Homem: o que a Bíblia diz sobre sua criação e queda
Criado à imagem de Deus e marcado pela queda
A Bíblia apresenta o homem como uma criatura singular, feita à imagem e semelhança de Deus, mas profundamente afetada pela entrada do pecado no mundo. Em vez de exaltar a autossuficiência humana, a Escritura revela a fragilidade da nossa condição e aponta para a redenção em Jesus Cristo.
Em Gênesis, a criação da humanidade estabelece sua dignidade e sua responsabilidade no cuidado da terra:
E Deus disse:
— Façamos o ser humano à nossa imagem, conforme a nossa semelhança. Tenha ele domínio sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos, sobre toda a terra e sobre todos os animais que rastejam pela terra.
Assim Deus criou o ser humano à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.(Gênesis 1:26,27)
A comunhão com o Criador foi rompida quando Adão e Eva desobedeceram e se esconderam da presença divina:
Ao ouvirem a voz do Senhor Deus, que andava no jardim quando soprava o vento suave da tarde, o homem e a sua mulher se esconderam da presença do Senhor Deus, entre as árvores do jardim.(Gênesis 3:8)
O apóstolo Paulo explica que a desobediência de Adão introduziu o pecado e a morte na experiência humana:
Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado veio a morte, assim também a morte passou a toda a humanidade, porque todos pecaram.(Romanos 5:12)
A resposta de Deus a essa ruptura é Cristo, o último Adão, que dá vida espiritual aos que nele creem:
Pois assim está escrito: "O primeiro homem, Adão, se tornou um ser vivente." Mas o último Adão é espírito vivificante. O que vem primeiro não é o espiritual, e sim o natural; depois vem o espiritual. O primeiro homem, formado do pó da terra, é terreno; o segundo homem é do céu. Como foi o homem terreno, assim também são os demais que são feitos do pó da terra; e, como é o homem celestial, assim também são os celestiais. E, assim como trouxemos a imagem do homem terreno, traremos também a imagem do homem celestial.(1 Coríntios 15:45-49)
A fragilidade humana e a soberania divina
A Bíblia trata a fragilidade humana com realismo: os dias do homem na terra são breves, marcados por limites e totalmente dependentes de Deus.
Em meio à dor, Jó resume a brevidade e as aflições da existência terrena:
Diante da santidade do Criador, nenhum ser humano pode reivindicar pureza ou justiça própria:
Mesmo diante da pequenez do ser humano, Deus não o abandona nem o perde de vista:
O autor de Hebreus, citando o Salmo 8, lembra que Deus se importa com o homem e coroa a humanidade de glória e honra em Cristo:
Pelo contrário, alguém, em certo lugar, deu testemunho, dizendo:
"Que é o homem,
que dele te lembres?
Ou o filho do homem,
que o visites?(Hebreus 2:6)
Salomão ensina que os passos da vida pertencem ao Senhor, superando a capacidade do homem de controlar o próprio caminho:
Os passos de cada pessoa
são dirigidos pelo Senhor;
como poderá alguém entender
o seu próprio caminho?(Provérbios 20:24)
Os limites humanos e o perigo da autossuficiência
O ser humano tende a confiar nas próprias forças ou na força de outros, mas a Bíblia adverte contra o engano de afastar o coração de Deus.
O profeta Jeremias denuncia a ruína de depositar a esperança final na força humana em vez de confiar no Senhor:
Assim diz o Senhor:
"Maldito aquele
que confia no ser humano,
que faz da carne mortal o seu braço
e cujo coração se desvia do Senhor!(Jeremias 17:5)
Tiago adverte que a indecisão e a falta de fé tornam o homem inconstante em todas as suas atitudes:
Que uma pessoa dessas não pense que alcançará do Senhor alguma coisa, sendo indecisa e inconstante em todos os seus caminhos.(Tiago 1:7,8)
Nenhuma atitude humana fica encoberta; os olhos do Senhor observam todos os caminhos:
Porque os caminhos do homem
estão diante dos olhos do Senhor,
e ele considera
todas as suas veredas.(Provérbios 5:21)
O coração humano faz planos e traça objetivos, mas a soberania final de cada resposta pertence a Deus:
O coração do ser humano
pode fazer planos,
mas a resposta certa
vem dos lábios do Senhor.(Provérbios 16:1)
O novo homem em Cristo e o chamado à maturidade
O evangelho chama o homem a abandonar velhos hábitos corrompidos pelo pecado para viver uma nova vida guiada pela verdade, pelo amor e pelo serviço ao próximo.
A conversão exige despojar-se da antiga natureza e revestir-se do novo homem, criado segundo Deus em verdadeira justiça:
Quanto à maneira antiga de viver, vocês foram instruídos a deixar de lado a velha natureza, que se corrompe segundo desejos enganosos, a se deixar renovar no espírito do entendimento de vocês, e a se revestir da nova natureza, criada segundo Deus, em justiça e retidão procedentes da verdade.(Efésios 4:22-24)
Na cruz, Cristo desfez as divisões entre os povos, criando em si mesmo uma nova humanidade em paz:
Cristo aboliu a lei dos mandamentos na forma de ordenanças, para que dos dois criasse em si mesmo uma nova humanidade, fazendo a paz,(Efésios 2:15)
A maturidade cristã exige superar atitudes infantis e assumir a responsabilidade de uma vida fundamentada no amor:
Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, pensava como menino; quando cheguei a ser homem, desisti das coisas próprias de menino.(1 Coríntios 13:11)
Paulo instrui Timóteo como "homem de Deus" a fugir das paixões egoístas e a seguir a justiça, a fé e a mansidão:
Mas você, homem de Deus, fuja de tudo isso. Siga a justiça, a piedade, a fé, o amor, a perseverança, a mansidão.(1 Timóteo 6:11)
Essa maturidade se manifesta no convívio diário: honrar os homens mais velhos como pais e os mais jovens como irmãos:
Não repreenda um homem mais velho; pelo contrário, exorte-o como você faria com o seu pai. Trate os mais jovens como irmãos,(1 Timóteo 5:1)
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