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O que é amor na Bíblia: o significado em 1 Coríntios 13

Livro aberto com páginas dobradas em forma de coração sobre mesa de madeira

O que a Bíblia entende por amor

Na Bíblia, amor é uma coisa que se faz, antes de ser uma coisa que se sente. É por isso que, quando Paulo precisou dizer o que é amor, ele não falou de coração acelerado: escreveu uma lista de quinze verbos — o amor é paciente, não inveja, não guarda rancor, tudo suporta — e colocou essa lista entre dois capítulos sobre uma igreja brigando. Esse texto é 1 Coríntios 13, a definição mais completa de amor que a Bíblia tem, e tudo o mais que ela diz sobre o tema (Deus é amor, amar o próximo como a si mesmo, amar como Cristo amou) cabe dentro dela.

O capítulo termina com a frase que resume o lugar do amor na fé cristã:

Idohhè shii Migi, luthong, chiih-è miie hì pha uom ne raidun phro; chiih-è hì pha miie ne zab è boh ro.(1 Khorinthek 13:13)

Fé e esperança são enormes. Mesmo assim, Paulo diz que o amor é maior. O resto desta página mostra por que ele chegou a essa conclusão, versículo por versículo, e como isso se liga ao que o restante da Bíblia ensina.

Para quem Paulo escreveu: uma igreja disputando quem era mais espiritual

Corinto não era uma cidadezinha. Era uma colônia romana refundada em 44 a.C., com dois portos, jogos atléticos famosos, dinheiro circulando e muita gente chegada de fora tentando subir na vida. Numa cidade assim, status é tudo — e a igreja importou esse jeito de viver.

Basta ler a carta. No capítulo 1, os cristãos estão divididos em partidos: "eu sou de Paulo", "eu sou de Apolo", "eu sou de Pedro" (1 Coríntios 1). No capítulo 6, irmãos estão processando irmãos nos tribunais. No capítulo 11, na ceia do Senhor, os ricos comem antes e os pobres ficam com fome. E nos capítulos 12 e 14, o assunto são os dons espirituais — línguas, profecia, conhecimento —, que viraram mais um campeonato: quem fala em línguas é mais espiritual do que quem não fala.

Olha o lugar onde o capítulo 13 está. Ele vem logo depois de Paulo dizer, no fim do capítulo 12, que vai mostrar "um caminho mais excelente" (1 Coríntios 12), e logo antes de ele voltar, no capítulo 14, a regular o uso de línguas e profecia no culto. Ou seja: 1 Coríntios 13 não foi escrito para casamentos. Foi escrito para uma igreja dotada, barulhenta e dividida, para dizer que dom nenhum vale alguma coisa se não for exercido com amor.

Isso muda a leitura. Quando Paulo escreve "o amor não inveja" e "não se vangloria", ele não está filosofando: está descrevendo exatamente o que faltava naquela comunidade.

Versículos 1 a 3: dons sem amor são só barulho

Paulo começa com um "ainda que" repetido três vezes, e cada vez ele escolhe algo que os coríntios admiravam (1 Coríntios 13).

Versículo 1. Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos — o dom mais cobiçado em Corinto —, sem amor sou "como o sino que ressoa ou como o címbalo que retine" (na tradução da NVI; a Almeida diz "metal que soa"). O detalhe é fino: Corinto era famosa no mundo antigo pelo seu bronze. Paulo pega o produto de que a cidade se orgulhava e diz: é isso que você é sem amor. Um objeto que faz barulho. Chama atenção, mas não diz nada.

Versículo 2. Ainda que eu tenha profecia, conheça todos os mistérios e tenha fé para mover montanhas — a mesma expressão que Jesus usou —, sem amor "nada sou". Repare que ele não diz "meu dom não vale nada". Diz "eu não sou nada". O problema não está no dom, que continua sendo de Deus; está na pessoa, que virou um instrumento vazio.

