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Quem é o Salvador segundo a Bíblia e sua obra

Redação Bíblia Online Publicado em

Jesus é o Salvador — e o nome dele já diz isso

Homem em pé aponta para uma frase na parede enquanto quatro pessoas leem à mesa.

Segundo a Bíblia, o Salvador é Jesus Cristo: aquele que tira o ser humano da condenação do pecado e o devolve a Deus, por meio da própria morte e ressurreição. "Salvador" não é um elogio nem um título honorífico. É a descrição de uma função: salvador é quem resgata alguém de um perigo do qual a pessoa não sairia sozinha.

Olha como isso aparece no anúncio aos pastores, na noite do nascimento:

Nde na mbarara, ntige kha maan Devit ŋgu bisaneŋ Betreheman, taagi nde ndiv nden kurkurarga guma, ana niamuuŋ ana ruagi. Ana Fhe Bakɨme taagiv kha nuianan ki gumgi gu mbigi ndir zav suaŋgiap farasarav sarigi guma ma, ana Guma Bakɨme ma.

Em uma frase o anjo junta três palavras que a Bíblia inteira vinha preparando. Salvador (em grego, sōtēr) é quem livra. Cristo é a forma grega de "Messias", o rei ungido prometido a Davi. Senhor (Kyrios) é a palavra que a tradução grega do Antigo Testamento usava para o nome de Deus. Quem nasceu em Belém é libertador, é rei e é Deus — tudo na mesma pessoa. E vale notar onde: no mundo romano, "salvador" era título que se dava a imperadores, mas o anjo não o anuncia em Roma, e sim na "cidade de Davi", uma aldeia pequena, para pastores. Lucas sabe o que está fazendo.

E tem mais: o nome "Jesus" é a forma grega do hebraico Yeshua, "o Senhor salva". Quando o anjo diz a José que o menino se chamará Jesus porque salvará o seu povo dos pecados, está dizendo que o nome é o programa de vida.

Agora, há um problema aqui — e ele é proposital. Séculos antes, Deus tinha dito ao povo de Israel:

«Não há Salvador senão eu» (Oseias 13.4, ACF). Oseias profetizava no reino do norte, num tempo em que Israel misturava a adoração ao Senhor com os ídolos de Baal. Deus lembra o povo do Egito: foi ele, e não um deus de pedra, que os tirou da escravidão. Isaías diz a mesma coisa: fora do Senhor não há salvador.

Então, quando o Novo Testamento chama um homem de Salvador, só há duas saídas: ou está contradizendo Oseias, ou está dizendo que aquele homem é o próprio Senhor que falou em Oseias. A Bíblia escolhe a segunda. É por isso que "Salvador" e "Senhor" aparecem juntos na frase do anjo. Dizer que Jesus salva é dizer que Jesus é Deus.

Este artigo faz parte de Versículos por Tema Vida e Salvação

De que o ser humano precisa ser salvo

Ninguém procura um salvador se não acha que está em perigo. Por isso a pergunta "quem é o Salvador" vem sempre colada em outra: salvo de quê?

Paulo responde em Romanos, depois de passar dois capítulos mostrando que tanto o judeu religioso quanto o grego sem lei estão na mesma situação:

Nza kha nuianan ki gumgi gu mbigi, nza za tɨvi mbatɨgi ga muuŋgi. Nza Fhe Bakɨme muungen nza vuzvugi tɨvir vhuuiŋ vhɨrve nza za ntan muuŋgirga tuktɨgi fhuvara. Fhe Bakɨme fhura nza kora muuŋgiap, ana Krais Zisas muuŋgi ŋaarar panan, ana taagi nza vhezgiap, nza ndigap, kha zɨn nzan kaai, nza tɨvir vhuuiaŋ mbui gumgi gu mbigi ma. Nza nduarira ŋaara vhuuŋ the muuŋgi ne nzuav, ana tɨvir vhuuiaŋ mbui gumgi gu mbigir nzan kaai fhuvara. Zakɨra fhuvara! Fhe Bakɨme fhura Krais Zisasan ŋaara panan mba zɨn nza nɨɨŋgi.(Rom 3:23,24)

Repare na ordem das palavras. Primeiro o diagnóstico: todos pecaram e «carecem da glória de Deus» (Romanos 3.23, NAA). "Pecar" aqui não é só fazer coisa feia; é errar o alvo para o qual fomos criados — refletir a glória de Deus. Depois vem o remédio: ser "justificado gratuitamente".

