Sofrimento
Bem conheço os desígnios que mantenho para convosco – oráculo do Senhor –, desígnios de prosperidade e não de calamidade, de vos garantir um futuro e uma esperança.
A vida de fé não está livre de conflitos. Talvez um dos maiores desafios seja compreender o sofrimento e lidar com a pergunta que tantas vezes surge diante da dor: por que isso está acontecendo? Especialmente quando vemos pessoas que amamos enfrentando doenças, perdas, injustiças e outras situações que parecem não fazer sentido.
Temos dificuldade em aceitar o sofrimento, principalmente quando ele chega à nossa própria vida. Quando alguém sofre, muitas vezes encontramos palavras para oferecer apoio, consolo e esperança. Mas, quando a dor é nossa, essas mesmas palavras podem parecer muito mais difíceis de colocar em prática.
A sociedade em que vivemos também contribui para essa dificuldade. Somos constantemente estimulados a buscar prazer, conforto, satisfação e conquistas. Por isso, quando as coisas não saem como esperamos, o sofrimento nos confronta com uma realidade da qual gostaríamos de fugir. A fé cristã, porém, não promete uma vida sem aflições. Jesus deixou isso claro ao dizer que, neste mundo, teríamos aflições, mas também nos chamou a ter bom ânimo porque ele venceu o mundo.
Quando olhamos para Jesus, encontramos o maior exemplo de alguém que enfrentou o sofrimento sem abandonar sua missão. Isaías havia anunciado que o Servo do Senhor sofreria e levaria sobre si as nossas dores e transgressões. A cruz não foi um acidente nem um obstáculo inesperado no caminho de Cristo; fez parte da obra de redenção. Seu sofrimento, porém, não significa que todo sofrimento humano tenha uma explicação imediata ou que devamos procurar a dor como se ela fosse boa em si mesma.
Não é bom sofrer. A dor de uma doença, a perda de alguém, um problema aparentemente sem solução, a rejeição ou a solidão são experiências reais e dolorosas. Ainda assim, as Escrituras mostram que Deus pode usar até mesmo períodos difíceis para produzir perseverança, amadurecer nossa fé e nos tornar mais preparados para consolar outras pessoas que também atravessam momentos de sofrimento. Paulo afirma que a tribulação produz perseverança, e a perseverança produz experiência e esperança.
Por isso, não precisamos romantizar o sofrimento nem fingir que a dor não dói. Podemos lamentar, chorar, pedir socorro e continuar confiando em Deus. Ele não promete que nunca sofreremos, mas promete estar conosco e sustentar aqueles que nele confiam. Em Cristo, o sofrimento não tem a palavra final.
Deus lhe abençoe!
Aureliano Guimarães Júnior.
“Só nos curamos de um sofrimento depois de o haver suportado até ao fim.”
— Marcel Proust.