O que aconteceu na Sexta-feira Santa: cronologia
O que aconteceu na Sexta-feira Santa
Na Sexta-feira Santa, Jesus foi condenado à morte, torturado pelos soldados romanos, crucificado no Gólgota e sepultado antes do pôr do sol. Os evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João relatam que toda essa sequência ocorreu em cerca de doze horas, desde o interrogatório na madrugada até o túmulo fechado no fim da tarde.
O julgamento diante do Sinédrio e a condenação por Pilatos
Os acontecimentos da Sexta-feira Santa tiveram início logo após a prisão de Jesus no Getsêmani. Durante a madrugada, os líderes religiosos reunidos no Sinédrio o interrogaram e o acusaram de blasfêmia por declarar que era o Messias e o Filho de Deus. Como o conselho judaico não tinha autonomia jurídica para executar a pena de morte sob a ocupação romana, eles levaram Jesus ao governador da Judeia, Pôncio Pilatos.
No tribunal romano, a acusação religiosa virou acusação política: os líderes afirmaram que Jesus desafiava a autoridade de César ao se declarar rei. Embora Pilatos não tenha encontrado crime digno de morte, ele cedeu à pressão da multidão e dos chefes dos sacerdotes para evitar um tumulto na cidade, entregando Jesus para ser executado na cruz.
A flagelação romana e a zombaria dos soldados
Antes de ser levado à morte, Jesus passou pela flagelação romana. Esse castigo era aplicado com o flagrum, um chicote com tiras de couro reforçadas com pontas de osso ou metal, projetado para cortar a pele profundamente, provocar grande perda de sangue e debilitar o prisioneiro antes da cruz.
Em seguida, os soldados romanos levaram Jesus para o pátio e o ridicularizaram. Vestiram-no com um manto, colocaram uma coroa de espinhos em sua cabeça e se ajoelharam diante dele em tom de zombaria, chamando-o de “rei dos judeus”.
O caminho até o Gólgota e Simão de Cirene
Após as agressões, os soldados conduziram Jesus para o local de execução, situado fora dos muros de Jerusalém. O lugar chamava-se Gólgota, termo aramaico que significa “lugar da caveira”.
Pelo costume romano, o condenado devia carregar a trave de madeira da própria cruz pelas ruas como advertência pública. Devido à fraqueza extrema provocada pelos açoites, Jesus não suportou o peso do trajeto, e os soldados forçaram um homem chamado Simão de Cirene a levar a cruz até o topo da colina.
A crucificação entre dois criminosos
Ao chegar ao Gólgota, Jesus teve as mãos e os pés perfurados e foi pregado na cruz. A crucificação era o método mais humilhante do Império Romano, reservado a traidores, escravos e rebeldes políticos. A morte ocorria de forma lenta, provocada por asfixia progressiva, desidratação e esgotamento físico.
Jesus foi crucificado no meio de dois criminosos. Acima de sua cabeça, Pilatos determinou que fosse afixada a inscrição com o motivo oficial da condenação: “Jesus Nazareno, o Rei dos Judeus”.
As horas na cruz e a morte de Jesus
Jesus permaneceu na cruz durante a maior parte do dia. Ao redor, líderes religiosos e transeuntes zombavam dele pedindo que descesse da cruz caso fosse o Messias. Ao mesmo tempo, um dos homens crucificados ao seu lado reconheceu sua inocência e pediu para ser lembrado em seu reino, enquanto discípulos e mulheres que o seguiam observavam à distância.
Durante as últimas horas da tarde, uma escuridão cobriu a terra. Pouco antes de expirar, Jesus entregou seu espírito e morreu. Nesse exato momento, o véu do templo em Jerusalém se rasgou de alto a baixo, marcando a abertura do acesso a Deus por meio do sacrifício de Cristo.
O sepultamento por José de Arimateia
A morte de Jesus ocorreu pouco antes do início do sábado judaico, momento em que todo trabalho deveria cessar. Por isso, José de Arimateia, membro respeitado do conselho que não havia aprovado a condenação, apresentou-se com coragem diante de Pilatos e pediu o corpo de Jesus para sepultamento.
Com a autorização do governador, José de Arimateia retirou o corpo da cruz, envolveu-o em tecido de linho limpo e o depositou em um túmulo novo, cavado na rocha. Uma grande pedra foi rolada para fechar a entrada do sepulcro, encerrando os eventos da Sexta-feira Santa.
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