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Morte de Jesus: o significado e os fatos da cruz

A morte de Jesus é o evento central dos Evangelhos: a crucificação de Cristo nos arredores de Jerusalém, onde Ele entregou a própria vida para reconciliar a humanidade com Deus. Na teologia bíblica, a cruz não foi um acidente político ou uma fatalidade, mas um sacrifício voluntário que pagou a dívida do pecado e abriu o caminho para a salvação.

O que aconteceu no Calvário

Os quatro Evangelhos relatam os detalhes das últimas horas de Jesus no Gólgota (palavra que significa "Lugar da Caveira"). Condenado pela autoridade romana sob pressão dos líderes religiosos locais, Cristo foi pregado na cruz entre dois criminosos. Durante as horas de agonia, Ele expressou perdão aos seus executores, assegurou salvação ao malfeitor arrependido e entregou o próprio espírito ao Pai.

Quando chegaram ao lugar chamado Calvário, ali o crucificaram, bem como aos malfeitores, um à sua direita, outro à sua esquerda. Mas Jesus dizia:

— Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem.

Então, para repartir as roupas dele, lançaram sortes. O povo estava ali e observava tudo. Também as autoridades zombavam e diziam:

— Salvou os outros. Que salve a si mesmo, se é, de fato, o Cristo de Deus, o escolhido.

Igualmente os soldados zombavam dele e, aproximando-se, trouxeram-lhe vinagre, dizendo:

— Se você é o rei dos judeus, salve a si mesmo.

Acima de Jesus estava a seguinte inscrição: "Este é o Rei dos Judeus".

Um dos malfeitores crucificados blasfemava contra Jesus, dizendo:

— Você não é o Cristo? Salve a si mesmo e a nós também.

Porém o outro malfeitor o repreendeu, dizendo:

— Você nem ao menos teme a Deus, estando sob igual sentença? A nossa punição é justa, porque estamos recebendo o castigo que os nossos atos merecem; mas este não fez mal nenhum.

E acrescentou:

— Jesus, lembre-se de mim quando você vier no seu Reino.

Jesus lhe respondeu:

— Em verdade lhe digo que hoje você estará comigo no paraíso.(Lucas 23:33-43)

As trevas ao meio-dia e o clamor final de Jesus em aramaico revelam o peso do julgamento que Ele suportou. Ao exclamar "Está consumado", Jesus usou o termo que encerrava uma dívida quitada: a missão redentora estava completa.

Chegado o meio-dia, houve trevas sobre toda a terra até as três horas da tarde. E às três horas, Jesus clamou em alta voz:

— Eloí, Eloí, lemá sabactani? — Isso quer dizer: "Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?"(Marcos 15:33,34)

Os soldados, pois, quando crucificaram Jesus, pegaram as roupas dele e dividiram em quatro partes, uma parte para cada soldado; e pegaram também a túnica. A túnica, porém, era sem costura, toda tecida de alto a baixo. Por isso, os soldados disseram uns aos outros:

— Não a rasguemos, mas vamos tirar a sorte para ver quem ficará com ela.

Isso aconteceu para que se cumprisse a Escritura, que diz:

"Repartiram entre si

as minhas roupas

e sobre a minha túnica

lançaram sortes."

E foi isso que os soldados fizeram.

E junto à cruz estavam a mãe de Jesus, a irmã dela, Maria, mulher de Clopas, e Maria Madalena. Vendo Jesus a sua mãe e junto dela o discípulo amado, disse:

— Mulher, eis aí o seu filho.

Depois, disse ao discípulo:

— Eis aí a sua mãe.

Dessa hora em diante, o discípulo a tomou para casa.(João 19:23-27)

Depois, vendo Jesus que tudo já estava consumado, para que se cumprisse a Escritura, disse:

— Tenho sede!

Estava ali um vaso cheio de vinagre. Embeberam de vinagre uma esponja e, fixando-a num caniço de hissopo, aproximaram a esponja da boca de Jesus. Quando Jesus tomou o vinagre, disse:

— Está consumado!

E, inclinando a cabeça, entregou o espírito.(João 19:28-30)

No momento exato de sua morte, o véu do templo de Jerusalém — que separava o Santo dos Santos do restante das pessoas — rasgou-se de alto a baixo. O texto bíblico indica com isso que o acesso direto à presença de Deus fora inaugurado.

