Ensinamentos de Jesus sobre o amor: o mandamento da ação
Redação Bíblia Online Publicado em
Amor, para Jesus, é mandamento antes de ser sentimento
Jesus resumiu toda a Lei em dois mandamentos de amor: amar a Deus com tudo o que a pessoa tem e amar o próximo como a si mesmo. A partir daí, ele esticou a palavra "próximo" até ela alcançar o estrangeiro, o pecador exposto em público e até o inimigo, e deu aos discípulos uma régua nova para esse amor: "como eu vos amei". A régua ficou visível na cruz, onde ele fez exatamente o que tinha ensinado.
Vale notar o verbo que ele usa. Jesus não recomenda o amor, não o descreve, não o elogia: ele manda. "Amarás." "Amai." "Que vos ameis uns aos outros." Ninguém dá ordem a um sentimento — ninguém consegue sentir carinho por decreto. Ordem se dá a uma ação. Por isso, nos ensinamentos de Jesus, amor é sempre algo que alguém faz: para o carro na estrada, paga a hospedaria, ora por quem persegue, perdoa, entrega a vida.
O grego do Novo Testamento ajuda aqui, sem complicar. A palavra que os Evangelhos usam nesses mandamentos é agapē, e o verbo é agapaō. Não é a palavra para paixão nem a palavra para afeto entre amigos; é a que descreve uma vontade dirigida ao bem do outro, independente do que o outro faça por mim. É esse tipo de amor que pode ser ordenado — e é desse tipo que Jesus fala o tempo todo.
O restante desta página percorre os ensinamentos um a um: o maior mandamento, o amor aos inimigos, a parábola que define quem é o próximo, o novo mandamento, dois episódios em que Jesus mostra o amor em ação, a raiz de tudo isso no amor de Deus pelo mundo e a medida final na cruz.
Este artigo faz parte de Ensinamentos de Jesus Discipulado
O maior mandamento: amar a Deus e ao próximo
Um escriba perguntou a Jesus qual era o primeiro de todos os mandamentos. A pergunta tinha fundo prático: os rabinos contavam 613 mandamentos na Lei e discutiam qual deles sustentava os outros. Jesus respondeu com dois textos que todo judeu conhecia de cor. O primeiro é o Shemá, a oração recitada todos os dias: amar o Senhor de todo o coração, alma, entendimento e força (Deuteronômio 6). O segundo vem de uma lista de leis sobre convivência: "Amarás o teu próximo como a ti mesmo" (Marcos 12:31, ACF), frase tirada de Levítico 19.
Você pode ler a cena completa em Marcos 12. O que Jesus fez de novo não foi inventar os dois mandamentos — eles já estavam na Bíblia hebraica. Foi juntá-los e dizer que nenhum outro é maior. Na versão de Mateus ele vai além: "destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas" (Mateus 22). Ou seja, tudo o mais que Deus mandou é desdobramento desses dois.
Isso aqui é importante: a ordem dos dois não é acidental. Amar a Deus vem primeiro, e o amor ao próximo depende dele. Quem ama a Deus com tudo o que tem passa a ver o próximo como Deus o vê — e é daí que vem força para amar quem não é amável. Separar os dois produz ou uma religião sem gente ou uma bondade sem raiz.
E repare na medida: "como a ti mesmo". Jesus pressupõe que a pessoa já cuida de si — quer comer, descansar, ser tratada com justiça. O mandamento é querer isso, com a mesma seriedade, para quem está ao lado.
Amar os inimigos: o ensino que ninguém esperava
No Sermão do Monte, Jesus pega o mandamento de amar o próximo e leva ao limite:
Eu, porém, vos digo: Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem; para que sejais filhos do vosso Pai que está nos céus;
Leia a sequência de verbos. Amar, bendizer, fazer bem, orar. Nenhum deles é sentimento; todos são coisas que uma pessoa pode decidir fazer amanhã de manhã, mesmo que o estômago reclame. Bendizer é falar bem de quem fala mal de você. Fazer bem é agir em favor de quem lhe quer mal. Orar por quem persegue é colocar o nome do perseguidor diante de Deus pedindo bem para ele, não castigo.
