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Bíblia Nova Jerusalém online e a morada de Deus

Redação Bíblia Online Publicado em

A cidade é Deus mudando de endereço

Família almoça na varanda de um prédio, com a cidade ao fundo, passando arroz e pão.

A Nova Jerusalém de Apocalipse 21 não é, antes de tudo, um lugar bonito: é o momento em que Deus passa a morar com as pessoas. Tudo o mais no capítulo — muros, portas, ouro, ausência de lágrima — é consequência disso. E a frase que segura o capítulo inteiro é a do versículo 3, a voz que anuncia o tabernáculo de Deus com os seres humanos.

Vi também a cidade santa, a nova Jerusalém, que descia do céu, da parte de Deus, preparada como uma noiva enfeitada para o seu noivo. Então ouvi uma voz forte que vinha do trono e dizia:

— Eis o tabernáculo de Deus com os seres humanos. Deus habitará com eles. Eles serão povos de Deus, e Deus mesmo estará com eles e será o Deus deles. E lhes enxugará dos olhos toda lágrima. E já não existirá mais morte, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram.(प्रगटीकरण 21:2-4, NAA)

Repare na ordem. Primeiro a cidade desce — João não vê gente subindo. Depois a voz: Deus habitará com eles. E só então vêm as consequências: lágrima enxugada, morte acabada, luto e dor fora de cena. O conforto do versículo 4 não é a razão da cidade; é o efeito de Deus estar ali. Quem lê Apocalipse 21 procurando consolo acha o consolo — mas ele vem preso a uma causa.

Este artigo faz parte de Estudos Bíblicos Profecia e Escatologia

"Tabernáculo": a palavra que João escolheu

A palavra grega é skēnē, tenda. É o mesmo termo que a Bíblia grega usa para a tenda do deserto, aquela que Israel carregava e armava no meio do acampamento. Deus nunca morou num canto afastado: a tenda ficava no centro, com as tribos ao redor.

João já tinha usado essa imagem antes. Em João 1:14 ele diz que a Palavra se fez carne e "habitou" entre nós — o verbo é eskēnōsen, "armou tenda". O que Jesus fez por trinta e poucos anos num canto da Galileia, Apocalipse 21 diz que vai acontecer com a humanidade inteira, para sempre. A mesma tenda, agora do tamanho de uma cidade.

Uma promessa que vem de longe

A Nova Jerusalém não aparece do nada. João fecha uma história que a Bíblia conta desde Abraão, que saiu de uma cidade e viveu em tendas numa terra que não era dele (Gênesis 12). Hebreus diz que ele esperava uma cidade com fundamentos, construída por Deus (Hebreus 11:9-10). Um homem em barraca, de olho em alicerces — a imagem já está armada.

Os salmos e os profetas continuam: um rio alegra a cidade de Deus, e ele está no meio dela (Salmo 46); novos céus, nova terra e uma Jerusalém sem choro (Isaías 65); o Senhor voltando para habitar em Jerusalém (Zacarias 8).

Mas a frase-mãe está no fim de Ezequiel. O profeta escreveu no exílio, depois de ver a glória de Deus sair do templo e a cidade cair. Passou nove capítulos medindo um templo e uma cidade futuros, e o livro termina com o nome dela:

Em hebraico, Yahweh Shammah. Para um povo que acabara de perder a presença de Deus, o nome da cidade por vir é a resposta à perda. Quando João ouve a voz do versículo 3, é essa promessa que ele vê cumprida.

Uma cidade que já é nossa antes de descer

Antes do Apocalipse, os outros escritores do Novo Testamento falam dessa cidade como algo conhecido. Jesus fala da casa do Pai com muitas moradas, preparada para os seus (João 14). Paulo a chama pelo nome:

Olha o que Paulo faz: a Jerusalém do alto não é só destino futuro, é mãe agora. Quem crê já pertence a ela. Hebreus fecha o raciocínio começado com Abraão:

Em vez disso, esperavam uma pátria melhor, isto é, a pátria celestial. Por essa razão, Deus não se envergonha de ser chamado o Deus deles, pois lhes preparou uma cidade.(इब्री 11:16, NVI)

E segura as duas pontas ao mesmo tempo: os cristãos já chegaram à Jerusalém celestial (Hebreus 12) e ainda buscam a cidade que há de vir (Hebreus 13). Já e ainda não. É nesse intervalo que o cristão vive — e é por isso que Jesus promete à igreja pequena e pressionada de Filadélfia escrever nela o nome da nova Jerusalém (Apocalipse 3): o endereço final, dado a quem ainda está no caminho.

Por que uma Jerusalém sem templo

A partir de Apocalipse 21:9-14, um anjo leva João a um monte e mostra a cidade de perto: muro alto, doze portas com os nomes das tribos — três por lado, o desenho de Ezequiel 48 — e doze fundamentos com os nomes dos apóstolos. Israel nas portas, igreja nos alicerces: um só povo na mesma estrutura.

Anjo de asas abertas e um homem idoso num penhasco apontam para uma cidade murada no deserto.

