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Ele muda o tempo e as estações: o que significa?

Cruz de madeira ao pôr do sol entre campos de flores, trigo, folhas de outono e neve.

Deus é quem decide quando um tempo acaba e outro começa

"Ele muda o tempo e as estações" é uma frase da oração de Daniel, e o que ela afirma é simples de dizer e difícil de engolir: as fases da história — e, por extensão, as fases de uma vida — não trocam sozinhas. Deus é quem encerra uma e abre a outra. No contexto em que Daniel fala, "tempos" são as eras dos impérios, e a prova disso vem na mesma frase: ele remove reis e estabelece reis.

Na Bíblia, "tempo" raramente é o relógio. É mais perto do que chamamos de época ou estação: um período com começo, fim e um propósito dentro dele. Eclesiastes diz que há um tempo para cada coisa debaixo do céu; Daniel diz quem marca esses tempos. Juntos, os dois respondem a quem procura "tempos e estações na Bíblia": as fases existem, nenhuma é definitiva, e a mão que as troca não é a nossa.

É ele quem muda o tempo

e as estações,

remove reis e estabelece reis;

ele dá sabedoria aos sábios

e entendimento aos inteligentes.(Daniel 2:21)

O resto desta página desdobra isso: de onde a frase saiu, o que as palavras originais dizem, para que servem os tempos de espera, o risco de forçar a troca de estação e como viver a que se está agora.

De onde vem a frase: a oração de Daniel diante do sonho do rei

A cena é a Babilônia, no reinado de Nabucodonosor. O rei tem um sonho que o perturba e exige dos sábios da corte algo impossível: que digam qual foi o sonho antes de interpretá-lo. Ninguém consegue, e o decreto sai — todos os sábios serão mortos, incluindo Daniel e seus três amigos, que nem foram consultados.

Daniel pede um prazo ao rei, volta para casa e passa a noite em oração com os companheiros. Deus revela o sonho e o sentido. É aí, antes de ir falar com o rei, que Daniel para e bendiz a Deus — e a frase que a busca lembra está nessa oração, em Daniel 2:20-23.

Quatro jovens de túnica ajoelhados, de mãos postas, rezam em uma casa simples de barro.

Vale notar o que Daniel acabou de ver. O sonho era uma estátua de quatro metais — cabeça de ouro, peito de prata, ventre de bronze, pernas de ferro — e cada metal era um reino que viria depois do outro, até uma pedra derrubar tudo e ocupar a terra inteira (Daniel 2:31-45). Ou seja: quando Daniel diz que Deus "muda os tempos", ele não está fazendo poesia. Acabou de enxergar a sucessão dos impérios desenhada por Deus de ponta a ponta.

Isso dá à frase um peso concreto. "Tempos e estações" ali são eras de poder, e a prova de que Deus as governa está na segunda metade do versículo: ele depõe e levanta reis. O próprio Nabucodonosor vai aprender isso na pele em Daniel 4, e seu sucessor Belsazar perde o reino numa noite em Daniel 5. O livro inteiro é essa frase se cumprindo.

Uma observação sobre tradução, já que a busca traz a frase exata: "muda o tempo e as estações" é a forma da Almeida Revista e Atualizada. A Almeida Corrigida tem "muda os tempos e as estações", e a NVI, "muda as épocas e as estações". O sentido é o mesmo, mas ajuda saber por que o versículo no seu aparelho pode não bater letra por letra com o que você lembrava.

O que "tempo" e "estação" querem dizer nas línguas originais

Daniel 2 está escrito em aramaico, e as duas palavras do versículo são iddan e zeman. Iddan é um período, uma era — a mesma palavra dos "sete tempos" que Nabucodonosor passa humilhado em Daniel 4:16 e do "um tempo, dois tempos e metade de um tempo" de Daniel 7:25. Zeman é o momento marcado, a hora fixada para algo acontecer. Deus governa os dois: o período longo e a hora exata.

Olha que interessante: Eclesiastes 3:1, em hebraico, usa quase o mesmo par. Lá aparecem zeman (tempo determinado) e et (ocasião, tempo oportuno). É a palavra et que se repete 28 vezes nos versículos seguintes — tempo de nascer, tempo de morrer, tempo de plantar, tempo de colher.