"Justificar" é palavra de tribunal: ser declarado inocente diante do juiz. "Gratuitamente" (dōrean) quer dizer de presente, sem pagamento de quem recebe. E a base disso é a "redenção que há em Cristo Jesus" — palavra do mercado de escravos, que a gente vai ver daqui a pouco.

Juntando as peças, a Bíblia descreve três coisas de que o Salvador nos livra. Da culpa do pecado, que nos coloca em dívida com Deus. Do poder do pecado, que nos escraviza a um jeito de viver que não conseguimos abandonar. E da ira de Deus, que é a resposta justa dele ao mal — Paulo diz logo adiante que seremos salvos da ira por meio de Jesus. A consequência disso tudo é a morte, e dela também o Salvador livra, como a ressurreição vai mostrar. O problema, portanto, é uma dívida que ninguém paga com o próprio esforço. Daí a necessidade de alguém de fora.

O Salvador precisou se tornar um de nós

Se só Deus salva, mas a dívida é humana e precisa ser paga por um humano, a solução da Bíblia é que Deus se torne homem. Paulo descreve esse caminho num trecho que muitos estudiosos acham que era um hino cantado nas primeiras igrejas:

Ana Fhe Bakɨ guar ma. Ana ne ndɨkndɨgap, ana Fhe Bakɨ guar ki tɨva muuŋgiap ki fhuvara. Zakɨra fhuvara! Ana wo vuzvugara mba tɨva thav, ana fhura ŋaara guma khɨn ki. Ana guma guara fara muuŋgiap ki. Kha gumgi ana garim, ana guma guara gegap ki. Ana kav, ana guigira wo mbevav, ana Fhe Bakɨme nzuai buni zɨn vov kav, ana vhɨra Fhe Bakɨme vuzvuga zɨn vov, rimgi. Ahaŋ, ana mbara muuŋgiap, ana vuzvuga zɨn vov, kav, mbe ana ndim, khanarareŋ ga ntorgim, ana rimgi.(Firipai 2:6-8)

O texto desce em degraus. Ele era "em forma de Deus" — não parecia Deus, era Deus. Mas não tratou essa igualdade como vantagem a ser explorada: tinha o direito, e escolheu não usá-lo para si. «Esvaziou a si mesmo» (Filipenses 2.7, NVI): não deixou de ser Deus, mas abriu mão da glória e do privilégio. Tomou "forma de servo". Tornou-se homem. Humilhou-se. Foi obediente até a morte. E não qualquer morte: «morte de cruz» (Filipenses 2.8, NVI), a execução reservada a escravos e rebeldes, a mais vergonhosa que o mundo romano conhecia.

Por que isso importa para quem está lendo? Porque o Salvador bíblico não resgata de longe, assinando um perdão lá de cima. Ele entra na condição humana, sente fome, cansaço, abandono, e morre. Hebreus vai dizer que é por isso que ele pode socorrer: porque passou pelo que nós passamos.

