Oração contra o medo da escassez e da crise
Quando a crise aperta, o medo de que falte costuma chegar antes da falta. Esta oração é para esse medo — e se apoia numa frase que Jesus disse a gente pobre, que também fazia contas: o Pai sabe do que você precisa.
Antes de rezar, pare um instante. Pouse as mãos abertas no colo, respire fundo três vezes e leia devagar o versículo que a oração vai repetir por dentro:
Olhai para as aves do céu, que não semeiam, nem segam, nem ajuntam em celeiros; e vosso Pai celestial as alimenta. Não tendes vós muito mais valor do que elas?(Mateus 6:26)
Oração contra o medo da escassez e da crise
Pai, tenho medo que falte. A crise aperta lá fora e a escassez já começou aqui dentro: refaço as contas à noite e elas não fecham.
Tu sabes do que eu preciso antes que eu peça. Alimentas as aves que não semeiam nem colhem; alimenta também esta casa. Dá-me o pão de hoje e tira dos meus ombros o de amanhã, que ainda não chegou.
Acalma esta conta que não para na minha cabeça. Onde só vejo falta, mostra-me o que ainda há.
O que não consigo garantir, deixo contigo. Amém.
A oração ecoa as palavras de Jesus em Mateus 6:25-34.
Um minuto de silêncio depois do amém
Não se levante ainda. Fique um minuto onde está, com as mãos do jeito que ficaram.
Que conta você refaz todas as noites, mesmo sabendo o resultado?
Em que lugar do corpo o medo da falta mora — na garganta, nos ombros, no estômago? Observe, sem corrigir. Só observe.
Jesus disse "olhai para as aves". Olhar é um verbo devagar. Ninguém olha com pressa.
Para quem Jesus disse "não andeis ansiosos"
Quem ouvia Jesus naquela encosta da Galileia não era gente rica preocupada com conforto. Eram lavradores, pescadores, diaristas que ganhavam o pão de um dia por vez. A pergunta "o que vamos comer?" não era figura de linguagem; era a pergunta da noite.
É a essas pessoas que ele repete três vezes "não andeis ansiosos" (Mateus 6:25, 31 e 34). Não soa como bronca. Soa como a voz de quem conhece o medo pelo nome e, mesmo assim, aponta para o céu e para o campo — aves que não têm celeiro, flores que não fiam.
Repare no que ele não diz. Ele não diz que você não precisa de nada. Diz o contrário: "vosso Pai celestial bem sabe que necessitais de todas essas coisas" (Mateus 6:32). A necessidade é real e é vista. O que muda é quem a carrega.
E então a medida: "basta a cada dia o seu mal" (Mateus 6:34). O dia de hoje tem o peso de hoje. O de amanhã ainda não foi entregue a ninguém.
O que esta oração não promete
Ela não promete que a crise não chegue. Jesus também não prometeu isso. Paulo, que escreveu tanto sobre confiança, diz que aprendeu "tanto a ter fartura como a ter fome" (Filipenses 4:12) — a fome passou pela vida dele e a fé ficou. O Salmo 23 começa com "nada me faltará" e, poucas linhas depois, atravessa um vale escuro. As duas coisas estão no mesmo salmo.
Por isso a oração pede o pão de hoje, e não uma garantia sobre o ano inteiro. Pedir é diferente de exigir. Entregar é diferente de desistir.
Ela também não pede, ainda, para repartir. Isso costuma vir depois. Paulo diz em 2 Coríntios 9:8 que Deus dá "suficiência" antes de qualquer boa obra — a mão só se abre para o outro quando o coração confia que não vai ficar vazia. Esse é outro passo, para outro dia.
Por hoje, basta o de hoje. As aves do campo não sabem o que vem amanhã — e, ainda assim, hoje comeram.
Posso pedir a Deus dinheiro e coisas materiais?
Pode. O próprio Jesus ensinou a pedir "o pão nosso de cada dia" (Mateus 6:11), e pão é coisa concreta: comida, conta, aluguel. Pedir não é falta de fé; é o jeito de uma criança falar com o pai. O que a Bíblia não ensina é exigir ou tratar o pedido como ordem.
A Bíblia garante que nunca vai faltar nada a quem crê?
Não nesses termos. Paulo conheceu a fome (Filipenses 4:12), e o Salmo 23 passa pelo vale antes de chegar à mesa posta. O que a Bíblia promete é que a necessidade é vista e que o Pai cuida — não que a crise seja proibida de chegar.
O que fazer quando o medo da escassez volta no meio da noite?
Volte ao versículo, não à conta. Leia Mateus 6:26 devagar, mais de uma vez, e deixe a frase "vosso Pai as alimenta" ficar um pouco antes de pensar em qualquer coisa. Se precisar de uma oração mais curta, basta uma linha: "Pai, o pão de hoje." Depois, silêncio.
Esta oração serve para quem está desempregado ou endividado?
Serve, e fica melhor se você der nome ao que vive. Onde a oração diz "a crise aperta", diga a sua palavra: a demissão, a dívida, o boleto que vence. Deus não precisa da versão polida; precisa da verdadeira.
Este artigo te tocou? Faça uma oração!
+581 estão orando agora.
Junte-se à corrente de oração.