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Valioso: o seu verdadeiro valor diante de Deus

Redação Bíblia Online Publicado em

Quanto você vale para Deus, segundo Jesus

Mulher observa pardais perto de caixas de laranjas numa banca de feira de rua.

Você vale mais do que muitos pardais. A frase é de Jesus, e parece pequena até a gente entender o que ela está dizendo: o bicho mais barato do mercado, vendido aos pares por uma moeda de cobre, não cai no chão sem que o Pai saiba — e você está muito acima dele na conta de Deus.

Esse é o ponto de partida da Bíblia sobre o valor de uma pessoa. Ele não depende do que você produz, ganha, aparenta ou acerta. Nasce de quem fez você e de quanto ele pagou para ter você de volta. O resto deste texto é mostrar onde isso está escrito e o que cada passagem quer dizer de fato.

Não se vendem dois pardais por um asse? Contudo, nenhum deles cai no chão sem o consentimento do Pai de vocês. Até os cabelos da cabeça de vocês estão todos contados. Portanto, não tenham medo; vocês valem mais do que muitos pardais!

Vale notar o contexto. Mateus 10 não é um capítulo sobre autoestima. Jesus está enviando os doze e avisando que eles vão ser presos, açoitados e odiados por causa dele (Mateus 10:16-25). O "não tenham medo" aparece três vezes em poucos versículos. A pergunta no ar não era "eu me sinto valioso?", e sim "se eu desaparecer, alguém vai perceber?".

É a essa pergunta que Jesus responde com pardais. O asse (em grego, assarion) era a menor moeda de cobre em circulação — um dezesseis avos do denário, que era o salário de um dia. Menos de uma hora de trabalho comprava dois pardais. Era comida de pobre, proteína barata. E Jesus diz: nem esse cai no chão sem o consentimento do Pai.

Lucas registra a mesma frase com um detalhe diferente, e os dois juntos ficam melhores do que separados.

Não se vendem cinco pardais por dois asses? Contudo, nenhum deles é esquecido por Deus. Até os cabelos da cabeça de vocês estão todos contados. Não tenham medo; vocês valem mais do que muitos pardais!(Lúkasi 12:6,7, NVI)

Em Mateus, dois pardais por um asse. Em Lucas, cinco por dois asses — ou seja, quem levava dois asses ganhava um pardal de brinde. O quinto pardal não valia nada nem para o vendedor. E é desse que Jesus diz: "nenhum deles é esquecido por Deus".

Depois vêm os cabelos. Não diz que Deus conhece os seus cabelos; diz que estão contados. Contar é o que a gente faz com o que importa — dinheiro, dias, filhos. Ninguém conta o que não tem valor. Isso aqui é importante: a imagem não é de um Deus que tolera você, e sim de um Deus que faz inventário do que é seu.

Vendedor idoso segura duas aves amarradas a uma mulher em um mercado de rua coberto.

Este artigo faz parte de Versículos por Tema Fé e Esperança

De onde vem esse valor: a imagem de Deus

A resposta de Jesus não surge do nada. Ela repousa sobre a primeira página da Bíblia. Em Gênesis 1:26-27, tudo o que Deus cria é feito "segundo a sua espécie" — peixes como peixes, aves como aves. Só numa criatura a frase muda: "façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança".

A palavra hebraica para imagem é tselem, a mesma usada para uma estátua ou representação de alguém. Dizer que o ser humano é imagem de Deus é dizer que ele foi feito para representar Deus na terra — para lembrar o Criador a quem olha para ele.

Repare na ordem dos acontecimentos. Adão e Eva ainda não tinham feito nada quando receberam esse título. Não tinham obedecido, trabalhado, provado valor nenhum. O valor veio antes do desempenho. É por isso que a Bíblia trata a vida humana como inviolável mesmo depois da queda: em Gênesis 9:6, a razão para o sangue humano ser tão grave é justamente "porque Deus fez o homem à sua imagem". O pecado não apagou a imagem; estragou-a, e isso é diferente.

O salmista leva isso para o pessoal em Salmos 139:13-14: foi Deus quem o teceu no ventre da mãe. Não uma humanidade genérica — ele, com nome. O valor de que Jesus fala no mercado de pardais é o valor de alguém que foi feito de propósito, por alguém.

"Quanto mais": o jeito de Jesus argumentar

Os rabinos tinham um nome para o raciocínio que Jesus usa com os pardais: qal vachomer, "do leve para o pesado". Se vale para o caso menor, vale ainda mais para o maior. Jesus usa esse argumento mais de uma vez quando o assunto é o valor das pessoas.