O versículo seguinte diz por quê: para que sejam "filhos do vosso Pai que está nos céus", que "faz que o seu sol se levante sobre maus e bons" (Mateus 5:45, ACF). O argumento de Jesus é de parentesco. Deus não dá sol e chuva só para quem o agrada; ele sustenta a vida de quem o nega. Quem ama só quem o ama está agindo como qualquer pessoa — Jesus lembra que até os cobradores de impostos fazem isso (Mateus 5). Quem ama o inimigo está agindo como o Pai.
Uma observação honesta sobre o contexto: no tempo de Jesus, "inimigo" não era uma figura de linguagem. A Galileia vivia sob ocupação romana, com soldados, impostos e humilhação diária. Era para gente nessa situação que ele dizia "amai os vossos inimigos". O ensino nunca foi barato.
Amar o inimigo também não é fingir que o mal não existe. Jesus não pede que a pessoa chame o perseguidor de amigo nem que negue a injustiça. Pede que responda ao mal com bem concreto — o que é diferente, e muito mais difícil, do que simplesmente sentir simpatia.
Quem é o meu próximo: a parábola do bom samaritano
Um intérprete da Lei tentou testar Jesus perguntando o que fazer para herdar a vida eterna. Jesus devolveu a pergunta, o homem citou os dois mandamentos de amor, e então quis saber: "quem é o meu próximo?" (Lucas 10). Era uma pergunta de limite — onde termina a minha obrigação de amar. Jesus respondeu com uma história:
Em resposta, Jesus disse:
— Um homem descia de Jerusalém para Jericó, quando caiu nas mãos de assaltantes. Estes lhe tiraram as roupas, espancaram-no e se foram, deixando-o quase morto. Coincidentemente, um sacerdote descia por aquela estrada e, tendo visto o homem, passou pelo outro lado. De igual modo, um levita, quando chegou ao lugar e o viu, passou pelo outro lado. Mas um samaritano, estando de viagem, chegou onde se encontrava o homem e, quando o viu, teve piedade dele. Ele se aproximou e lhe enfaixou as feridas, depois de derramar vinho e óleo nelas. Então, colocou-o sobre o seu próprio animal, levou-o para uma hospedaria e cuidou dele. No dia seguinte, deu dois denários ao hospedeiro e lhe disse: "Cuide dele. Quando eu voltar, pagarei todas as despesas que você tiver a mais".
— Qual destes três você acha que foi o próximo do homem que caiu nas mãos dos assaltantes?
— Aquele que teve misericórdia dele — respondeu o perito na lei.
Jesus lhe disse:
— Vá e faça o mesmo.(Lukas 10:30-37, NVI)
Três homens passam pelo ferido. Os dois primeiros são um sacerdote e um levita — gente do templo, da elite religiosa de Israel, exatamente quem o ouvinte esperaria ver ajudando. Os dois passam de largo. O terceiro é um samaritano. Para um judeu do século I, samaritano era inimigo histórico, povo de religião misturada, com quem não se comia nem se conversava. Jesus escolheu de propósito o personagem mais improvável para ser o herói.
E repare no que o samaritano faz. Nada do que ele faz é sentimento; tudo é despesa. Ele usa o próprio vinho e o próprio óleo nas feridas, coloca o homem no próprio animal (e vai a pé), paga dois denários — cerca de dois dias de trabalho — e ainda deixa a conta aberta. O texto diz que ele "teve piedade", mas a piedade só aparece nos atos.
No fim, Jesus vira a pergunta do intérprete pelo avesso. O homem queria saber quem merecia ser chamado de próximo; Jesus pergunta quem agiu como próximo. A resposta não define um grupo de pessoas que eu devo amar. Define quem eu devo ser: alguém que, ao encontrar uma necessidade no caminho, não passa de largo. "Vá e faça o mesmo."
O novo mandamento: amar como Jesus amou
Na noite em que foi preso, depois de lavar os pés dos discípulos, Jesus disse: "Um novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros; como eu vos amei a vós, que também vós uns aos outros vos ameis" (João 13:34, ACF). E emendou: "Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros" (João 13:35, ACF). A passagem inteira está em João 13.