A cruz como preço de resgate

A primeira palavra que a Bíblia usa para explicar o que a morte de Jesus fez é redenção — em grego, apolytrōsis, da raiz lytron, o valor pago para libertar um escravo ou um prisioneiro de guerra. Pedro usa exatamente essa imagem:

Nde ntige kaŋgi, nde fhum, nde wari won nzɨgi han ndigi tɨvi mbatɨgi, nde nta zɨn vegi. Fhe Bakɨme ntigem taagia nde vhezgiap, ana mba bigi tɨn nde ndigi. Ana nde ndigap, ana kha nuianan mbarɨgi bigi, gor gu sirva, ana ntan nde vhezgi fhuvara. Zakɨra fhuvara! Ana Krais vɨzɨnra nde vhezgi. Mba vɨzɨn, ana guigira vhez vun ndagi vɨzɨn ma. Krais, ana sum kav, bigɨna mpɨga thaneŋ ki fhuv sipsiva ŋguga fara muuŋgi. (1 Pita 1:18,19)

Pedro escreve a cristãos espalhados pela Ásia Menor, muitos vindos do paganismo. Ele lembra que foram resgatados de uma «maneira vazia de viver» (1 Pedro 1.18, NVI), herdada dos antepassados, e diz quanto custou: não prata nem ouro, mas o «precioso sangue de Cristo» (1 Pedro 1.19, ACF).

A comparação com um "cordeiro sem defeito" não é poesia solta. É o cordeiro da Páscoa, de Êxodo 12, aquele cujo sangue na porta livrou as casas de Israel na noite da saída do Egito. Lembra que Oseias disse "desde a terra do Egito"? A salvação do Egito era o molde; a cruz é a peça definitiva.

Paulo diz o mesmo com outra ênfase:

Fhe Bakɨmen kora muumbar, ana guigira kɨvgi. Krais nza bɨkbɨɨgir zav, ana nza nzuav rimgi. Ana rimgim, ana vɨzɨn nza muuŋgi tɨvi mbatɨgi vhɨzɨ zav sia suagim, Fhe Bakɨme ana vɨzɨna panan nza muuŋgi tɨvi mbatɨgi, ana nta vhɨzgiap, nta ndɨkndɨk ŋangi.(Efesus 1:7)

Aqui a redenção "pelo seu sangue" é explicada como «o perdão das transgressões» (Efésios 1.7, NVI); a ACF traduz "remissão das ofensas". A palavra grega, aphesis, é a mesma que se usava para cancelar uma dívida ou soltar um preso. O que o resgate compra é isto: a dívida da culpa é riscada. E a medida disso não é o tamanho do nosso pecado, mas "as riquezas da sua graça".

A cruz como propiciação e reconciliação

A segunda palavra é mais estranha ao ouvido moderno: propiciação. João a usa duas vezes.

Ana nduara nzan tɨvi mbatɨgi vhɨzɨrga ŋaara muuŋgi. Ana vhɨra nzara kurkura zav mba ŋaara muuŋgi fhuvara. Ana vhɨra za kha nuianan ki gumgi gu mbigir kurkurav, vhɨra mbe tɨvi mbatɨgi vhɨzɨ zav, mba ŋaara muuŋgi. Ana mba ŋaara mbuav, rimgiap, nza muuŋgi tɨvi mbatɨgi vhɨzgim, nza Fhe Bakɨme phorgap ndava bavira ki.(1 Zon 2:2)

Guma guigira won ndavar harigi gumgi ga ndɨɨi tɨv, ana Fhe Bakɨmen tɨv ma. Nza khueŋ ndɨkndɨgɨ thari, nza fharav wari won ndavir Fhe Bakɨme nɨɨŋgi. Fhuvara! Fhe Bakɨme fharav guigira won ndavar nza nɨɨŋgi. Ana fharav guigira won ndavar nza nɨɨŋgiap, maaŋ muuŋgiap, ana won Kama sarigim, ana nza muuŋgi tɨvi mbatɨgi ga nzuav rɨmɨn zav kha nuianan zergi. Ana zerav, rimgiap, nza muuŋgim, nza Fhe Bakɨme phorgap ndava bavira ki.(1 Zon 4:10)

O termo grego é hilasmos, e as traduções da casa divergem aqui de um jeito que muda a ênfase. ACF e NAA dizem "propiciação"; a NVI prefere "expiação". Expiação olha para o pecado: ele é coberto, removido. Propiciação olha para Deus: a sua justa indignação contra o mal é satisfeita, e ele passa a ser favorável. A teologia evangélica histórica entende que o termo carrega as duas coisas — o pecado é tirado porque a justiça foi atendida.