Observem as aves do céu: não semeiam, nem colhem, nem armazenam em celeiros. Contudo, o Pai celestial de vocês as alimenta. Vocês não têm muito mais valor do que elas?(Matéu 6:26, NVI)

Aqui o contexto é outro: não é medo de perseguição, é ansiedade com comida e roupa (Mateus 6:25-34). E o raciocínio é o mesmo. Se o Pai sustenta aves que não plantam nem armazenam, como deixaria faltar a quem vale "muito mais do que elas"? Vale observar o que Jesus não promete: não promete riqueza, não promete que nada vai faltar nunca. Promete um Pai que sabe do que você precisa — e ancora essa promessa no seu valor, não no seu mérito.

O outro exemplo é mais incômodo, porque o "quanto mais" vira acusação.

Quanto mais vale um homem do que uma ovelha! Portanto, é permitido fazer o bem no sábado.(Matéu 12:12, NVI)

A cena: um homem com a mão atrofiada na sinagoga, num sábado, e os fariseus esperando para ver se Jesus vai curá-lo e "quebrar" o descanso (Mateus 12:9-14). Jesus lembra que qualquer um deles tiraria uma ovelha de um buraco no sábado sem pensar duas vezes — ovelha é dinheiro. E pergunta: quanto mais vale um homem?

O texto sugere algo que a gente faz até hoje: valorizar o que tem preço e tratar como descartável o que não gera retorno. O homem da mão seca não produzia. Para a lógica deles, não valia o risco. Para Jesus, valia mais do que o rebanho inteiro.

Precioso aos olhos de Deus: o que Deus disse a Israel

Antes de Jesus, Deus já tinha dito a um povo o quanto ele valia — e dito nos momentos em que esse povo menos parecia valer alguma coisa.

Visto que você é precioso e honrado aos meus olhos,

e porque eu o amo,

darei homens em seu lugar

e nações em troca da sua vida.(Isaíasi 43:4, NVI)

Isaías 43 fala a Israel no exílio, ou prevendo-o: um povo derrotado, deportado, humilhado, sem templo e sem terra. Para qualquer observador, um povo sem valor. E é a esse povo que Deus diz "você é precioso aos meus olhos". A palavra hebraica, yaqar, é a que se usa para pedra preciosa — o que é raro e custa caro.

Olha o fim do versículo: "darei homens em seu lugar e nações em troca da sua vida". É linguagem de resgate, de preço pago para libertar alguém. Deus está dizendo que paga caro por esse povo. Guarde essa ideia; ela volta na cruz.

Agora, se me obedecerem fielmente e guardarem a minha aliança, vocês serão o meu tesouro especial entre todas as nações. Embora toda a terra seja minha,(Áfuriduni 19:5, NVI)

Êxodo 19 é o Sinai, antes de a lei ser entregue. O povo ainda nem tinha recebido os mandamentos quando Deus o chamou de "tesouro especial" (na NVI; a Almeida traduz como "propriedade peculiar"). A palavra hebraica é segullah, o cofre particular de um rei — aquilo que, de tudo o que ele tem, ele guarda para si. Deus diz que a terra toda é dele, e mesmo assim escolhe um povo pequeno e recém-saído da escravidão para ser o seu tesouro pessoal.

"Levante-se, refulja, porque chegou a sua luz,

e a glória do Senhor raia sobre você!(Isaíasi 60:1, NVI)

Isaías 60 é a cidade restaurada depois do exílio: Jerusalém chamada a se levantar e brilhar, não com luz própria, mas porque "a glória do Senhor raia sobre você". A dignidade vem de fora. Ela resplandece porque Deus se aproximou.

Aqui é preciso ser honesto com o texto. Essas três passagens foram ditas a Israel, não a um indivíduo qualquer. A leitura evangélica histórica — que é a desta página — entende que, em Cristo, quem crê é incluído nessas promessas: Pedro aplica a linguagem de Êxodo 19 diretamente à igreja em 1 Pedro 2:9, chamando-a de "propriedade exclusiva de Deus". Outras correntes, como a dispensacionalista, mantêm uma distinção mais firme entre Israel e igreja e leem essas promessas de forma mais restrita. Mas mesmo nessa leitura o princípio fica de pé: o valor que Deus atribui não é medido pelo estado de quem recebe, e sim pela decisão de quem dá.