Aí vem a medida (Apocalipse 21:15-17): comprimento, largura e altura iguais, doze mil estádios, cerca de 2.200 km. Um cubo. Só existe outro cubo na Bíblia: o Santo dos Santos, o cômodo mais interno do templo (1 Reis 6), onde um homem entrava uma vez por ano. Agora o cômodo tem o tamanho de uma cidade e todo o povo mora dentro. Os doze alicerces de pedras preciosas (Apocalipse 21:18-21) lembram o peitoral do sumo sacerdote em Êxodo 28: o que ele carregava no peito para entrar na presença de Deus virou o chão em que todos pisam.

Por isso a frase mais surpreendente do capítulo:

Não vi templo algum na cidade, pois o Senhor Deus, o Todo-poderoso, e o Cordeiro são o seu templo. A cidade não precisa de sol nem de lua que brilhem sobre ela, pois a glória de Deus a ilumina, e o Cordeiro é a sua lâmpada.(प्रगटीकरण 21:22,23, NVI)

Para um judeu do primeiro século, Jerusalém sem templo era impensável — o templo era a razão da cidade. João explica: templo é o lugar aonde se vai para encontrar Deus; numa cidade em que Deus está em toda parte, não há lugar especial para ir. Nem sol nem lua, porque a glória de Deus ilumina e o Cordeiro é a lâmpada — Isaías já tinha dito quase isso (Isaías 60); João acrescenta o Cordeiro.

A lista das ausências segue: não há mar (Apocalipse 21:1), de onde no Apocalipse saía a besta; não há noite, e as portas nunca fecham (Apocalipse 21:25-27); não há maldição, e a árvore da vida de Gênesis 3 está no meio da rua (Apocalipse 22). Mas nada impuro entra: a cidade é aberta, não indiscriminada. É o contrário exato de Babilônia, apresentada pelo mesmo anjo, com as mesmas palavras, em Apocalipse 17: lá o ouro é mercadoria; aqui é pavimento.

Lugar, povo ou os dois?

O texto puxa para dois lados. Tem medidas, ruas, rio — linguagem de lugar. E é apresentado "como uma noiva" (21:2), sendo que a noiva do Cordeiro, em 19:7-8, é o povo de Deus. Daí três leituras legítimas entre cristãos: uma cidade literal, com essas medidas (forte no dispensacionalismo); uma imagem do povo de Deus glorificado (com raízes em Agostinho e presente em igrejas reformadas); ou um lugar real descrito em linguagem simbólica.

Este texto segue a terceira, pela leitura histórico-gramatical: João usa Ezequiel, Isaías e Êxodo como vocabulário, e esses textos nunca separavam o lugar da presença — "o Senhor está ali" é nome de cidade e afirmação sobre quem mora nela. Quem lê de outro modo não está fora da fé; as três concordam que Deus vai morar com o seu povo numa criação renovada, não numa nuvem.

O que isso muda na sua semana

Se a cidade final não tem templo, a presença de Deus não está presa a um prédio — e quem já é da Jerusalém do alto não precisa esperar domingo para estar perto dele. Se o ouro ali é chão, o que Babilônia vende como valor supremo não é. Se as portas abrem para os quatro lados, o povo de Deus é maior que a sua igreja.

Da próxima vez que a vida apertar, leia o versículo 3 antes do 4: a lágrima será enxugada porque Deus estará ali — e ele já armou a tenda no meio do acampamento.

A Nova Jerusalém é o céu?

Não exatamente. Em Apocalipse 21, a cidade desce do céu para a terra renovada; o destino final do povo de Deus não é subir, mas viver com Deus numa criação feita nova (Apocalipse 21:1-3). O "céu" e a terra se encontram quando a cidade desce — por isso o texto diz que o tabernáculo de Deus passa a estar com os seres humanos.

Onde ler sobre a Nova Jerusalém na Bíblia online?

A descrição está em Apocalipse 21 e 22, disponíveis aqui em NVI, NAA e ACF. Não confunda com a Bíblia de Jerusalém, uma tradução católica cujo nome vem da Escola Bíblica de Jerusalém, na cidade atual — não da cidade de Apocalipse 21.

Qual é o tamanho da Nova Jerusalém?

Apocalipse 21:16 dá doze mil estádios de comprimento, largura e altura — cerca de 2.200 km em cada direção, um cubo. Os intérpretes divergem se a medida é literal ou se o cubo diz que a cidade inteira é o Santo dos Santos, o único outro cubo da Bíblia (1 Reis 6:20).

Quem vai entrar na Nova Jerusalém?

Apocalipse 21:27 diz que só entram os que têm o nome escrito no livro da vida do Cordeiro. Apocalipse 22:14 fala dos que lavam as suas vestes — no Apocalipse, imagem de quem foi purificado pelo sangue de Cristo (Apocalipse 7:14). A entrada não é por mérito, mas por pertencer ao Cordeiro.

Por que doze portas e doze fundamentos?

Porque doze, no Apocalipse, é o número do povo de Deus. As portas trazem os nomes das doze tribos e os fundamentos, os dos doze apóstolos (Apocalipse 21:12-14); o desenho de três portas por lado vem de Ezequiel 48:30-34. A mensagem é que o povo de Deus do Antigo e do Novo Testamento forma uma só cidade.

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