Amor-próprio: o que a Bíblia diz sobre o seu valor
O que a Bíblia ensina sobre o amor-próprio
A Bíblia não ensina o amor-próprio como culto ao ego ou autossuficiência, mas fundamenta o valor humano no cuidado e na criação de Deus. Reconhecer o próprio valor a partir do Criador liberta tanto do autodesprezo quanto da arrogância: a sua dignidade não depende de aprovação alheia, mas de quem Deus é e do que Ele fez.
Davi expressou esse entendimento ao refletir sobre a formação da própria vida:
Graças te dou pela maneira extraordinária
como fui criado!
Pois tu és tremendo e maravilhoso!
Sim, minha alma o sabe muito bem.(Salmos 139:14)
Ó Deus, como são complexos
e preciosos para mim os teus pensamentos,
quão vastos e profundos
os teus conhecimentos.
Se eu os pudesse somar,
seriam mais que os grãos de areia.
Se os contasse, levaria toda a eternidade
e ainda haveria o que contar.(Salmos 139:17,18)
O salmista não se gaba de suas habilidades; ele louva a Deus porque a criação humana reflete o cuidado do Criador. Aceitar a própria existência com gratidão é honrar a Deus.
O olhar de Deus e os padrões humanos
As medidas do mundo costumam avaliar as pessoas por aparência, desempenho ou aprovação social. Na Escritura, o padrão é outro: Deus conhece o que está por dentro.
Quando o profeta Samuel foi ungir o novo rei de Israel, ele quase julgou pela estatura física de Eliabe:
Entretanto, Yahweh assegurou a Samuel: "Não te impressione diante da aparência nem da estatura desse homem, pois Eu o rejeitei. Eis que Deus enxerga não como o ser humano vê, porquanto o homem julga e toma em elevada consideração a aparência, mas o SENHOR sonda o coração."(1 Samuel 16:7)
Jesus reforçou esse princípio ao ensinar sobre a providência do Pai:
Não se costuma vender cinco pardais por duas pequenas moedas? Entretanto, nenhum deles deixa de receber o cuidado de Deus. Portanto, até os fios de cabelo da vossa cabeça estão todos contados. Não temais! Valeis muito mais do que milhares de pardais.(Lucas 12:6,7)
Se nem pequenos pássaros passam despercebidos por Deus, a vida humana tem valor inestimável para Ele. Essa verdade desfaz a sensação de invisibilidade ou insignificância.
De onde vem a dignidade humana
Mesmo diante da imensidão do universo, a Bíblia ensina que Deus conferiu ao ser humano um lugar de honra na criação:
Quando admiro os teus céus,
obra dos teus dedos,
a lua e as estrelas
que ali estabeleceste,
pergunto: Que é o homem
para que com ele te importes?
E o filho de Adão
para que venhas visitá-lo?
Tu o fizeste um pouco menor
do que os anjos
e o coroaste de glória e de honra.(Salmos 8:3-5)
Ele levanta do pó o necessitado
e ergue do lixo
o pobre,
a fim de estabelecê-los
como príncipes
do seu povo.(Salmos 113:7,8)
Essa dignidade não é construída pelo mérito pessoal. Deus se inclina para levantar os necessitados e restaurar a dignidade dos que foram abatidos pela vida. Para os que creem, Pedro descreve essa nova identidade:
Porém, vós sois geração eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, cujo propósito é proclamar as grandezas daquele que vos convocou das trevas para sua maravilhosa luz.(1 Pedro 2:9)
O equilíbrio entre valor e humildade
Existe uma distinção clara entre reconhecer o valor dado por Deus e cair no orgulho. O amor-próprio bíblico não coloca a própria pessoa no centro do universo nem a incentiva a diminuir os outros.
O apóstolo Paulo define o critério para uma autoimagem saudável:
Porquanto, pela graça que me foi concedida, exorto a cada um dentre vós que não considere a si mesmos além do que convém; mas, ao contrário, tenha uma auto-imagem equilibrada, de acordo com a medida da fé que Deus lhe proporcionou.(Romanos 12:3)
O texto orienta o equilíbrio: você não precisa se depreciar como se a criação de Deus não tivesse valor, nem se colocar acima do que deve ser. O amor-próprio saudável nasce quando você descansa naquilo que Deus já disse a seu respeito, sem precisar provar nada a ninguém.
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