Valor e pecado: por que a cruz é a medida

A objeção óbvia a tudo isso é o pecado. Se a Bíblia diz que todos pecaram e que ninguém é justo, como dizer que eu valho alguma coisa diante de Deus?

A resposta do Novo Testamento é mostrar o preço. Em Romanos 5:8, Paulo diz que Cristo morreu por nós "quando ainda éramos pecadores" — não depois de termos melhorado. E Pedro, em 1 Pedro 1:18-19, diz que fomos resgatados não com prata ou ouro, mas com o sangue de Cristo.

Isso aqui é importante, porque é fácil tirar a conclusão errada. A cruz não diz que você merecia ser salvo. Ela diz que Deus quis salvar você, e que para isso pagou o preço mais alto que existe. Valor e mérito não são a mesma coisa. Mérito é o que você ganha; valor é o que alguém está disposto a dar por você.

O pecado não cancela o valor — ele o torna caro. Foi exatamente porque a imagem de Deus em nós estava quebrada que o Filho veio restaurá-la, e o que ele pagou revela quanto o original valia para ele. Lembra de Isaías 43:4, "darei homens em troca da sua vida"? Na cruz, Deus deu o próprio Filho.

O que a Bíblia chama de valor numa pessoa

Há um segundo sentido de "valor" nas Escrituras, e confundir os dois gera muita angústia desnecessária. Um é o valor que você tem, por ser imagem de Deus e por ter sido comprado por Cristo. O outro é o valor que você constrói — o caráter, a palavra confiável, a vida que vale a pena ter por perto. Provérbios fala quase sempre deste segundo.

Que o amor e a fidelidade jamais o abandonem.

Prenda-os ao redor do pescoço,

escreva-os na tábua do seu coração.

Então, você terá o favor e a aprovação

aos olhos de Deus e dos homens.(Ariñawagúni 3:3,4, NVI)

O conselho é concreto: amor e fidelidade atados ao pescoço, como um colar que não se tira, e escritos no coração, onde ninguém vê. O resultado é "favor aos olhos de Deus e dos homens". Note que aqui o valor é relacional e é cultivado — não substitui o primeiro tipo, mas o expressa.

Esse versículo assusta quem lê rápido: "o coração dos ímpios vale muito pouco". Mas Provérbios não está avaliando a vida de uma pessoa diante do Criador; está avaliando o que sai dela. A fala do justo é "prata escolhida" — pode-se confiar, tem peso, serve. O que vem do coração do ímpio não serve para nada de bom. É juízo sobre caráter, não sobre a dignidade humana — e a prova é que o mesmo livro manda cuidar do pobre e do estrangeiro justamente porque Deus os fez.

A "mulher de valor" (em hebraico, eshet chayil, mulher de força) fecha o livro de Provérbios como um retrato do caráter que vale "muito mais que os rubis". O que a torna valiosa, nos versículos seguintes, não é beleza nem posição, mas trabalho, generosidade, sabedoria e temor do Senhor (Provérbios 31:30). Quando a Bíblia elogia uma pessoa, elogia isso.

Juntar os dois sentidos dá a visão completa: você não precisa construir o seu valor — ele já foi dado —, mas é chamado a viver de um jeito que faça jus a ele.

Quando o valor está seguro, a vida pode ser gasta

Paulo é o melhor exemplo de alguém que entendeu os dois lados. Ele sabia que era amado e comprado por Cristo. E justamente por isso podia dizer coisas que, fora desse contexto, soariam como desprezo por si mesmo.

Porque, em Cristo Jesus, nem a circuncisão, nem a incircuncisão têm valor algum, mas a fé que atua pelo amor.(Galasiana 5:6, NAA)

Na Galácia, cristãos estavam sendo convencidos de que precisavam da circuncisão para ter valor diante de Deus — uma marca externa que os colocasse no grupo certo. Paulo responde que, em Cristo, nem ter nem não ter a marca "têm valor algum" (a NAA mantém a palavra; a NVI traduz como "efeito algum"). O que vale é "a fé que atua pelo amor". A credencial não acrescenta nada ao que Cristo já deu; o que importa é se aquilo que você crê vira amor concreto.

Todavia, não me importo nem considero a minha vida de valor algum para mim mesmo, desde que eu termine a corrida e complete o ministério que o Senhor Jesus me confiou: testemunhar do evangelho da graça de Deus.(Adügaü 20:24, NVI)

E aqui o paradoxo. O mesmo Paulo que ensina que fomos comprados por alto preço diz que não considera a própria vida "de valor algum para mim mesmo". Isso não é baixa autoestima. É o oposto: alguém tão seguro do que vale para Deus que não precisa mais proteger esse valor para si. Ele pode gastar a vida na corrida que recebeu, porque sabe que ela não vai se perder.

