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Simão Cirineu: quem foi e por que carregou a cruz

Homem grisalho de barba carrega uma pesada trave de madeira, com soldados romanos atrás.

Quem foi Simão de Cirene

Simão de Cirene foi o peregrino judeu que os soldados romanos obrigaram a carregar a cruz de Jesus a caminho do Gólgota. Ele vinha do norte da África para celebrar a Páscoa em Jerusalém quando cruzou com o cortejo da execução.

O episódio é registrado em Mateus 27:32, Lucas 23:26 e no evangelho de Marcos:

Lumuii hà ithek è Simon beng pha bran shii si, ai yi soh è rajan hà wuiiramuii shii, siphahithek è aishii de Isu ro bai nuang pha bangchiie rek phro. (Simon ne Syrene pha bran ro, chiih-è ai ne Alezandar chiih-è Rufus ro Aphuii ro).(Marg 15:21)

A menção ao seu nome próprio e à sua família indica que Simão se tornou uma figura conhecida entre os primeiros cristãos.

De onde vinha Simão

Simão era natural de Cirene, cidade de colonização grega no norte da África, situada no território da atual Líbia. A região concentrava uma comunidade numerosa da diáspora judaica.

Como judeu devoto, Simão viajou centenas de quilômetros até a Judeia para cumprir o preceito da Páscoa. Essa presença de peregrinos cireneus em Jerusalém durante as festas religiosas do calendário bíblico também é registrada em Atos 2:10.

Por que os soldados o obrigaram a carregar a cruz

O costume romano previa que o próprio condenado carregasse o madeiro transversal da cruz (patibulum) até o local da morte. Jesus, porém, já havia passado pelo açoite romano — uma punição com chicotes de tiras de couro e pedaços de osso ou chumbo, que provocava hemorragias intensas e colapso físico.

Debilitado pela perda de sangue, Jesus não conseguia mais sustentar o peso da viga.

Siphahithek è Isu shii noh ramuii shii, Simon beng pha Khyren soh pha rajan è wuii ramuii shii ithek è aishii si. Ithek è zum srane aishii de bai ji han yi ne Isu iidoh shii lua ba yi.(Lug 23:26)

A lei imperial dava aos soldados autoridade para requisitar qualquer civil para prestar serviços imediatos de transporte. Ao verem Simão entrando na cidade vindo do campo, os guardas o forçaram a assumir o instrumento de suplício até o alto da colina.

Os filhos de Simão e a ligação com a igreja primitiva

O evangelho de Marcos registra um detalhe que não aparece nos outros relatos: Simão é identificado como o pai de Alexandre e Rufo.

Lumuii hà ithek è Simon beng pha bran shii si, ai yi soh è rajan hà wuiiramuii shii, siphahithek è aishii de Isu ro bai nuang pha bangchiie rek phro. (Simon ne Syrene pha bran ro, chiih-è ai ne Alezandar chiih-è Rufus ro Aphuii ro).(Marg 15:21)

Na literatura do primeiro século, nomes de parentes só eram citados quando já gozavam de reconhecimento público entre os leitores da obra. Como Marcos escreveu primariamente para a comunidade cristã de Roma, é provável que os filhos de Simão fizessem parte daquela congregação.

Essa relação ganha respaldo quando o apóstolo Paulo envia saudações à mesma cidade:

Gune Rufus shii de hanyie shii wie è Ithong ro blia rek pha, chiih-è hanyie è gu shii awai dufuii duiine rek muii pha ai amuii shii de salamthek ro.(Romanthek 16:13)

O encontro forçado no caminho do Calvário transformou o destino daquela família, que passou a integrar os alicerces da igreja apostólica.

O significado de carregar a cruz atrás de Jesus

A cena histórica de Simão caminhando atrás de Cristo com o madeiro aos ombros ilustra de modo visível as palavras que Jesus havia ensinado aos discípulos:

Chiih-è ai zabithek shii yao, hanyie de gu rog shii wuii pha now arone, ai ne awai shii bia chid phro, chiih-è zab pha inai shii awairo bai ji han srane gu rog shii luagieng bo.(Lug 9:23)

Enquanto os seguidores mais próximos fugiram com medo da prisão, coube a um estrangeiro anônimo dividir o peso da condenação até o Gólgota. O que começou como uma coerção humilhante do Império Romano tornou-se o testemunho concreto do discipulado: tomar a cruz e seguir após os passos de Jesus.

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