Fazer porque é, e não para ser!
E se isso é devido à graça de Deus, então não é mais pelas obras. Se fosse, então a graça não seria a verdadeira graça.
Paulo resume, nesse texto, um dos maiores problemas enfrentados pela descendência de Abraão, povo que surgiu a partir do juramento solene que Deus fez ao patriarca. O que começou como uma relação de justiça pela fé foi, aos poucos, se degradando até dar lugar a um religiosismo baseado em obras. Os hebreus do tempo de Paulo eram profundamente apegados às tradições. Com o tempo, porém, essas tradições se tornaram tão fortes que acabaram substituindo a fé e a verdadeira adoração por práticas religiosas realizadas não como consequência da fé, mas como condição para obter o favor de Deus. Julgavam-se especiais, superiores e até mesmo os preferidos de Deus por causa de suas obras, mas seus corações já não eram aquecidos pela fé. Negligenciavam a misericórdia e desprezavam a graça de Deus (Oséias 6:6; Mateus 9:13).
Esse continua sendo um mal recorrente na humanidade. Temos a tendência de nos apegar às obras, aos rituais e às tradições como forma de aliviar a consciência, enganada pelo nosso falso senso de justiça. Muitas vezes nos dedicamos a boas ações, como ajudar os necessitados, visitar os enfermos ou socorrer quem sofre. No entanto, frequentemente fazemos questão de divulgar aquilo que, segundo Jesus, deveria permanecer em segredo, a ponto de a mão esquerda não saber o que faz a direita (Mateus 6:3).
Também corremos o risco de transformar disciplinas espirituais em vitrine. Registramos jejuns e orações para exibição, buscando reconhecimento em vez de comunhão com Deus. Em vez de anunciar o amor de Deus e o Evangelho de Cristo, podemos acabar promovendo a nossa igreja, os nossos resultados ou a nossa própria capacidade de realizar grandes feitos. Sem perceber, colocamos Deus em segundo plano, quando o correto é que ele cresça e nós diminuamos (João 3:30).
Devemos, sim, praticar boas obras. Devemos cuidar dos que sofrem, servir ao próximo, realizar grandes coisas para Deus e oferecer a ele um culto digno e reverente. Porém, fazemos tudo isso porque já fomos alcançados pela graça, e não para conquistá-la. As boas obras são fruto da salvação, nunca a sua causa.
Deus lhe abençoe!
"Se as doutrinas de Jesus sempre tivessem sido pregadas com a pureza de quando saíram de seus lábios, todo o mundo civilizado seria atualmente cristão." (Thomas Jefferson)