Oração por dons, superação do medo e recursos
Antes de orar
Pare um instante. Respire fundo, e solte a pressa de ter tudo sob controle.
Na parábola dos talentos, o servo que ouviu o elogio do seu senhor não foi o que fez mais — foi o que não escondeu o que recebeu. "Foste fiel no pouco", diz o senhor da história, e abre a porta: "entra na alegria do teu senhor". É esse o eco desta oração: os dons, o medo, o pouco que temos nas mãos, e a confiança de que tudo isso cabe diante de Deus.
E o seu senhor lhe disse: Bem está, servo bom e fiel. Sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor.(Mateus 25:21)
Senhor, o que tenho nas mãos veio de ti: os dons, o tempo, o pouco que sobra no fim do mês. Tu sabes do medo que me faz recuar — o medo de errar, de ser pouco, de enterrar o que me deste e chamar isso de prudência. Não me deixes esconder. Dá-me coragem para pôr em uso o dom que tenho guardado, e paz para cuidar do dinheiro sem que ele me governe. Ensina-me a ser fiel no pouco que hoje é meu, e a confiar que o resto está contigo. O que não consigo, eu entrego. Amém.
O servo que escondeu o talento
A história está em Mateus 25, versículos 14 a 30. Um homem vai viajar e deixa seus bens com três servos: cinco talentos para um, dois para outro, um para o terceiro. Talento, ali, não é habilidade — é dinheiro, uma soma grande. Os dois primeiros põem o que receberam em movimento. O terceiro cava um buraco e enterra.
Quando o senhor volta, o terceiro servo explica. Não diz que foi preguiçoso, nem que não sabia o que fazer. Diz: "tive medo" — e por medo escondeu o que era do outro (Mateus 25:24-25).
Vale notar o que a parábola não faz. Ela não repreende o servo por ter arriscado e perdido; ninguém na história perde nada. Ela repreende o que foi guardado para não correr risco. O medo, aqui, não é o problema em si — é o que o medo faz com as mãos.
Uma leitura antiga da igreja, que atravessa os séculos, vê nesses talentos tudo o que Deus confia a uma pessoa: dons, tempo, bens, oportunidades. Por isso esta oração pede as três coisas de uma vez — pelos dons que ficaram guardados, pelo medo que os guardou, pelos recursos que precisam ser cuidados sem angústia. São o mesmo pedido, visto de ângulos diferentes.
Para acolher no silêncio
Depois da oração, fique um pouco sem palavras.
O que você tem deixado enterrado por receio de errar?
O que muda quando o cuidado com o que você tem — pouco ou muito — deixa de ser cobrança e volta a ser cuidado?
Respire devagar. Permaneça em escuta.
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