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Oração contra a calúnia: entregue a defesa ao Senhor

Por Bíblia Online  - 
Mulher de óculos e cardigã azul reza com as mãos juntas sobre uma Bíblia aberta, em uma igreja.

Quando alguém espalha sobre você o que não é verdade, a resposta que a Bíblia oferece não é um argumento melhor. É entregar a causa ao Senhor e esperar que ele a traga à luz. O Salmo 37:5-6 diz isso em duas linhas, e a oração abaixo as repete como palavra sua.

Antes de rezar, respire devagar. Uma vez, duas. Deixe o impulso de responder passar por você sem segurá-lo.

Oração contra a calúnia

Senhor, disseram de mim o que não é verdade, e a mentira anda mais depressa do que eu. Tu viste. Tu conheces o caminho que eu andei e o que eu não fiz. Eu queria responder a cada palavra, provar, corrigir. Mas o cansaço de me explicar já pesa mais do que a vontade. Guarda a minha boca, para que eu não devolva o mal com o mal. Tira do meu peito o rancor que quer ficar. Entrego a ti o meu caminho, o meu nome e esta causa que não cabe nas minhas mãos. Faz a verdade aparecer como a luz do meio-dia, no teu tempo, não no meu. Até lá, ensina-me a esperar em silêncio. Amém.

(Salmo 37:5-6)

O salmo que a oração repete

Entrega o teu caminho ao Senhor; confia nele, e ele tudo fará. E ele fará sobressair a tua justiça como a luz; e o teu juízo, como o meio-dia.(Salmos 37:5,6)

O Salmo 37 é a oração de quem vê o injusto prosperar e o inocente ficar mal falado. Davi não finge que isso não incomoda. Ele pede, logo no começo, que a pessoa não se indigne com quem faz o mal — e repete o pedido no versículo 7: descansa no Senhor, espera nele, não te irrites por causa de quem executa planos astutos. Quem quiser ler o salmo inteiro encontra tudo isso no Salmo 37.

A palavra que a oração toma emprestada é "entrega". No hebraico, a imagem é a de rolar um peso para fora dos ombros e colocá-lo em cima de outro. O texto não diz que o peso deixa de existir. Diz que ele muda de dono.

E depois vem a luz. O salmo promete que Deus fará a justiça da pessoa "sobressair como a luz", como o meio-dia — a hora em que nenhuma sombra se esconde. É a verdade aparecendo por si, sem que ninguém precise forçá-la. O salmo não dá data. Só diz quem fará.

Entregar não é fingir que não doeu

A objeção óbvia aparece logo: se eu ficar em silêncio, a mentira não vence? Quem já passou por isso sabe o medo de que o silêncio pareça confissão.

o qual, quando o injuriavam, não injuriava e, quando padecia, não ameaçava, mas entregava-se àquele que julga justamente,(1 Pedro 2:23)

Pedro descreve Jesus diante dos que o acusavam falsamente: ele não devolvia a injúria, não ameaçava, e "entregava-se àquele que julga justamente". Não é um Jesus que não sentiu. É um Jesus que escolheu a quem entregar o julgamento. Ele mesmo havia dito que são bem-aventurados os que ouvem mentiras ditas contra si por causa dele (Mateus 5:11) — ou seja, ser caluniado não é sinal de que Deus se afastou.

Entregar, então, não é negar a dor nem jurar que nunca mais vai dizer a verdade. É soltar a necessidade de controlar o resultado. A diferença é fina, mas se sente: uma coisa é esclarecer um fato quando for preciso; outra é passar as noites ensaiando defesas para um tribunal que só existe dentro de você.

O que muda quando a defesa não é mais sua

Pouca coisa muda do lado de fora, pelo menos a princípio. As palavras já ditas continuam por aí. O que muda é onde você mora enquanto espera.

Deus vê o que foi feito em segredo e conhece a integridade dos seus passos. A verdade sobre você não depende de quem bate palmas nem de quem vaia. Ela existe diante dele, inteira, antes de qualquer um concordar.

Então vale perguntar, sem pressa: onde você ainda gasta força tentando provar quem você é? Para quem, exatamente, essa prova seria dirigida? E o que sobraria do seu dia se essa causa fosse, de verdade, do Senhor?

Talvez a resposta não venha hoje. O salmo também não pede que venha. Ele pede uma coisa só: entrega o teu caminho, confia, e espera a luz do meio-dia. Se der, volte ao Salmo 37 e leia os versículos 5 e 6 mais uma vez, devagar — e depois fique um instante em silêncio, deixando que a palavra "entrega" termine o que você começou.

A Bíblia proíbe que eu me defenda de uma calúnia?

Não. Paulo apresentou sua defesa diante do governador Félix (Atos 24:10) e Jesus, em outros momentos, respondeu aos que o acusavam. Entregar a causa ao Senhor não é voto de silêncio absoluto; é deixar de carregar sozinho o resultado. A pergunta útil é se a resposta que você quer dar esclarece um fato ou apenas alimenta a disputa.

Devo orar por quem me caluniou?

Jesus pede que oremos pelos que nos perseguem e nos maltratam (Mateus 5:44). Essa oração não precisa ser longa nem bonita — pode ser só pedir que Deus cuide daquela pessoa e do que ela ainda não vê. Orar pelo outro é, muitas vezes, o primeiro passo para o rancor sair do peito.

E se a verdade nunca aparecer?

O Salmo 37 promete que Deus fará a justiça da pessoa sobressair como a luz, mas não diz quando nem de que forma. Há casos em que o esclarecimento vem rápido, e outros em que só Deus conhece a história inteira. A entrega do salmo vale para os dois: confiar que o Senhor viu, mesmo quando as pessoas não viram.

Como lido com a raiva enquanto espero?

O próprio salmo reconhece a raiva e pede que ela não se instale: "não te indignes por causa do que prospera em seu caminho" (Salmo 37:7). Reconhecer a indignação diante de Deus, em voz alta, costuma ser mais honesto do que fingir que ela não existe. O silêncio depois disso não é repressão — é descanso.

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