O que há de novo, se amar o próximo já estava em Levítico? A medida. Antes, a régua era "como a ti mesmo". Agora é "como eu vos amei" — e os discípulos tinham acabado de ver o Mestre de joelhos lavando pés sujos, e em poucas horas o veriam na cruz. O padrão subiu de "o que você quer para si" para "o que Jesus fez por você".
O mandamento também é dirigido à comunidade. "Uns aos outros" fala do amor entre os que seguem a Jesus. Isso não cancela o amor aos inimigos nem ao estrangeiro da parábola; acrescenta uma coisa: a igreja é o lugar onde esse amor precisa ser visível primeiro. Jesus diz que é por aí que o mundo vai reconhecer os discípulos — não pela doutrina certa nem pela moral impecável, mas pelo jeito como tratam uns aos outros.
Para quem lê isso hoje, há um teste embutido. Se alguém de fora olhasse para a sua comunidade de fé, concluiria pelo que vê que ali tem gente que ama de verdade? Jesus disse que é esse o sinal.
O amor que perdoa sem fingir que o pecado não existe
Dois episódios dos Evangelhos mostram como esse ensino funciona quando sai do discurso e encontra uma pessoa concreta. O primeiro é a mulher surpreendida em adultério:
Então os escribas e fariseus trouxeram à presença dele uma mulher surpreendida em adultério e, fazendo-a ficar em pé no meio de todos, disseram a Jesus:
— Mestre, esta mulher foi surpreendida em flagrante adultério. Na Lei, Moisés nos ordenou que tais mulheres sejam apedrejadas. E o senhor, o que tem a dizer?
Eles diziam isso tentando-o, para terem de que o acusar. Mas Jesus, inclinando-se, escrevia na terra com o dedo. Como eles insistiam na pergunta, Jesus se levantou e lhes disse:
— Quem de vocês estiver sem pecado seja o primeiro a atirar uma pedra nela.
E, inclinando-se novamente, continuou a escrever no chão. Mas eles, ouvindo essa resposta, foram saindo um por um, a começar pelos mais velhos até os últimos, ficando só Jesus e a mulher em pé diante dele. Levantando-se, Jesus perguntou a ela:
— Mulher, onde estão eles? Ninguém condenou você?
Ela respondeu:
— Ninguém, Senhor!
Então Jesus disse:
— Também eu não a condeno; vá e não peque mais.(Johannes 8:3-11, NAA)
A cena é uma armadilha. Os escribas e fariseus não estão interessados na mulher; querem usar o caso para pegar Jesus. Se ele mandasse apedrejar, ficaria contra o governo romano, que não permitia aos judeus executar sentença de morte; se dissesse para soltá-la, estaria negando a Lei de Moisés. Vale notar também o que falta na cena: o homem. A Lei previa pena para ambos, e só a mulher foi trazida. A acusação já nasce torta.
Jesus não entra no jogo. Ele desloca a pergunta de "o que fazer com ela" para "quem de vocês está em condição de condenar". Um a um, os acusadores saem, começando pelos mais velhos — os que tinham mais anos de vida para examinar.
Então vem a frase que define o amor de Jesus: "Também eu não a condeno; vá e não peque mais." As duas metades importam, e a ordem também. Ele perdoa antes de exigir; mas ele exige. Não diz "o que você fez não tem problema". Chama de pecado e pede que acabe. O amor que Jesus pratica não nega a verdade sobre a pessoa; ele a diz com uma mão que levanta, não com uma pedra.
Olha, isso aqui desmonta duas caricaturas de uma vez. A do amor que aceita tudo e por isso não chama nada de errado, e a da verdade que condena e por isso não salva ninguém. Jesus faz as duas coisas no mesmo fôlego.