Agora, veja o que João faz para que ninguém entenda isso errado. Em 1 João 4.10, quem envia o Filho para a propiciação é o próprio Deus, por amor. Não é um Deus irado sendo convencido por um Jesus bondoso. É o Deus que ama resolvendo, ele mesmo, o problema da própria justiça. «Nisto consiste o amor» (1 João 4.10, NVI): não no que fizemos por ele, mas no que ele fez por nós.

E em 1 João 2.2 o alcance: não só pelos pecados "nossos", da comunidade a quem João escreve, mas "de todo o mundo". Como isso se aplica a cada pessoa é um ponto em que tradições cristãs divergem — algumas enfatizam a suficiência para todos, outras a eficácia para os que creem —, mas o texto não deixa dúvida de que a porta está aberta para qualquer um.

O resultado prático dessa propiciação é a terceira palavra: reconciliação.

Nza fhum panan Fhe Bakɨmera kegap kim, ana Kam, ana rimgiap, ana mba nza panan ana kegi tɨva vhɨzgi. Ana mba tɨva vhɨzgiap, ana nza muuŋgim, nza Fhe Bakɨme phorgap guigira ndava bavira ki. Nza ntigem Fhe Bakɨme phorgap, ndava bavira ki gumgi gu mbigi, nza ntigem guigira kaŋgi, anan Kam ntigem taagia khavgiap zazera mbara muuŋgip ki bɨɨŋbɨɨŋ ndigi, maaŋ muuŋgiap, nza ntigem ana kɨvntogi guarira ana ntigem khaŋ tɨgɨp tɨvir vhuuiŋ guarira nzan muunga.(Rom 5:10)

Paulo não suaviza o ponto de partida: «quando éramos inimigos de Deus, fomos reconciliados com ele» (Romanos 5.10, NVI). Não "distantes", não "confusos". Inimigos. E a reconciliação aconteceu "pela morte do seu Filho" — na cruz, antes de qualquer gesto nosso.

Mas repare nos dois tempos do verbo. "Fomos reconciliados" está no passado, pela morte. "Seremos salvos pela sua vida" está no futuro. A morte de Jesus resolve o passado; é a vida dele — a vida de ressuscitado — que garante o futuro. Isso nos leva à parte da obra do Salvador que muita gente esquece.

Sem a ressurreição não há Salvador

Um salvador morto não salva ninguém. Se Jesus tivesse ficado no túmulo, a cruz seria só a execução injusta de um bom homem. Por isso os evangelhos terminam não com a morte, mas com um anúncio — e, de novo, por um anjo:

Mbe vhɨza mbarigim, Fhe Bakɨme enser khaŋ mba mbigani ga nzuai, "Ŋko rɨvɨ thari. Gu kaŋgi, ŋko Zisas ga nzuav garav zi. Mba guma, mbe ana ndiv khanarareŋ ga ntorgi. Ana khaŋ ki fhuvara! Ana taagia khavgi, ana fhum ne suaŋgi. Ŋko zɨv, ana rɨga kegi ŋaneŋ ganɨ.(Matiu 28:5,6)

Dá para ouvir o eco de Lucas 2. Lá: "não temam, nasceu o Salvador". Aqui: "não tenham medo, ele não está aqui". As mulheres vieram ao sepulcro procurar um corpo; encontram um lugar vazio. «Ele não está aqui; ressuscitou, como tinha dito.» (Mateus 28.6, NVI). E o anjo não pede que acreditem no escuro: "venham e vejam o lugar". A fé cristã nasce de um túmulo que podia ser inspecionado.

Duas mulheres olham para dentro de um túmulo aberto, com a pedra rolada ao lado.

