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Esqueça isso: o passado em Isaías 43

Redação Bíblia Online Publicado em

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  • Reúne os devocionais de 22 de outubro de 2024 e 17 de março de 2026.

A lembrança que volta sem avisar

"Geçmiş şeyleri anmayın,

eski şeyleri düşünmeyin.

İşte yeni bir şey yapacağım.

Artık ortaya çıkıyor.

Bilmiyor musunuz?

Hatta çölde yol, bozkırda ırmaklar yapacağım.

Homem de cabelos grisalhos segura uma caneca na cozinha e olha pela janela a rua.

Você está lavando a louça, e ela volta. A frase dita na sua frente, a porta que bateu, a mensagem que você ainda sabe de cor. Faz anos. Você não escolheu lembrar: a memória trouxe sozinha, e trouxe junto o calor no rosto, como se tivesse sido hoje.

É aí que Isaías 43 parece pedir o impossível: esqueçam o que se foi. Mas como? Ninguém esquece por decisão. Quem tenta, lembra mais.

Este artigo faz parte de Devocionais

O que Deus pede — e o que não pede

Vale ler a frase com calma, e aqui as traduções ajudam. A ACF traz «Não vos lembreis das coisas passadas» (Isaías 43:18, ACF); a NVI diz «não vivam no passado» (Isaías 43:18, NVI). A segunda explica a primeira. O problema não é ter memória. É fazer dela endereço.

Deus não é contra lembrar. A Bíblia inteira pede que a gente lembre: Paulo manda Timóteo relembrar a igreja do que ela aprendeu, e Deus falou pelos profetas, de muitas maneiras, justamente para que as gerações seguintes não esquecessem. O povo que ouve Isaías está no exílio, cercado pela lembrança do que perdeu e do que fez de errado. E Deus não diz que nada daquilo aconteceu. Diz: vejam, eu farei uma coisa nova.

Essa é a primeira ponte entre a louça e o profeta. A gente larga o passado não porque ele não importa, mas porque Deus está trabalhando mais à frente — no deserto, onde ainda não existe caminho. Quem anda com os olhos presos atrás não vê a estrada nascer.

José lembrava de tudo

Se alguém tinha motivo para remoer, era José. Vendido pelos irmãos, acusado em falso, anos na prisão. Quando o primeiro filho nasceu, ele o chamou Manassés e explicou o nome: Deus o tinha feito esquecer todo o seu sofrimento.

Só que José não tinha apagado nada. Anos depois, diante dos irmãos, ele conta a história inteira, com detalhes — e manda que não se aflijam, porque foi Deus quem o enviou adiante deles para salvar vidas. O que mudou não foi a lembrança. Foi o comando que ela tinha sobre ele.

A ferida virou cicatriz: continua visível, mas já fechou. Esquecer, no sentido da Bíblia, é isso. O fato fica; o poder vai embora. E a fonte dessa cura está no mesmo capítulo de Isaías: poucos versículos depois, Deus diz que Ele mesmo não se lembra mais dos pecados do seu povo. Quem foi esquecido assim consegue soltar o que lembra.

O que cabe no dia de hoje

Quando a lembrança voltar — na louça, no trânsito, às três da manhã —, não brigue com ela nem reprise a cena mais uma vez. Diga baixinho: isso aconteceu, e o Senhor está fazendo coisa nova. É a segunda ponte: se a coisa nova vem de Deus, e não de você conseguir apagar alguma coisa, você não precisa esquecer para andar.

Depois, um passo pequeno. Nomeie uma pessoa que você ainda não perdoou e decida perdoar — a decisão, não o sentimento; o sentimento vem atrasado, às vezes muito. Perdoar é devolver a conta a quem pode cobrá-la, e Deus pode. Talvez a mágoa bata de novo amanhã. Tudo bem. Você não vai morar lá.

A louça acaba, a água esquenta as mãos, e a lembrança passa, como passou outras vezes. Só que hoje você a deixa ir sem ir junto.

Esquecer não é apagar. É não morar mais lá.

Pai de amor, assim como Tu te dispões a não lembrar mais dos nossos pecados, cura a nossa memória, para que não fiquemos remoendo o mal que nos foi feito. Assim como nos perdoaste, ajuda-nos a perdoar. Amém.

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