O amor que atravessa a fronteira: o centurião de Cafarnaum
O segundo episódio costuma ser lembrado por outra palavra — fé — e é honesto dizer isso desde o início. Mas ele mostra algo sobre o alcance do amor de Jesus que vale a leitura:
Tendo Jesus entrado em Cafarnaum, um centurião se aproximou dele, implorando:
— Senhor, o meu servo está na minha casa, de cama, paralítico, sofrendo horrivelmente.
Jesus lhe disse:
— Eu vou lá curá-lo.
Mas o centurião respondeu:
— Senhor, não sou digno de recebê-lo em minha casa. Mas apenas mande com uma palavra, e o meu servo será curado. Porque também eu sou homem sujeito à autoridade, tenho soldados às minhas ordens e digo a este: "Vá", e ele vai; e a outro: "Venha", e ele vem; e ao meu servo: "Faça isto", e ele o faz.
Ao ouvir isso, Jesus ficou admirado e disse aos que o acompanhavam:
— Em verdade lhes digo que nem mesmo em Israel encontrei fé como esta. Digo a vocês que muitos virão do Oriente e do Ocidente e tomarão lugar à mesa com Abraão, Isaque e Jacó no Reino dos Céus. Mas os filhos do Reino serão lançados para fora, nas trevas; ali haverá choro e ranger de dentes.
Então Jesus disse ao centurião:
— Vá! E seja feito conforme você crê.
E, naquela mesma hora, o servo do centurião foi curado.…(Matthäus 8:5-13a, NAA)
Um centurião era oficial do exército romano, comandante de cerca de cem homens, parte do aparato que ocupava a terra. Este vem a Jesus suplicar por um servo — um escravo, pelo relato paralelo de Lucas, que acrescenta que o servo era muito estimado por ele (Lucas 7). Já aí há amor onde não se esperava: um oficial romano implorando por alguém que, para o mundo dele, era propriedade.
E veja a resposta de Jesus antes de qualquer discussão sobre fé: "Eu vou lá curá-lo." Para um judeu, entrar na casa de um gentio era contaminação. Jesus se oferece sem hesitar. O centurião é quem recusa, por reconhecer que não é digno — e Jesus elogia essa fé, dizendo que nem em Israel havia encontrado igual.
O ensino sobre amor está no desfecho. Jesus aproveita o momento para dizer que muitos virão do Oriente e do Ocidente e se sentarão à mesa com Abraão, Isaque e Jacó. O banquete do Reino não tem lista de convidados por nacionalidade. O mesmo Jesus que fez de um samaritano o herói da parábola atende um romano sem pedir nada, e anuncia que a mesa de Deus está aberta a quem crê. É a prática do que ele ensinou: o próximo é quem está diante de você, seja quem for.
Deus amou o mundo: a raiz de tudo
Até aqui falamos do que Jesus mandou fazer. Mas o ponto de partida dele não é a ordem; é uma notícia. Numa conversa noturna com Nicodemos, um mestre de Israel, Jesus disse que "Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito" (João 3:16, ACF). A passagem completa está em João 3.
"Mundo", nesse versículo, é kosmos — a humanidade inteira, não o planeta e não só os bons. No Evangelho de João, essa palavra costuma aparecer com sentido negativo: o mundo que não conheceu a luz, que odeia Jesus. É exatamente esse mundo que Deus amou. O amor não esperou merecimento; veio antes, e veio em forma de entrega: Deus deu o Filho.
Isso explica por que Jesus pode mandar amar o inimigo e o estranho. Ele não está pedindo aos discípulos que inventem um amor do nada. Está pedindo que repitam, em escala humana, o que Deus já fez com eles. Na leitura evangélica histórica — e aqui a maior parte das tradições cristãs concorda — toda a ética do amor no Novo Testamento nasce daqui: Deus amou primeiro, e a resposta certa é amar da mesma forma.
Ninguém tem maior amor: a cruz como medida
Na mesma noite do novo mandamento, Jesus deu a definição mais curta e mais pesada de amor que existe nos Evangelhos:
Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a própria vida pelos seus amigos.(Johannes 15:13, NVI)
O versículo anterior repete a ordem: amem-se uns aos outros "como eu vos amei" (João 15). E este versículo diz qual é o tamanho desse "como": a própria vida. Em poucas horas, Jesus seria preso. Ele não estava fazendo teoria sobre o amor; estava dizendo aos amigos o que iria acontecer e por quê.