Anos depois, Paulo resume diante do rei Agripa, em julgamento, o que ele pregava:

Fhe Bakɨme nduara nan kurkurigim, gu nzerara ka zav, ntige zav khar thɨgi. Maaŋ muuŋgiap, gu ntige khaŋ thɨgap, gu Fhe Bakɨme buni vhuuiŋ bun gumgi khɨni ga nzuav, gu vhɨra zɨ ki gumgir panan ga nzuai. Gu harigi khesharigi buni nzuai fhuvara. Gu mba nzuai buni, gu ntara nzuai. Gu Fhe Bakɨme kamthooŋ gumgi fhum suaŋgi buni gum Moses suaŋgi buni, gu mba bunira bun nzuai. Mbe khaŋ suaŋgi, ‘Fhe Bakɨme won gumgi gu mbigi ndir zav farasarigi guma, ana fharav zaa ndigip, rimgip, ana vhɨra fharav taagi mbogar kegɨp khavgirga guma ma. Ana khavgip, ana Fhe Bakɨme taagip Isreriŋ gum mba harigi ŋgui gumgi gu mbigi ndirga buni bun mbe suanga. Ana mba buni bun mbe suanga, mba buni vhava ŋaara farar muuŋgip tuavar mbe khɨvɨrga.’ "(Farasegi Gumgi 26:22,23)

Duas coisas, diz Paulo, estavam nos profetas e em Moisés: que «o Cristo devia padecer» (Atos 26.23, ACF) e que, «sendo o primeiro da ressurreição dentre os mortos» (Atos 26.23, ACF), anunciaria luz a judeus e gentios. A palavra "primeiro" é a chave. Jesus ressuscitou como o primeiro de uma fila. A ressurreição dele é a garantia da nossa — é assim que o Salvador salva da morte, e não só da culpa.

A Bíblia sugere que essa esperança é mais antiga que a cruz. Jó, no fundo do sofrimento, diz algo surpreendente:

A palavra hebraica traduzida por "Redentor" é go'el: o parente próximo que tinha o dever de comprar de volta a terra perdida da família, pagar a dívida de um irmão escravizado ou fazer justiça por um morto. Jó, abandonado por todos, afirma que tem alguém assim — e que esse alguém vive. Vale ser honesto: Jó não tinha o quadro completo que nós temos. Mas a tradição cristã, desde cedo, leu aqui um esboço do Salvador que haveria de vir: um redentor que vive, e que no fim se levanta em favor de quem está perdido.

O que o Salvador faz hoje, no céu

A obra do Salvador não acabou no domingo da ressurreição. A carta aos Hebreus, escrita a cristãos de origem judaica tentados a voltar ao sistema do templo, insiste nisso: Jesus continua trabalhando. Três versículos resumem o que ele faz agora.

Mba tɨv ana muuŋgim, ana guigira fhara guarara buni mbararagi guma ki. Maaŋ muuŋgiap, ana buni zɨn vui gumgi gu mbigi, ana mben kurkurav, taagia mbe ndi. Ana mba ndi gumgi gu mbigi, mbe zazera mbara muuŋgip kɨrga. Maaŋ muuŋgiap, Fhe Bakɨme ana farasarav ana nzuav, khaŋ nzuai, "Ndu Merkisedek Fhe Bakɨme rotu gari guman pan kegi farar muuŋgirga."(Hibru 5:9)

"Consumado" ou "aperfeiçoado" aqui não quer dizer que Jesus era moralmente incompleto. Quer dizer que ele chegou ao fim do caminho — passou pela obediência e pelo sofrimento até o ponto final — e por isso se tornou a "causa" da salvação eterna. Repare também em "para todos os que lhe obedecem": salvação, na Bíblia, não é uma transação que termina no dia em que a pessoa crê; é uma relação com alguém que agora é Senhor.