Versículo 3. Ainda que eu distribua todos os meus bens aos pobres e entregue meu corpo para ser queimado, sem amor "nada disso me aproveita". Aqui Paulo sai da área dos dons e entra na área do sacrifício, e isso é importante: dá para fazer caridade sem amor. Dá até para morrer sem amor — por orgulho, por teimosia, para ser lembrado. (Vale notar: alguns manuscritos antigos trazem, em vez de "para ser queimado", "para me vangloriar". A diferença é de uma letra no grego, e o sentido geral da frase não muda.)

O argumento dos três versículos é um só, numa escala crescente: do dom mais vistoso ao sacrifício mais extremo, nada substitui o amor. Não porque as outras coisas sejam ruins. Porque elas foram feitas para ser o corpo do amor, e sem ele viram casca.

Versículos 4 a 7: o amor descrito em quinze verbos

Essa é a parte mais famosa do capítulo, e vale ler de uma vez em 1 Coríntios 13:4-7 antes de olhar os detalhes.

Isso aqui é importante: em português lemos adjetivos ("o amor é paciente, é bondoso"), mas no grego são todos verbos. Paulo não diz como o amor é; diz o que o amor faz e o que ele não faz. São quinze ações. Dois verbos positivos, oito negativos, e depois cinco que fecham a lista. Vamos na ordem.

O amor é paciente. A palavra grega é makrothymeî, literalmente "ter o ânimo longo". Não é paciência com situações — fila, trânsito —, é paciência com pessoas. É demorar para explodir com alguém que já deu motivo.

O amor é bondoso. Se a paciência é o que o amor aguenta, a bondade é o que ele faz enquanto aguenta. Não basta não revidar: o amor vai lá e faz o bem.

Não inveja. Em Corinto, isso significava não cobiçar o dom do outro. Hoje, o salário, o casamento, o filho que deu certo.

Não se vangloria. O verbo (perpereúetai) descreve quem fala demais de si mesmo. A Almeida traduz "não trata com leviandade".

Não se ensoberbece. A imagem no grego é de algo que se incha, como um fole. Paulo já tinha usado o mesmo verbo para o "conhecimento" dos coríntios no capítulo 8: o conhecimento incha, o amor edifica.

Não se porta com indecência. Não é grosseiro, não constrange, não faz o outro passar vergonha.

Não busca os seus interesses. Esse é o centro da lista, e provavelmente o centro do problema de Corinto. O amor não pergunta "o que eu ganho com isso?".

Não se irrita. Literalmente, não é "provocável": não vive à beira da explosão.

Não guarda rancor. Aqui a tradução faz diferença. A Almeida Revista e Corrigida diz "não suspeita mal"; a NVI diz "não guarda rancor". O grego é ou logízetai tò kakón, "não contabiliza o mal" — um termo de guarda-livros. O amor não mantém a planilha das ofensas para apresentar depois.

Não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade. Nessa dupla está a resposta a uma objeção óbvia: amar é fechar os olhos para o erro? Não. O amor não se alegra quando o mal vence — nem quando o mal atinge alguém de quem não gostamos. Mas também não é cego: alegra-se com a verdade, mesmo quando ela custa.

Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. Os quatro últimos. "Tudo sofre" (stégei) tem a ideia de cobrir, como um telhado: o amor protege o outro em vez de expô-lo. "Tudo crê": dá o benefício da dúvida. "Tudo espera": não desiste de ninguém como caso perdido. "Tudo suporta" (hypoménei): fica embaixo do peso sem sair de lá.

Agora um exercício que a igreja faz há séculos: troque "o amor" pelo seu próprio nome e leia de novo. "Fulano é paciente, é bondoso, não inveja…" Fica desconfortável rápido. Mas faça o exercício ao contrário também: troque "o amor" por "Jesus". Aí cada frase vira uma descrição exata. É por isso que muitos intérpretes dizem que 1 Coríntios 13:4-7 é, no fundo, um retrato de Cristo.

Versículos 8 a 12: o que vai acabar e o que não vai

Depois de dizer o que o amor faz, Paulo diz quanto tempo ele dura: para sempre. E compara isso com a duração dos dons (1 Coríntios 13).

Versículo 8. "O amor nunca falha" (Almeida) ou "nunca perece" (NVI); o grego diz que o amor nunca cai. As profecias, as línguas e o conhecimento — justamente os três dons disputados em Corinto — vão desaparecer. Não porque sejam ruins, mas porque são provisórios.