Tudo tem o seu tempo

determinado,

e há tempo para todo propósito

debaixo do céu:(Eclesiastes 3:1)

Há ainda uma terceira palavra hebraica que costuma virar "estação" em português: moed, o tempo marcado. É ela que aparece em Gênesis 1:14, quando o sol e a lua são postos no céu para marcar as estações, e é dela que vem o nome das festas de Israel — encontros em data fixa. Depois do dilúvio, Deus promete que o ritmo de semear e colher, frio e calor, não vai parar (Gênesis 8:22). As estações do ano, na Bíblia, são o primeiro sinal de que o tempo tem dono.

No Novo Testamento, em grego, o par reaparece como chronos e kairós. Chronos é o tempo que passa, a duração. Kairós é o tempo certo, a oportunidade, o momento. Quando os discípulos perguntam quando Jesus vai restaurar o reino, ele responde que não cabe a eles saber "tempos ou épocas" — chronous e kairous (Atos 1:7). É Daniel 2:21 dito por outra boca.

O que fica disso tudo é que "tempo" na Bíblia quase nunca é quantidade de horas. É uma fase com conteúdo, com começo e fim que não foram marcados por quem está dentro dela.

Eclesiastes 3: cada coisa tem o seu tempo, e nenhuma é a última

Depois do versículo 1, Eclesiastes enfileira catorze pares de opostos em Eclesiastes 3:2-8: nascer e morrer, plantar e arrancar, matar e curar, derrubar e edificar, chorar e rir, prantear e dançar, espalhar pedras e ajuntar pedras, abraçar e afastar-se, buscar e perder, guardar e lançar fora, rasgar e coser, calar e falar, amar e odiar, guerra e paz.

Dois detalhes do texto antes de qualquer interpretação. Primeiro: as duas metades de cada par recebem o mesmo verbo — há tempo para uma e há tempo para a outra. O texto não diz que chorar é um acidente e rir é o plano. Diz que os dois têm o seu tempo. Segundo: a lista começa com nascer e morrer, as duas fases que ninguém escolhe. Isso dá o tom do resto: o homem não é quem fixa as estações.

Vem então o versículo que explica por que isso incomoda tanto:

Deus fez tudo formoso no seu devido tempo. Também pôs a eternidade no coração do ser humano, sem que este possa descobrir as obras que Deus fez desde o princípio até o fim.(Eclesiastes 3:11)

Deus fez cada coisa bela "a seu tempo", e ao mesmo tempo pôs no coração humano algo que Eclesiastes chama de "mundo" ou "eternidade" (olam, em hebraico) — uma fome de ver o quadro inteiro. Só que o quadro inteiro não nos foi dado. A gente vê a estação em que está e quer saber o fim, e Eclesiastes diz com honestidade: não dá para descobrir a obra do princípio ao fim.

Pode parecer frustrante, mas é um consolo de um tipo específico. Se a fase difícil tem um tempo, ela não é permanente. Se a fase boa tem um tempo, ela também não é — e isso protege de duas ilusões: a de que a dor nunca vai passar e a de que a bonança é mérito próprio. Vale a pena ler Eclesiastes 3 inteiro depois desta página, porque o capítulo não termina no versículo 8.

Para que servem os tempos de espera

Se Deus é quem muda as estações, a pergunta inevitável é por que ele demora. A Bíblia não responde isso em abstrato; ela responde com histórias, e em uma delas o propósito vem declarado pelo próprio texto.

Israel passou quarenta anos no deserto entre o Egito e a terra prometida. Quarenta anos para uma viagem que, em linha reta, se faz em semanas. No fim do caminho, Moisés explica a razão:

Lembrem-se de todo o caminho pelo qual o Senhor, seu Deus, os guiou no deserto durante estes quarenta anos, para humilhar vocês, para pôr vocês à prova, para saber o que estava no coração de vocês, se guardariam ou não os seus mandamentos.(Deuteronômio 8:2)

Três verbos: humilhar, provar, saber o que havia no coração. O deserto não foi atraso no plano; foi parte dele. Deus não precisava descobrir o que havia no coração do povo — ele já sabia. Quem precisava descobrir era o povo. A espera revelou a Israel o que Israel era.

