade humana e foi morto na cruz reina eternamente com o Pai, cumprindo de forma plena o anúncio feito por João Batista à beira do Jordão.

Patricia Fermino
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