Eis que o véu do santuário se rasgou em duas partes, de alto a baixo; a terra tremeu e as rochas se partiram; os túmulos se abriram, e muitos corpos de santos já falecidos ressuscitaram; e, saindo dos túmulos depois da ressurreição de Jesus, entraram na cidade santa e apareceram a muitos. O centurião e os que com ele guardavam Jesus, vendo o terremoto e tudo o que se passava, ficaram possuídos de grande temor e disseram:

— Verdadeiramente este era o Filho de Deus.(Mateus 27:51-54)

As profecias do Antigo Testamento sobre a cruz

Os autores do Novo Testamento entenderam a morte de Cristo como o cumprimento literal de profecias hebraicas escritas centenas de anos antes. As figuras do Servo Sofredor em Isaías e as orações de aflição nos Salmos anteciparam detalhes como as zombarias, a divisão das vestes e a natureza substitutiva do sofrimento do Messias.

Mas ele foi traspassado

por causa das nossas

transgressões

e esmagado por causa

das nossas iniquidades;

o castigo que nos traz a paz

estava sobre ele,

e pelas suas feridas fomos sarados.

Todos nós andávamos

desgarrados como ovelhas;

cada um se desviava

pelo seu próprio caminho,

mas o Senhor fez cair sobre ele

a iniquidade de todos nós.

Ele foi oprimido e humilhado,

mas não abriu a boca.

Como cordeiro foi levado

ao matadouro

e, como ovelha muda

diante dos seus tosquiadores,

ele não abriu a boca.(Isaías 53:5-7)

Todos os que me veem

zombam de mim;

fazem caretas e balançam

a cabeça, dizendo:

"Confiou no Senhor!

Ele que o livre!

Salve-o, pois nele tem prazer."(Salmos 22:7,8)

Cães me cercam;

um bando de malfeitores

me rodeia;

traspassaram-me as mãos e os pés.

Posso contar

todos os meus ossos;

os meus inimigos

estão olhando para mim

e me encarando.

Repartem entre si

as minhas roupas

e sobre a minha túnica

lançam sortes.(Salmos 22:16-18)

Por que Jesus precisou morrer?

As Escrituras explicam a cruz sob a ótica da justiça e do amor de Deus. A justiça divina exigia condenação contra o pecado; o amor supriu a própria exigência ao enviar o Filho. Na teologia paulina e joanina, Jesus é a propiciação — o sacrifício que remove a culpa e pacifica a relação entre Deus e os seres humanos.

Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.(João 3:16)

— Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida pelas ovelhas.(João 10:11)

Ninguém tem amor maior do que este: de alguém dar a própria vida pelos seus amigos.(João 15:13)

Porque, se nós, quando inimigos, fomos reconciliados com Deus mediante a morte do seu Filho, muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos pela sua vida!(Romanos 5:10)

ele se humilhou, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz.(Filipenses 2:8)

E, assim como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo, depois disso, o juízo, assim também Cristo, tendo-se oferecido uma vez por todas para tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, não para tirar pecados, mas para salvar aqueles que esperam por ele.(Hebreus 9:27,28)

E ele é a propiciação pelos nossos pecados — e não somente pelos nossos próprios, mas também pelos do mundo inteiro.(1 João 2:2)

Nisto conhecemos o amor: que Cristo deu a sua vida por nós; portanto, também nós devemos dar a nossa vida pelos irmãos.(1 João 3:16)

A vitória da ressurreição e a memória da igreja

A narrativa cristã não termina no túmulo. A morte de Jesus só tem eficácia porque foi seguida pela ressurreição ao terceiro dia. A vitória sobre o túmulo demonstrou que a condenação da morte foi quebrada, dando aos crentes a garantia de vida eterna e definindo a prática central da Ceia do Senhor.

— Israelitas, escutem o que vou dizer: Jesus, o Nazareno, homem aprovado por Deus diante de vocês com milagres, prodígios e sinais, os quais o próprio Deus realizou entre vocês por meio dele, como vocês mesmos sabem, a este, conforme o plano determinado e a presciência de Deus, vocês mataram, crucificando-o por meio de homens maus. Porém Deus o ressuscitou, livrando-o da agonia da morte, porque não era possível que fosse retido por ela.(Atos 2:22-24)

Ou será que vocês ignoram que todos nós que fomos batizados em Cristo Jesus fomos batizados na sua morte? Fomos sepultados com ele na morte pelo batismo, para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também nós andemos em novidade de vida.(Romanos 6:3,4)

Sabemos que, havendo Cristo ressuscitado dentre os mortos, já não morre; a morte já não tem domínio sobre ele. Pois, quanto a ter morrido, de uma vez para sempre morreu para o pecado; mas, quanto a viver, vive para Deus.(Romanos 6:9,10)

Porque, todas as vezes que comerem este pão e beberem o cálice, vocês anunciam a morte do Senhor, até que ele venha.(1 Coríntios 11:26)

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