A mesma coisa aparece, sem o comentário explícito, em outras vidas. Abraão recebe a promessa de um filho aos 75 anos (Gênesis 12:4) e Isaque nasce quando ele tem 100 (Gênesis 21:5): 25 anos de intervalo. José é vendido aos 17 (Gênesis 37:2) e só fica diante de Faraó aos 30 (Gênesis 41:46), depois de escravidão e prisão. Davi é ungido rei ainda jovem em 1 Samuel 16 e só assume o trono de todo o Israel aos 30 anos (2 Samuel 5:4), depois de anos fugindo de Saul.

Paulo dá o nome das fases que a espera atravessa:

E não somente isto, mas também nos gloriamos nas tribulações, sabendo que a tribulação produz perseverança, a perseverança produz experiência e a experiência produz esperança.(Romanos 5:3,4)

Repare na ordem: tribulação, depois paciência (perseverança), depois experiência — a palavra grega é dokimé, caráter que passou pelo teste e foi aprovado —, e só então esperança. A esperança bíblica não é otimismo de temperamento; é o que sobra depois de alguém ter aguentado e ter sido provado.

Aqui é preciso marcar uma fronteira. Dizer que "o amadurecimento vem antes da promessa se cumprir" é uma leitura dos casos — Abraão, José, Davi — e não uma promessa da Bíblia. O texto garante que Deus governa os tempos e que a tribulação pode produzir caráter; não garante que toda espera termina com o trono, o filho ou a saída da prisão. Há quem espere a vida inteira e receba a resposta em outra forma. O que a Escritura promete é a presença de Deus na estação, não a estação que a pessoa queria.

O perigo de forçar a troca de estação

Se os tempos estão nas mãos de Deus, há dois erros simétricos: tentar adiantar o próximo ou se agarrar ao que acabou. A Bíblia tem exemplo dos dois, e o mesmo rei cometeu ambos.

Saul, em 1 Samuel 13:8-14, espera Samuel por sete dias como combinado. O profeta atrasa, o povo começa a dispersar, e Saul oferece ele mesmo o sacrifício. Samuel chega logo depois e anuncia que o reino não ficará com a casa de Saul. O que Saul fez foi antecipar o tempo marcado — e o motivo foi medo de perder o que tinha.

Anos depois, com o veredito já dado em 1 Samuel 15:28 — o reino rasgado de suas mãos e entregue a outro — Saul passa o resto da vida resistindo ao fim do próprio ciclo, perseguindo Davi pelo deserto. Ele sabia que a estação tinha acabado. Não aceitou.

Antecipar o tempo não é exclusividade de gente má. Abraão e Sara, cansados de esperar o filho, arranjam Ismael por meio de Agar em Gênesis 16. O filho vem, mas não é o da promessa, e a casa paga em conflito por gerações. E o Israel do deserto faz o oposto: diante da terra prometida, chora pelo Egito e quer voltar (Números 14:1-4) — apego a uma estação que Deus já tinha encerrado.

O contraste é Davi. Por duas vezes ele tem Saul ao alcance da espada, em 1 Samuel 24 e 1 Samuel 26, e os próprios homens dizem que é a oportunidade dada por Deus. Davi recusa. Ele já era o ungido, mas o tempo de reinar ainda não era; e ele não ia tomar à força o que Deus tinha prometido entregar.

Uma frase de Jesus ajuda a entender por que a espera não é tempo morto. Acusado de trabalhar no sábado, ele responde que o Pai trabalha até agora, e ele também (João 5:17). Deus não para entre uma estação e outra. Quando parece que nada acontece, é a nossa parte que está parada — não a dele.

Como viver a estação em que se está

A Bíblia não ensina a descobrir quando a fase vai acabar. Ensina o que fazer dentro dela, e os exemplos são surpreendentemente comuns.

José, escravo na casa de Potifar, cuida da casa com tanto zelo que recebe tudo nas mãos; na prisão, faz a mesma coisa e o carcereiro lhe entrega os outros presos (Gênesis 39). Davi, ungido, volta para o rebanho do pai e depois serve na corte de quem o perseguia. Nenhum dos dois tratou a espera como sala de espera. Fizeram bem o que havia para fazer.

Paulo escreve de uma prisão quando diz que — e a palavra que ele usa é "aprendi". Contentamento, para Paulo, não é dom natural nem conformismo; é coisa que se aprende, e ele diz nos versículos seguintes que aprendeu tanto na fartura quanto na fome. Poucos versículos antes, em Filipenses 4:6, ele dá o método: em vez de ansiedade, oração com ação de graças. Não é esperar sem pedir; é pedir sem exigir o calendário.