Maaŋ muuŋgiap, ana won zɨn panan, ana ntige gum zumgum, ana zazera kha gumgi gu mbigi taagia mbe ndiav Fhe Bakɨme han zɨrga tuktɨgi. Ne khaŋ muuŋgi, ana zazera mbara muuŋgiap kav, ana mben kurkurar zav, mbe nzuav, Fhe Bakɨme phorga nzuai.(Hibru 7:25)

Esse é talvez o versículo mais consolador da carta. Os sacerdotes do templo morriam e precisavam ser substituídos; Jesus "vive para sempre". Por isso pode salvar "perfeitamente", ou "completamente" — até o fim, sem deixar ninguém no meio do caminho. E o que ele faz com essa vida eterna? Intercede. O Salvador que morreu por você agora fala a Deus a seu favor, todo dia.

Zisasan vɨzɨn, ana nza muuŋgim, nza guigira Fhe Bakɨme nɨman ŋgarigi. Maaŋ muuŋgiap, Zisas, ana rɨgagera ki guma ma. Ana maaŋ muuŋgiap, mba Fhe Bakɨme suaŋgi kaman kameŋ, ana ne havhari. Ana mba fhara suaŋgi kameŋ kɨrɨ tɨvi mbatɨgi ga muuŋgi gumgi gu mbigi, ana rimgiap, mbe muuŋgi tɨvi mbatɨgi, ana nta vhɨzgi. Maaŋ muuŋgiap, mba Fhe Bakɨme kaai kakameŋ mbararagiap ne zɨn vui gumgi gu mbigi, mbe mba Fhe Bakɨme fhum won tarir nɨɨn za suaŋgi kɨrɨ tɨvar vhuuŋ, mbe ana ndirga. Mbe ana ndigɨp, zazera mbara muuŋgip kɨrga.(Hibru 9:15)

"Mediador" é quem fica entre duas partes em conflito para fechar um acordo. Jesus é o mediador de uma "nova aliança" — a que Jeremias tinha prometido —, e a sua morte paga até as transgressões cometidas sob a aliança antiga. Ou seja, os fiéis do Antigo Testamento também foram salvos pelo que Jesus fez, mesmo sem conhecer o nome dele. E o que ele garante é uma "herança eterna": a salvação não é só escapar de algo, é receber algo.

É aqui que a pergunta "por que só Jesus pode salvar?" encontra a resposta mais direta. Só ele reúne as condições: é Deus, é homem, morreu como cordeiro sem defeito e vive para interceder. Nenhum profeta, sacerdote, anjo ou santo cumpre essa lista. É por isso que Pedro diz que não há salvação em nenhum outro e Paulo fala de um só mediador.

Como alguém recebe essa salvação

Se tudo foi feito por ele, o que cabe a nós? A resposta curta da Bíblia é: fé. Paulo descreve a própria vida assim:

Gu maaŋ muuŋgiap Krais phorgap, khanarareŋ ga ntorgap rimgi fara muuŋgiap ki. Gu ana phorgap rimgiap, bɨɨŋbɨɨn kama ndigi. Gu mba ndigi bɨɨŋbɨɨŋ, ana nan bɨɨŋbɨɨŋ fhuvara. Zakɨra fhuvara! Krais, ana nan vhen kav, ana mba bɨɨŋbɨɨn na nɨɨŋgi. Maaŋ muuŋgiap, gu ntige kha nuianan mbui tɨvi gum nan ŋaari, nta gu Krais khothɨgap ana zɨn vuav mbui bigi ma. Gu guigira Fhe Bakɨmen Kama khothɨgi, ana guigira won ndavar na nɨɨŋgiap, ana won tuma fekhɨngiap, nan kurigi.(Garesia 2:20)

Repare como Paulo passa do geral para o pessoal. Não é "Cristo morreu pelo mundo", embora isso seja verdade. É o Filho de Deus «que me amou e se entregou por mim» (Gálatas 2.20, NVI). A fé bíblica é isto: deixar de confiar no próprio esforço e passar a confiar que aquilo que Jesus fez foi feito por mim. A vida antiga, a que tentava se justificar sozinha, acabou. A nova é vivida "pela fé".