Versículo 9. O motivo: agora conhecemos "em parte" e profetizamos "em parte". Mesmo o melhor profeta de Corinto estava enxergando um pedaço.

Versículo 10. "Quando vier o que é perfeito, o que é em parte será aniquilado". Olha, é preciso ser honesto aqui: esse versículo tem leituras diferentes entre cristãos evangélicos, e a diferença é séria. Alguns, da tradição chamada cessacionista, entendem "o que é perfeito" como a revelação completa — o Novo Testamento concluído — e concluem que dons como profecia e línguas cessaram com os apóstolos. Outros, continuístas, entendem "o que é perfeito" como a volta de Cristo e o estado final das coisas, e concluem que os dons permanecem até então. O versículo 12, que fala de ver "face a face", pesa a favor da segunda leitura, e hoje ela é a mais comum entre comentaristas dos dois lados; mas é uma leitura, e você precisa saber que a outra existe. O que ninguém disputa é o ponto de Paulo: os dons têm prazo de validade. O amor, não.

Versículo 11. A primeira imagem: criança e adulto. Quando se é criança, fala-se, pensa-se e raciocina-se como criança; ao crescer, aquilo fica para trás. Não é desprezo pela infância — é que ela foi feita para ser superada.

Versículo 12. A segunda imagem, e de novo Paulo pega algo da terra deles: o espelho. Os espelhos de Corinto eram de bronze polido, e por melhores que fossem devolviam um reflexo turvo, meio deformado. "Agora vemos por espelho em enigma" (Almeida) ou "apenas um reflexo obscuro" (NVI). Um dia veremos face a face. Agora conheço em parte; então conhecerei "como também sou conhecido" — isto é, do jeito que Deus já me conhece hoje.

Mulher de manto claro segura um espelho antigo em um mercado de rua de pedra.

Pense no que isso dizia aos coríntios. Vocês estão brigando por quem enxerga melhor no espelho embaçado. Nenhum de vocês enxerga direito. O que vai atravessar daqui até a face a face não é o dom de vocês. É o amor.

Versículo 13: por que o amor é o maior

Chegamos de volta ao versículo-âncora. "Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; mas o maior destes é o amor."

Primeiro, o que o versículo não diz: não diz que fé e esperança são pequenas. Paulo acabou de gastar a carta inteira defendendo a fé; na carta aos Romanos, ele diz que somos salvos pela esperança. Os três "permanecem" — e é curioso que ele use esse verbo justamente depois de dizer que profecia, línguas e conhecimento não permanecem. Fé, esperança e amor estão em outra categoria: são o que sobra quando os dons passam.

Então por que o amor é o maior dos três? Há mais de uma resposta, e elas não se excluem:

A primeira olha para o futuro. A fé é confiar no que não se vê; a esperança é aguardar o que ainda não veio. Quando virmos face a face, a fé vira visão e a esperança vira posse — elas chegam ao destino. O amor não tem destino onde chegar; ele continua exatamente igual na eternidade. Nesse sentido, é o único dos três que não muda de forma. Essa é a leitura mais comum na tradição evangélica, e é a que faz melhor sentido com o versículo 12 logo antes.

A segunda olha para Deus. A Bíblia nunca diz que Deus "é fé" ou "é esperança" — Deus não precisa de nenhuma das duas. Mas diz que Deus é amor. O amor é maior porque é a única das três virtudes que descreve o próprio caráter de Deus. Quando amamos, estamos sendo parecidos com ele de um jeito que não acontece com nada mais.

A terceira olha para a direção das coisas. A fé e a esperança trabalham para o amor: cremos e esperamos para poder amar. Paulo diz isso com todas as letras na carta aos Gálatas — o que vale é a fé que atua pelo amor. O amor é o fim; os outros dois são o caminho.

Junte as três e o versículo fica claro: o amor é o maior porque é eterno, porque é o que Deus é, e porque é para onde tudo o mais aponta.