Davi resume essa postura numa linha de salmo. A Almeida Corrigida traduz literalmente o hebraico, que usa a mesma palavra et de Eclesiastes 3, no plural:

Nas tuas mãos

estão os meus dias;

livra-me das mãos

dos meus inimigos

e dos meus perseguidores.(Salmos 31:15)

"Os meus tempos" — não um tempo só, mas todos, os bons e os maus — "estão nas tuas mãos". Em outras versões a frase vira "meus dias" ou "meu futuro", o que perde um pouco a ponte com Eclesiastes, mas mantém o sentido. É a resposta pessoal a Daniel 2:21. Daniel olha para a história e diz que Deus muda os tempos; Davi olha para a própria vida e diz que os tempos dele estão na mesma mão.

Isso muda a pergunta de quem está numa fase difícil. Em vez de "quando isso acaba?", a pergunta que a Bíblia convida a fazer é "o que há para ser feito e aprendido aqui?". A primeira só Deus responde. A segunda, a pessoa pode começar a responder hoje.

O que Daniel fez com essa verdade

Daniel orou aquela oração e, na manhã seguinte, foi falar com um rei que tinha decretado sua morte. Saber que Deus muda os tempos não o tirou da Babilônia — ele morreu lá, velho, tendo servido a quatro reis de dois impérios diferentes. O que essa verdade fez foi permitir que ele servisse com integridade em cada estação, sob cada rei, sem se agarrar a nenhuma e sem tentar apressar a próxima.

Leia Daniel 2 completo, do sonho até a interpretação. O versículo 21 ganha outro peso quando se vê o que Daniel tinha acabado de enxergar quando o disse.

Qual é a diferença entre "tempo" e "estação" na Bíblia?

Nas línguas originais são palavras diferentes. Em Daniel 2:21, iddan é o período longo, a era; zeman é o momento marcado. Em Eclesiastes 3:1, zeman e et fazem par parecido. Em grego, chronos é a duração e kairós é a hora oportuna. "Estação", em português, costuma traduzir a ideia de tempo marcado ou de período com propósito, não necessariamente as quatro estações do ano — embora Gênesis 1:14 use a palavra moed para essas também.

O que é o "kairós de Deus"?

Kairós é a palavra grega para o tempo certo, a oportunidade, em contraste com chronos, o tempo que passa. Gálatas 4:4 diz que Cristo veio na "plenitude do tempo", quando a hora estava cheia. Na linguagem de igreja, "kairós de Deus" virou sinônimo do momento que Deus escolheu para agir. O uso é legítimo, mas vale lembrar que o Novo Testamento não ensina a prever esse momento — em Atos 1:7 Jesus diz justamente que isso não cabe aos discípulos.

Como saber se um ciclo da minha vida terminou?

A Bíblia não dá um método para isso, e desconfie de quem oferece um. O que ela mostra é Daniel, em Daniel 9:2, percebendo pela leitura das Escrituras que os setenta anos de exílio anunciados por Jeremias estavam acabando — e respondendo com oração e confissão, não com pressa. Os caminhos bíblicos para discernir são a Palavra, a oração, as circunstâncias que Deus abre ou fecha e o conselho de pessoas sábias. E mesmo assim, Davi esperou anos sabendo que era rei.

Deus muda os tempos quando oramos?

Há casos em que a oração altera um prazo anunciado: Ezequias recebe quinze anos a mais de vida depois de orar (2 Reis 20:1-6), e Nínive é poupada depois de se arrepender (Jonas 3:10). A teologia evangélica histórica entende esses casos não como Deus sendo pego de surpresa, mas como a oração fazendo parte do modo como ele governa os tempos. Em outras palavras: orar não é tentar mudar o plano; é participar dele do jeito que Deus determinou.

Eclesiastes 3 ensina que tudo é destino e não adianta agir?

Não. O capítulo diz que há tempo para cada coisa, mas a lista inteira é de ações humanas — plantar, edificar, falar, abraçar. Eclesiastes assume que a pessoa age; o que ele nega é que a pessoa controle o calendário. Uma interpretação tradicional lê o capítulo como convite à sabedoria: discernir que tempo é este e agir de acordo com ele, em vez de forçar a estação errada.

Waldilene Gomes Tavares ReisJuvenil Francisco
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