Quem precisa provar valor segura a vida com as duas mãos. Quem já tem o valor garantido pode abrir as mãos.

Por que eu me sinto sem valor, então?

Se tudo isso está escrito, por que a sensação de não valer nada é tão comum, inclusive entre quem crê?

Em parte porque o sentimento de valor e o fato do valor são coisas diferentes, e o sentimento costuma ser formado por outras fontes: o que ouvimos em casa quando crianças, a rejeição de alguém que importava, o fracasso que ficou gravado, a comparação diária com vidas que parecem melhores. Nada disso muda o que Deus disse sobre você — mas tudo isso fala mais alto no dia a dia, porque está mais perto do ouvido.

Vale lembrar a quem Jesus dirigiu as palavras sobre os pardais: a gente com medo, prestes a ser rejeitada e perseguida. Ele não esperou que se sentissem valiosos para dizer que eram. Falou do valor exatamente no momento em que o sentimento ia contra.

Na prática, o que a Bíblia oferece não é uma técnica para se sentir melhor, e sim um lugar firme para pôr os pés enquanto o sentimento oscila: você foi feito à imagem de Deus, foi comprado pelo sangue de Cristo, e cada cabelo seu está contado. Isso é verdade quando você acorda bem e quando acorda mal. A autoestima sobe e desce; o valor que Deus atribuiu não se move.

E se a sensação de não valer nada for persistente, pesada, acompanhada de desânimo que não passa, vale procurar ajuda profissional, sem culpa. Deus cuida de nós também por meio de pessoas preparadas. Buscar essa ajuda não contradiz a fé — é tratar com seriedade uma vida que, segundo o próprio Deus, vale muito.

O pardal, o cabelo e você

Volte ao versículo que abriu esta página. Jesus não disse "você é especial" nem "acredite em si mesmo". Ele apontou para o pardal mais barato do mercado e disse que nem esse escapa ao olhar do Pai — e que você vale mais do que muitos deles.

Para entender o peso dessa frase, leia Mateus 10 inteiro e veja a quem ela foi dita.

Todo ser humano tem valor para Deus, ou só quem crê?

Todo ser humano. O valor nasce da criação à imagem de Deus (Gênesis 1:26-27), que vale para toda pessoa, crente ou não — é por isso que a Bíblia trata qualquer vida humana como inviolável (Gênesis 9:6). A fé em Cristo não cria esse valor; ela o restaura e o leva ao seu propósito, que é viver em comunhão com quem nos fez.

Ter valor diante de Deus significa que eu mereço a salvação?

Não. Valor e mérito são coisas diferentes. Mérito é o que você ganha com o que faz; valor é o que alguém está disposto a dar por você. A Bíblia diz que Cristo morreu por nós "quando ainda éramos pecadores" (Romanos 5:8) — ou seja, sem mérito nenhum da nossa parte. O preço pago revela quanto valemos para Deus, não quanto merecíamos.

Qual é a diferença entre valor e autoestima na Bíblia?

Autoestima é como você se sente a respeito de si mesmo, e varia com o dia, as circunstâncias e o que os outros dizem. Valor, no sentido bíblico, é o que você é diante de Deus por ter sido criado à sua imagem e comprado por Cristo — e isso não muda com o sentimento. A Bíblia não promete alta autoestima; oferece um fundamento que fica firme quando ela cai.

O que era o "asse" em Mateus 10?

O asse (do grego assarion) era uma pequena moeda romana de cobre, equivalente a um dezesseis avos do denário — e o denário era o salário de um dia de trabalho. Com um asse se compravam dois pardais, o alimento mais barato do mercado. Jesus escolheu de propósito o exemplo de menor valor para dizer que nem ele escapa ao cuidado do Pai.

Deus valoriza mais algumas pessoas do que outras?

Quanto à dignidade da pessoa, não: todos são imagem de Deus e Cristo morreu por pecadores sem distinção. O que a Bíblia faz é distinguir o valor que a pessoa tem do valor que ela constrói — o caráter, a palavra confiável, a fé que age em amor (Provérbios 10:20; Gálatas 5:6). Deus elogia o segundo, mas o primeiro é dado a todos igualmente.

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