De onde esse amor vem: "Deus é amor"

Até aqui, a pergunta foi "o que é o amor". Mas 1 Coríntios 13 descreve um amor que ninguém consegue produzir sozinho — ninguém é paciente, bondoso, sem inveja e sem rancor por força de vontade. A Bíblia é clara sobre a fonte:

Bushun pha iijiiakthek, cho gethek chung miie rai haro, nyieliieshii miie ne Hamangkhung-aphuii è ro. Hanyie è miie ithek ne Hamangkhung-aphuii aniphiing ro chiih-è Hamangkhung-aphuii shii ìd ro. Hanyie è amiie ithek ne Hamangkhung-aphuii shii a-ìd, nyieliieshii Hamangkhung-aphuii ne miie.(1 Jon 4:7,8)

"Deus é amor" é uma afirmação sobre a natureza de Deus, não uma definição de amor — não dá para inverter e dizer "o amor é Deus". O que João quer dizer é que amar é da essência dele, e que por isso quem ama de verdade está participando de algo que vem de Deus. É também por isso que João acrescenta, no mesmo capítulo, que nós amamos porque ele nos amou primeiro (1 João 4). A ordem importa: a iniciativa é dele.

E esse amor tem um formato definido. Ele não esperou que fôssemos merecedores:

Jishii Hamangkhung-aphuii è gethek shii khama bushun rek phi pha ji ne doh yi, Masi è gethek chiang pha ishak shii ne gethek ne layogpho shii ba!(Romanthek 5:8)

Isso ilumina a lista do capítulo 13. "O amor tudo suporta, não guarda rancor, tudo espera" não é um ideal abstrato: é o que Deus fez conosco. Ele foi paciente com quem o rejeitava, bondoso com quem não retribuía, não contabilizou nossas ofensas — e o preço disso foi a cruz. O versículo mais conhecido da Bíblia diz a mesma coisa pelo lado do custo:

Chiih-è Hamangkhung-aphuii è sohjambling shii bajo miie rek ne awairo Dufuii iphen jia ji de phi muii, jiè hanyie magungde aishii migi rek arone ji pho ne khuchung de a-iy phro, jishii idang pha chai mua ruii phro.(Jon 3:16)

O verbo é "deu". Amar, na Bíblia, custa alguma coisa a quem ama. É isso que Jesus chama de "maior amor" — dar a vida pelos amigos (João 15) — e é a medida que João usa quando pede que amemos "não de palavra, mas de fato e de verdade" (1 João 3). O Deus que é amor não só define o amor: ele o demonstrou, e a demonstração virou o padrão.

O que mais a Bíblia diz sobre amar

1 Coríntios 13 é a definição; o restante da Bíblia é o mandamento e os desdobramentos. Quem busca "amor na Bíblia" costuma estar procurando um destes.

O maior mandamento. Perguntado sobre qual era o mandamento mais importante da Lei, Jesus respondeu com dois: amar a Deus de todo o coração, alma e entendimento, e amar o próximo como a si mesmo — e disse que toda a Lei e os Profetas dependem desses dois (Mateus 22). Ou seja: para Jesus, a Bíblia inteira se resume em amar. Isso não é redução; é hierarquia. Tudo o mais existe para servir a isso.

O novo mandamento. Na última noite com os discípulos, Jesus deu ao amor uma medida nova:

Ji-è gu ne nathek shii iwo muyung phi pha ro: Nawaithek chung miie rek rai bo. Gu è nathek shii miie pha duiine, chiih-è nawaithek chung de miie rai bo. Chiih-è nawaithek chung miie arone, nathek ne gu ro samoy ro è zab thieg ruii phro.(Jon 13:34,35)

Amar o próximo já estava em Levítico. O que é novo é o padrão: não mais "como a ti mesmo", mas "como eu vos amei" — e Jesus disse isso horas antes de morrer. Repare também na segunda parte: é por esse amor, e não por dons ou doutrina, que o mundo deveria reconhecer um cristão. É o mesmo argumento de 1 Coríntios 13, dito por Jesus.

Amar inclusive quem não merece. Jesus mandou amar os inimigos e orar por quem nos persegue (Mateus 5), e resumiu a ética inteira numa regra: fazer aos outros o que queremos que façam a nós (Mateus 7). É a versão prática de "o amor não busca os seus interesses".

