Oração pedindo a Deus por restauração da vida pelo Salmo 23
Oração pedindo a Deus por restauração da vida
Restaurar a vida, no Salmo 23, não é algo que a ovelha faz sozinha: o pastor a deita, leva-a até a água, e a alma que estava gasta volta ao lugar. A oração abaixo pede isso a Deus, com as palavras do próprio salmo. Antes de rezar, respire uma vez com calma.
Senhor, eu cheguei até aqui gasto. Durmo e acordo cansado, faço o que preciso e não sinto nada por dentro. Minha vida parece um campo pisado, sem verde nenhum.
Tu és o pastor. Faz comigo o que o pastor faz: deita-me onde há pasto, leva-me para a água que não corre apressada, refrigera a minha alma. Restaura o que eu deixei secar: a vontade de orar, a paciência com quem eu amo, o gosto pelas coisas simples.
Eu não sei por onde seguir. Guia-me tu, pelas veredas que são tuas, por amor do teu nome. O que eu não consigo carregar hoje, eu deixo aqui, contigo. Amém.
Se a oração inteira é demais para esta hora, fique só com uma linha dela. "Refrigera a minha alma" já é oração completa.
O que o salmo quer dizer com "restaurar a alma"
A frase do versículo 3 muda de uma tradução para outra, e cada uma ilumina um lado. A Almeida Corrigida Fiel diz "refrigera a minha alma"; a Nova Almeida Atualizada, "refrigera-me a alma"; a Nova Versão Internacional, "restaura-me o vigor". Refrigério é água em dia quente. Restauração é algo que voltou a ser o que era.
No hebraico, o verbo é o mesmo que se usa para "voltar", "fazer regressar". E a palavra traduzida por alma, nefesh, não é uma parte etérea da pessoa: é a vida inteira, o fôlego, aquilo que sente fome e cansaço. O salmo está dizendo, com outras palavras: ele traz a minha vida de volta.
De volta de onde? O salmo não explica, e talvez não precise. Quem chega a esta página sabe: de volta do lugar onde se vive só por obrigação, onde a oração virou tarefa, onde até o descanso cansa.
Repare na ordem em que o pastor age, nos dois versículos anteriores.
O Senhor é o meu pastor;
nada me faltará.
Ele me faz repousar
em pastos verdejantes.
Leva-me para junto das águas
de descanso;(Salmos 23:1,2, NAA)
Primeiro o pasto, depois a água, e só então a alma restaurada. A restauração, aqui, vem depois do repouso, não antes. É o contrário do que a gente costuma tentar: resolver a vida por dentro para então conseguir descansar.
A imagem é toda de passividade da ovelha. Ela não procura o pasto, não encontra a água, não se restaura. Ela é deitada, é levada, é restaurada. Para quem está exausto, isso é a melhor notícia do salmo: o verbo não está na sua mão.
Como orar quando não há forças nem palavras
Quem está esgotado costuma achar que não consegue orar porque não tem o que dizer. Mas a oração do salmo começa com uma afirmação de apenas cinco palavras — "O Senhor é o meu pastor" — e o resto é olhar para o que o pastor faz.
Experimente orar assim: escolha uma frase do Salmo 23 e repita-a devagar, acompanhando a respiração. Ao inspirar, "refrigera"; ao expirar, "a minha alma". Não é técnica para sentir algo. É um jeito de ficar diante de Deus quando não sobra energia para frases inteiras.
O silêncio também conta. A tradição contemplativa cristã, desde os monges antigos, sempre entendeu que ficar quieto diante de Deus é oração, não falta dela. Deus não precisa das suas palavras para saber o que há em você; as palavras servem a quem reza, não a quem escuta.
E se nem o silêncio vier, há o convite de Jesus, que não põe condição de estado de espírito.
— Venham a mim todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu darei descanso a vocês.(Mateus 11:28, NVI)
"Venham a mim" é dito aos cansados, não aos descansados. A única exigência é ir como está. Dizer "Deus, eu não consigo" já é ter ido.
Entreguei e continuo cansado. E agora?
Talvez você já tenha rezado esta oração, ou outra parecida, e acordado no dia seguinte igual. É comum, e não é sinal de que a oração falhou.
O salmo não promete que o vale desaparece depois do pasto verde. Pelo contrário: logo depois da alma restaurada, vem o lugar mais escuro do poema.
Ainda que eu ande
pelo vale da sombra da morte,
não temerei mal nenhum,
porque tu estás comigo;
o teu bordão e o teu cajado
me consolam.(Salmos 23:4, NAA)
O verbo é "andar". A ovelha atravessa o vale; o pastor não a leva por fora dele. O que muda não é a paisagem, é a companhia: "tu estás comigo". Isso não é consolo pequeno quando o cansaço é longo. Significa que a restauração pode estar acontecendo mesmo enquanto a sombra ainda não passou.
Também vale lembrar o que o pastor não faz: não apressa. Pasto se come devagar; água mansa se bebe devagar. Se a entrega de ontem não resolveu, ela não foi inútil. Foi um dia de pasto. Hoje é outro.
Uma pergunta para levar consigo: o que, concretamente, você está esperando que Deus restaure? A vontade de levantar? A fé que esfriou? A relação que se gastou? Nomear ajuda a oração a sair do genérico, e ajuda você a reconhecer quando algo pequeno voltar.
Quando o vazio persiste e falta rumo
A segunda metade do versículo 3 fala de direção: "guia-me pelas veredas da justiça". Vereda é caminho estreito, de quem anda a pé, não estrada larga que se vê de longe. Quem é guiado por vereda só enxerga o próximo passo.
Para quem está sem rumo, isso é mais honesto do que qualquer plano. A pergunta não precisa ser "o que faço da minha vida", mas "qual é o próximo passo certo". Às vezes é dormir cedo. Às vezes é pedir perdão a alguém. Às vezes é abrir a Bíblia num salmo e ler só ele, sem meta.
E repare no motivo do guiar: "por amor do seu nome". O pastor não conduz a ovelha porque ela mereceu ou porque rendeu bem. Conduz porque é pastor, e um pastor que perde ovelha mancha o próprio nome. A sua restauração está ancorada em quem Deus é, não em quanto você produziu.
Uma palavra de cuidado, porque o salmo também é realista sobre o vale: quando o esgotamento e o vazio se estendem por semanas, tirando sono, apetite e vontade de viver, isso pede conversa com um médico ou psicólogo, além da oração. Procurar ajuda não é desconfiar do pastor. Muitas vezes é por essa vereda que ele conduz.
Antes de fechar a página
Volte ao versículo 3 uma última vez, agora sem pressa: refrigera-me a alma, guia-me pelas veredas da justiça por amor do seu nome. Deixe a frase assentar. Se houver silêncio depois dela, não o preencha.
Senhor, hoje eu não dei conta. Refrigera a minha alma. O caminho eu deixo contigo. Amém.
(Salmo 23:3)
Este artigo te tocou? Faça uma oração!
+581 estão orando agora.
Junte-se à corrente de oração.