Em outros lugares ele diz a mesma coisa de forma mais direta: somos salvos pela graça, mediante a fé, e não por obras; quem confessa Jesus como Senhor e crê que Deus o ressuscitou será salvo. Fé, na Bíblia, vem junto com arrependimento: reconhecer o pecado e virar as costas para ele. São dois lados do mesmo movimento de voltar-se para Deus.

É preciso dizer onde as tradições cristãs se separam. A teologia evangélica histórica — a leitura que este texto segue — entende que a pessoa é justificada pela fé somente, e que batismo, ceia e boas obras são fruto dessa fé, não parte do seu fundamento. A tradição católica e a ortodoxa ligam mais estreitamente a graça aos sacramentos. Todas, porém, concordam no essencial: a base da salvação é a obra de Cristo, e não o mérito de quem recebe.

E para quem já creu, há ainda um detalhe que Hebreus deixa para o fim da carta:

Nza vhɨra mbur Zisas ganɨri. Ana nza ana khothɨgi ndɨkndɨgar nɨɨŋge ma. Ana zumgum nza ana khothɨgi ndɨkndɨgar muuŋgirim, ana guigira tuktɨgɨrga. Kha gumgi gu mbigi khueŋ ndɨkndɨgi, mba khanarareŋ ga tui guma, ana guigira guma mbatɨga guar ma, ana guigira memɨra bakɨme ndirga. Zisas mba memɨra ndɨkndɨgi fhu. Ana kaŋgi, ana maaŋ muuŋgip guigira Fhe Bakɨme buni zɨn ŋgɨrga, ana zumgum nzerara kɨv, ana guigira ndikndiga mbatɨgar muunga. Ana ne ndɨkndɨgap, ana thɨga havhargiap, kav zaagi ndiav, khanarareŋ ga ntorgap, rimgi. Ana maaŋ muuŋgiap, ana ntigem Fhe Bakɨmen guva haren ŋgui vhɨrve gari guman pan pigi mpirmpirɨga perav ki.(Hibru 12:2)

Jesus é "autor e consumador" da fé: ele começa e ele termina. A palavra grega para "autor" é archēgos, o que vai na frente abrindo caminho. A salvação é uma corrida em que quem abriu o caminho é também quem garante a chegada. E o texto termina dizendo que ele "se assentou". No templo, o sacerdote nunca sentava, porque o trabalho nunca terminava. Jesus sentou. A obra está feita.

É isso que estava embrulhado naquela frase do anjo aos pastores: «nasceu o Salvador, que é Cristo, o Senhor» (Lucas 2.11, NVI). Um bebê numa manjedoura, com o nome "o Senhor salva" — e por trás dele, a cruz, o túmulo vazio e o trono. Vale a pena ler Lucas 2 completo, agora sabendo o peso de cada uma daquelas três palavras.

Qual a diferença entre Salvador, Redentor e Mediador?

São três ângulos da mesma obra. Salvador (sōtēr) é o termo mais amplo: quem livra de um perigo. Redentor olha para o preço: quem paga para libertar alguém. Mediador olha para a relação: quem fica entre duas partes em conflito e fecha a paz. A Bíblia usa os três para Jesus porque nenhum sozinho dá conta do que ele fez.

No Antigo Testamento, quem era chamado de salvador?

Em primeiro lugar o próprio Senhor, que livrou Israel do Egito. A palavra também é usada para libertadores humanos que Deus levantou, como os juízes, mas sempre como instrumentos — eles salvavam porque Deus salvava por meio deles. O Novo Testamento aplica o título a Jesus no sentido pleno, o que era reservado a Deus.

Jesus se chamava a si mesmo de Salvador?

Ele raramente usou o título, mas descreveu a própria missão nesses termos: disse que veio "buscar e salvar o que se havia perdido" (Lucas 19.10) e que daria a vida "em resgate por muitos" (Marcos 10.45). O título aparece mais na boca de anjos, de apóstolos e das primeiras igrejas, que o reconheceram depois da ressurreição.

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