O que era a missão dada por Jesus: "ide por todo o mundo"?
O que significa a ordem de "ir por todo o mundo"
A missão dada por Jesus em Marcos 16:15 — chamada tradicionalmente de a Grande Comissão — é a incumbência de anunciar a mensagem de salvação a todas as pessoas e formar comunidades de discípulos em todas as nações. Proferida após a ressurreição, essa ordem transferiu o testemunho do Reino de Deus para os seguidores de Cristo, rompendo os limites geográficos e religiosos de Israel para alcançar a humanidade inteira.
No contexto judaico do primeiro século, a expectativa comum girava em torno da restauração política e territorial de Israel. Ao ordenar o envio "por todo o mundo" e a "toda criatura", Jesus redirecionou essa visão: a redenção oferecida por Deus não pertencia mais a uma só linhagem étnica ou fronteira geográfica, mas estava aberta a qualquer indivíduo por meio da fé.
Fazer discípulos: o conteúdo prático da missão
A ordem de Jesus não se limitava à proclamação verbal de uma mensagem; exigia a formação contínua de pessoas que seguissem o Seu estilo de vida. O texto de Mateus 28:19,20 detalha como essa tarefa deveria ser executada:
Πορευθέντες οὖν μαθητεύσατε πάντα τὰ ἔθνη, βαπτίζοντες αὐτοὺς εἰς τὸ ὄνομα τοῦ Πατρὸς καὶ τοῦ Υἱοῦ καὶ τοῦ Ἁγίου Πνεύματος· διδάσκοντες αὐτοὺς τηρεῖν πάντα ὅσα ἐνετειλάμην ὑμῖν· καὶ ἰδού, ἐγὼ μεθ᾿ ὑμῶν εἰμι πάσας τὰς ἡμέρας ἕως τῆς συντελείας τοῦ αἰῶνος. Ἀμήν.(Κατα Ματθαιον 28:19,20)
O mandamento principal no texto grego é "fazer discípulos". Esse processo envolve dois elementos centrais:
O batismo: o sinal público de identificação da pessoa com a fé cristã e de integração na comunidade dos seguidores de Cristo.
O ensino prático: a instrução contínua para guardar e obedecer aos mandamentos de Jesus, moldando o caráter, as atitudes e a conduta moral do indivíduo.
A comissão de Jesus, portanto, não visava apenas obter conversões momentâneas, mas estabelecer uma caminhada de aprendizado e transformação de vida.
O alcance e o poder concedidos para o testemunho
Os discípulos eram homens simples da Galileia e não possuíam recursos econômicos, militares ou influência política para impactar o mundo conhecido. Por isso, Jesus deixou claro que a realização dessa missão dependeria do poder divino, conforme relatado em Atos 1:8:
Ἀλλὰ λήψεσθε δύναμιν, ἐπελθόντος τοῦ ἁγίου πνεύματος ἐφ᾿ ὑμᾶς· καὶ ἔσεσθέ μοι μάρτυρες ἔν τε Ἱερουσαλήμ, καὶ ἐν πάσῃ τῇ Ἰουδαίᾳ καὶ Σαμαρείᾳ, καὶ ἕως ἐσχάτου τῆς γῆς.(Πραξεισ Αποστολων 1:8)
A palavra "testemunha" (no grego, martys) designa aquele que relata fielmente aquilo que presenciou, mesmo sob custo pessoal severo. O avanço geográfico descrito por Jesus partia da realidade próxima (Jerusalém), passava por regiões vizinhas com barreiras culturais e hostilidades históricas (Judeia e Samaria) e prosseguia até os confins da terra. O agente ativo dessa propagação não era a engenhosidade humana, mas a capacitação concedida pelo Espírito Santo.
A promessa que sustenta o envio
A responsabilidade de alcançar todas as nações trazia oposição, perseguição e dificuldades reais para a igreja primitiva. Contudo, em Mateus 28:20, Jesus encerra o Seu mandato assegurando a Sua própria companhia aos que forem enviados:
διδάσκοντες αὐτοὺς τηρεῖν πάντα ὅσα ἐνετειλάμην ὑμῖν· καὶ ἰδού, ἐγὼ μεθ᾿ ὑμῶν εἰμι πάσας τὰς ἡμέρας ἕως τῆς συντελείας τοῦ αἰῶνος. Ἀμήν.(Κατα Ματθαιον 28:20)
Essa declaração final mostra que o mandato missionário não é uma tarefa desempenhada em solidão ou desamparo. A ordem de "ir por todo o mundo" permanece sustentada pela presença real de Cristo ao lado daqueles que comunicam Sua mensagem e ensinam Seus preceitos ao longo da história.
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