Aqui o ensino e a biografia se encontram. Tudo o que Jesus disse sobre amor — ao próximo, ao inimigo, uns aos outros — ele cumpriu de uma vez na cruz, morrendo por quem o traía, negava e crucificava. Por isso, para a teologia cristã, a cruz não é só o meio da salvação; é também a definição de amor. Quando o Novo Testamento quer explicar o que amar significa, ele aponta para lá.
E a definição é concreta de um jeito incômodo. Amor, segundo Jesus, não se mede pelo que se sente, mas pelo que se está disposto a perder pelo outro. Na maioria das vezes, isso não será a vida. Será tempo, dinheiro, orgulho, o direito de revidar, a vontade de ter razão. Mas a direção é a mesma.
O que fica, de tudo isso, para quem está lendo
Se você juntar os ensinamentos, sai um retrato bem definido. Jesus ensina que amor é mandamento, não humor; que começa em Deus e desce para o próximo; que o próximo é quem cruza o caminho, inclusive o inimigo; que se prova em ações que custam; que perdoa sem mentir sobre o pecado; e que tem como medida o que ele mesmo fez na cruz.
Nada disso depende de sentir alguma coisa antes de começar. O samaritano não parou porque gostava de judeus. Jesus não ordenou que a pessoa sentisse afeto pelo perseguidor; ordenou que orasse por ele. É possível obedecer hoje, com o coração ainda frio — e a experiência cristã de séculos diz que o afeto costuma vir atrás da obediência, não antes.
Então, para voltar ao ponto de partida: "Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam" (Mateus 5:44, ACF). Para ler esse ensino no lugar dele, abra Mateus 5 e, para ver o novo mandamento e a sua medida na mesma noite, leia João 13 e João 15 completos.
Qual foi o mandamento que Jesus chamou de maior?
Amar a Deus de todo o coração, alma, entendimento e força, e amar o próximo como a si mesmo (Marcos 12:28-31). Jesus juntou dois textos da Bíblia hebraica, Deuteronômio 6:5 e Levítico 19:18, e disse que nenhum outro mandamento é maior. Em Mateus 22:40 ele acrescenta que toda a Lei e os Profetas dependem desses dois.
Amar o inimigo significa aceitar qualquer coisa que ele faça?
Não. Jesus manda amar, bendizer, fazer bem e orar pelo inimigo (Mateus 5:44); não manda negar que houve mal nem desistir da justiça. O próprio Jesus chamou pecado de pecado e confrontou hipocrisia. Amar o inimigo é responder ao mal com bem concreto e desejar que ele mude — não fingir que não há nada a mudar.
O que é o amor ágape de que a Bíblia fala?
Agapē é a palavra grega usada nos mandamentos de Jesus sobre o amor. Diferente da paixão ou da amizade, ela descreve uma vontade dirigida ao bem do outro, que não depende de retorno nem de simpatia. É por isso que pode ser ordenada: é escolha e ação, não emoção. O Novo Testamento usa a mesma palavra para o amor de Deus pelo mundo em João 3:16.
Onde está o "novo mandamento" de Jesus?
Em João 13:34-35, na noite da última ceia, depois de lavar os pés dos discípulos. Jesus manda que eles se amem uns aos outros "como eu vos amei" e diz que é por esse amor que o mundo reconhecerá quem são seus discípulos. Ele repete a ordem em João 15:12, logo antes de dizer que ninguém tem maior amor do que quem dá a vida pelos amigos.
Jesus ensinou que a pessoa deve amar a si mesma?
Ele não deu esse mandamento, mas o pressupôs. "Amarás o teu próximo como a ti mesmo" (Marcos 12:31) toma como ponto de partida que a pessoa já cuida de si — quer alimento, descanso e justiça. O mandamento é querer isso, com a mesma seriedade, para o outro. Na leitura evangélica histórica, o cuidado consigo mesmo não é o alvo do ensino, e sim a medida que ele usa.
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