A cadeira vazia
Nde nza phorgap guigira Zisas khothɨgi gumgi gu mbigi, nza khueŋ vuzvugi, nde mba vhɨzgi gumgi gu mbigir hɨrga bigeŋ, nde ne kaŋgirga. Nde ne kaŋgirga fhuv, nde pim vhɨzi gumgi ga suaŋv nziv kɨrga. Nde mba Zisas khothɨgi fhuv gumgi gu mbigi farar muuŋgirga. Mbe Fhe Bakɨme taagip mba vhɨzgi gumgi gu mbigi khavɨrga, mbe nen rarga ki fhuvara.
Todo mundo tem uma cadeira vazia em algum lugar da vida. Pode ser o lugar na cabeceira da mesa de domingo, um número de telefone que a gente não tem coragem de apagar ou uma jaqueta que continua pendurada no mesmo cabideiro. Certas ausências não fazem barulho; elas apenas ocupam espaço de um jeito pesado, principalmente quando o calendário vira e traz datas que nos lembram de quem partiu. No dia a dia, a rotina exige pressa, trabalho e decisões rápidas, mas basta um cheiro conhecido, uma fotografia antiga ou o silêncio da tarde para fazer a saudade transbordar de novo.
Nesses momentos, muita gente se pergunta em silêncio se sentir dor é fraqueza ou falta de fé. Cria-se às vezes a cobrança disfarçada de que o cristão precisa ser inabalável, engolir o pranto e exibir um sorriso rápido, como se a tristeza fosse derrota espiritual. Há quem repita que quem partiu está num lugar melhor, como se isso devesse estancar a lágrima de quem ficou segurando a xícara fria na cozinha. Mas a alma não funciona assim. A dor da perda não é falta de confiança; é simplesmente a prova viva de que aquele amor foi real, profundo e construído no cotidiano.
O apóstolo Paulo entendia esse peso ao escrever aos tessalonicenses. Ele não exigiu que ninguém fingisse normalidade diante da sepultura. Paulo não escreveu para que não nos entristecêssemos, mas para não vivermos o luto como os que não têm esperança. A diferença da fé não está em anular o choro, mas no destino dele. O próprio Jesus, ao chegar ao túmulo de seu amigo Lázaro, não conteve a emoção: em João 11:35, a Bíblia registra que Ele chorou. Se o Senhor da vida derramou lágrimas, nenhum de nós precisa ter vergonha da própria dor.
A fé não anestesia o coração, mas oferece um chão firme onde o sofrimento pode repousar. A Escritura ensina que Deus não despreza quem chora; em Salmo 34:18, lemos que o Senhor está perto dos que têm o coração quebrantado. A esperança cristã não apaga a lembrança de quem amamos, mas assegura que a morte não é a última palavra. A perda machuca, mas a vitória do túmulo foi desfeita na ressurreição de Cristo, como afirma Paulo em 1 Coríntios 15:54. A despedida de hoje dói, mas ela não é o fim.
Hoje, você não precisa fingir uma força que não sente nem fugir da lembrança que aperta o peito. Se a saudade bater forte, acolha essa dor como quem honra uma história que valeu a pena viver. Permita-se orar com sinceridade, entregando a Deus as perguntas sem resposta. A promessa de Apocalipse 21:4 continua de pé: virá o dia em que o Senhor enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá. Até lá, caminhe um dia por vez, sustentado pela graça divina.
Senhor Deus, Tu conheces cada canto vazio da nossa casa e cada lágrima que cai em segredo. Obrigado porque compreendes a nossa dor e porque Teu Filho também chorou a partida de quem amava. Conforta o coração ferido pela ausência e derrama Tua paz onde o silêncio pesa. Renova em nós a esperança da ressurreição e ajuda-nos a viver este dia guardados no Teu amor. Em nome de Jesus, amém.