A conta que a gente cobra
Suportem uns aos outros e perdoem as queixas que tiverem uns contra os outros. Perdoem como o Senhor os perdoou.
A pia cheia de louça que alguém esqueceu, o tom ríspido numa conversa rápida pela manhã, a mensagem respondida com frieza no meio do expediente. Na correria do dia a dia, é quase automático abrir uma caderneta mental e começar a anotar os tropeços de quem vive ou trabalha com a gente. Cada pequeno deslize ganha uma linha e um valor acumulado.
O problema dessa conta é que ela nunca fecha. Quanto mais registramos as falhas alheias, mais pesada se torna a convivência. Passamos a esperar o próximo erro apenas para confirmar o nosso papel de vítima ou justificar o nosso mau humor. Sem perceber, ter razão passa a importar mais do que preservar o vínculo.
O apóstolo Paulo orienta a comunidade com duas atitudes que andam juntas: suportar e perdoar. Suportar tem a ver com dar espaço ao outro, reconhecendo que ninguém acerta o tempo todo e que a convivência exige paciência com as limitações alheias. Já o perdão entra quando a queixa é legítima e a ofensa realmente aconteceu. O padrão proposto não é o merecimento de quem errou, mas a gratuidade do perdão que nós mesmos já recebemos de Cristo.
Hoje, quando surgir aquela vontade de cobrar uma dívida antiga ou apontar mais uma falta na rotina da sua casa ou do seu trabalho, experimente rasgar a caderneta mental. Perdoar não significa ignorar o que fere, mas recusar o veneno de acumular ressentimentos pelo caminho.
Senhor, ajuda-me a não manter um registro de ofensas contra quem caminha comigo. Quando a paciência faltar, lembra-me da Tua imensa misericórdia para com as minhas próprias fraquezas, para que eu viva hoje com um coração leve e disposto a perdoar. Amém.