O amor na vida da igreja. Paulo pede amor sem fingimento e afeição fraternal (Romanos 12), diz que o amor é o laço que fecha todas as outras virtudes, "o vínculo da perfeição" (Colossenses 3), e no fim da própria carta aos coríntios resume tudo em quatro palavras: "tudo entre vós se faça com amor" (1 Coríntios 16). Pedro acrescenta o que esse amor faz com as falhas dos outros:

Zab pha lakhung shii, lubu phi ne nawaithek jia chung shii miie bo, nyieliieshii miie è bajo layogthek shii cheg phi ro.(1 Phithar 4:8)

"Cobrir" aqui é o mesmo gesto de "tudo sofre" no capítulo 13: não é esconder o pecado de Deus, é não ficar expondo o irmão. É escolher não publicar a falha alheia.

O amor de que nada nos separa. E, do outro lado, o amor que recebemos: Paulo garante que nem morte, nem vida, nem anjos, nem poder nenhum pode nos separar do amor de Deus em Cristo (Romanos 8). O amor que "tudo suporta" e "nunca falha" não é só o que devemos aos outros. É, primeiro, o que Deus tem por nós.

Onde o capítulo termina

Paulo não fecha 1 Coríntios 13 com uma exortação. Fecha com uma constatação: "o maior destes é o amor". Depois, no capítulo 14, ele volta ao trabalho de ajeitar o culto de uma igreja complicada — mas agora os coríntios já sabem com que régua medir cada dom, cada discurso e cada sacrifício.

Leia 1 Coríntios 13 completo, de uma vez, do versículo 1 ao 13. São treze versículos, e cabem numa tela de celular.

1 Coríntios 13 fala sobre casamento?

Não diretamente. Paulo escreveu o capítulo para uma igreja dividida por disputas sobre dons espirituais, e o "amor" ali é o que deve governar a convivência entre cristãos. Ele serve a casamentos porque descreve o amor em ações — paciência, bondade, não guardar rancor —, e isso vale para qualquer relação. Mas o alvo original era a igreja, não o casal.

O que significa ágape?

Ágape é a palavra grega que o Novo Testamento usa para o amor de Deus e para o amor que ele pede dos cristãos — o amor de 1 Coríntios 13 e de "Deus é amor" em 1 João 4:8. Costuma-se dizer que ela designa um amor de decisão e sacrifício, diferente de éros (desejo) e philía (amizade). Essa distinção é útil, mas não rígida: os autores bíblicos às vezes usam agapáo e philéo como sinônimos. O que define o ágape não é a palavra em si, e sim o conteúdo que a Bíblia dá a ela: amar como Cristo amou.

"O amor cobre a multidão de pecados" quer dizer fechar os olhos para o erro?

Não. 1 Pedro 4:8 e 1 Coríntios 13:7 ("tudo sofre", literalmente "tudo cobre") falam de não expor o irmão, não ficar contabilizando faltas e não publicar a falha alheia. O mesmo capítulo diz que o amor "se alegra com a verdade" e "não se alegra com a injustiça" — ou seja, o amor bíblico não é cego ao pecado; ele escolhe tratá-lo com proteção em vez de exposição.

1 Coríntios 13 ensina que os dons espirituais acabaram?

Depende de como se lê o versículo 10, "quando vier o que é perfeito". Cristãos cessacionistas entendem "o perfeito" como a revelação bíblica completa e concluem que profecia e línguas cessaram na era apostólica. Cristãos continuístas entendem "o perfeito" como a volta de Cristo, apoiados no versículo 12 ("então veremos face a face"), e concluem que os dons continuam até lá. As duas posições são defendidas por evangélicos sérios. O que o capítulo afirma sem ambiguidade é que os dons são temporários e o amor é eterno.

Qual é o versículo mais conhecido sobre o amor na Bíblia?

Provavelmente João 3:16: "Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito". Para uma descrição do amor em ações, o mais citado é 1 Coríntios 13:4-7 ("o amor é paciente, é bondoso…"). E para a afirmação mais direta sobre a natureza de Deus, 1 João 4:8: "Deus é amor".

ALBERTO LIUTAYone Dantas
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