Por que o túmulo de Jesus foi guardado? Entenda o motivo
O motivo bíblico para a guarda do sepulcro
O túmulo de Jesus foi guardado para evitar que os discípulos roubassem o corpo e dissessem ao povo que ele havia ressuscitado. Os principais sacerdotes e os fariseus lembravam-se de que Jesus havia prometido ressuscitar ao terceiro dia e foram até o governador romano Pôncio Pilatos para exigir segurança no local.
O relato de Mateus registra a conversa das autoridades judaicas com Pilatos:
"Senhor, recordamo-nos de que aquele enganador, enquanto vivia, prometeu: ‘Passados três dias ressuscitarei’.
Manda, portanto, que o sepulcro dele seja guardado até o terceiro dia, para que não venham seus discípulos e, raptando o corpo, proclamem ao povo que ele ressuscitou dentre os mortos. E esta derradeira fraude cause mais dano do que a primeira".(Mateus 27:63,64)
Pilatos atendeu ao pedido e autorizou que soldados fizessem a vigília. O sepulcro, portanto, não foi isolado por honra ao sepultado, mas por medo político e religioso do impacto que a promessa de ressurreição provocaria em Jerusalém.
O selo romano na pedra
Além de posicionar sentinelas, as autoridades lacraram a entrada da sepultura. O texto bíblico registra que eles foram e seguraram o sepulcro com a guarda, selando a pedra, como lemos em Mateus 27:66.
Na prática do Império Romano, selar uma pedra consistia em esticar uma corda através da rocha que fechava a entrada e prendê-la em ambas as extremidades com cera ou argila úmida, onde era impresso o anel oficial de autoridade. Esse selo indicava propriedade e fiscalização governamental. Romper um selo imperial sem autorização constituía crime de traição contra Roma, punido com severidade e frequência de morte. O túmulo, portanto, estava duplamente protegido: pela espada dos soldados e pelo peso da lei romana.
Quem eram os soldados de guarda?
Há duas possibilidades históricas comuns entre intérpretes: membros da guarda do templo de Jerusalém ou legionários romanos designados sob as ordens de Pilatos. A frase de Pilatos aos sacerdotes — "tendes uma guarda; ide e segurai-o como souberdes" — e o fato de os soldados prestarem contas a Pilatos indicam com forte probabilidade que se tratava de uma custódia militar romana, habituada à disciplina sob pena de morte por abandono de posto.
No domingo da ressurreição, diante dos eventos sobrenaturais no sepulcro, esses guardas ficaram paralisados de pavor, conforme relata Mateus 28:2-4.
O suborno e a farsa do roubo do corpo
Ao perceberem que o corpo de Jesus não estava mais no sepulcro, os soldados não procuraram os discípulos: foram aos principais sacerdotes na cidade para relatar o acontecido.
Os líderes religiosos reuniram o conselho e decidiram pagar uma grande quantia em dinheiro aos soldados para que mentissem sobre o desaparecimento do corpo, ordenando que dissessem a frase registrada em Mateus 28:13: "Os discípulos dele vieram de noite e o furtaram enquanto dormíamos". Os sacerdotes ainda prometeram intervir diante do governador caso a história do abandono de posto chegasse aos ouvidos de Pilatos.
Essa versão forjada circulou amplamente durante o primeiro século entre os críticos do cristianismo nascente.
O efeito histórico da guarda no relato da ressurreição
A precaução das autoridades produziu o efeito contrário ao que planejavam. Ao colocarem sentinelas armadas, imporem um selo imperial e documentarem publicamente a preocupação com o corpo, os próprios opositores de Jesus eliminaram a hipótese prática de um furto noturno realizado por um grupo de pescadores desarmados e assustados.
A guarda e o selo, documentados em Mateus, tornaram-se testemunhas involuntárias do próprio túmulo vazio. Para ler todos os detalhes desse episódio no Evangelho de Mateus, acompanhe o relato completo a partir de Mateus 27:62.
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