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Devocional Diário

27
Terça
Out

A conta que a gente cobra

Suportem uns aos outros e perdoem as queixas que tiverem uns contra os outros. Perdoem como o Senhor os perdoou.

A pia cheia de louça que alguém esqueceu, o tom ríspido numa conversa rápida pela manhã, a mensagem respondida com frieza no meio do expediente. Na correria do dia a dia, é quase automático abrir uma caderneta mental e começar a anotar os tropeços de quem vive ou trabalha com a gente. Cada pequeno deslize ganha uma linha e um valor acumulado.

O problema dessa conta é que ela nunca fecha. Quanto mais registramos as falhas alheias, mais pesada se torna a convivência. Passamos a esperar o próximo erro apenas para confirmar o nosso papel de vítima ou justificar o nosso mau humor. Sem perceber, ter razão passa a importar mais do que preservar o vínculo.

O apóstolo Paulo orienta a comunidade com duas atitudes que andam juntas: suportar e perdoar. Suportar tem a ver com dar espaço ao outro, reconhecendo que ninguém acerta o tempo todo e que a convivência exige paciência com as limitações alheias. Já o perdão entra quando a queixa é legítima e a ofensa realmente aconteceu. O padrão proposto não é o merecimento de quem errou, mas a gratuidade do perdão que nós mesmos já recebemos de Cristo.

Hoje, quando surgir aquela vontade de cobrar uma dívida antiga ou apontar mais uma falta na rotina da sua casa ou do seu trabalho, experimente rasgar a caderneta mental. Perdoar não significa ignorar o que fere, mas recusar o veneno de acumular ressentimentos pelo caminho.

Senhor, ajuda-me a não manter um registro de ofensas contra quem caminha comigo. Quando a paciência faltar, lembra-me da Tua imensa misericórdia para com as minhas próprias fraquezas, para que eu viva hoje com um coração leve e disposto a perdoar. Amém.

Francisco Gracino da SilvaMarcelo Henrique
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Prévia de Amanhã

A medida exata

Como a integridade nas menores decisões do cotidiano revela quem realmente somos diante de Deus.
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Devocional de Ontem

26
Segunda
Out

A conversa pendente

— Portanto, se você estiver apresentando a sua oferta diante do altar e ali se lembrar de que o seu irmão tem algo contra você, deixe a sua oferta ali, diante do altar, e vá primeiro reconciliar-se com o seu irmão; depois, volte e apresente a sua oferta.

Você muda de calçada sem querer, desvia o olhar no corredor do trabalho ou finge que não viu a notificação chegar. Não houve um grande escândalo nem uma discussão pública, apenas um desentendimento que ninguém teve coragem de desatar. O tempo passou, a poeira cobriu o assunto, mas a distância ficou ali, silenciosa e pesada no peito.

A gente costuma achar que a vida espiritual acontece apenas dentro da igreja ou nos momentos em que fechamos os olhos para orar. Como se o relacionamento com Deus corresse numa pista isolada, protegida do chão irregular das nossas relações humanas. Mas Jesus desfaz essa ilusão com uma clareza desconcertante.

No Sermão do Monte, ele descreve alguém no meio do ato religioso mais solene de sua época: levando a própria oferta ao altar. A pessoa já está diante do sacerdote, pronta para cultuar. Mas Jesus ordena que ela pare tudo. Se ali ela se lembrar de que um irmão tem algo contra ela, a prioridade muda de lugar: deixar a oferenda diante do altar, ir atrás da pessoa ferida e se reconciliar primeiro. Só depois disso o culto faz sentido.

Deus não aceita solenidade religiosa para encobrir frieza no trato com os outros. A comunhão com o Pai nunca ignora o irmão machucado na sala ao lado. A verdadeira adoração não serve de atalho para contornar o pedido de perdão que a gente sabe que precisa fazer.

A resposta bíblica não exige discursos grandiosos nem resolver todo o passado de uma vez só. Ela cabe num gesto concreto hoje: mandar uma mensagem curta e sincera, admitir que passou do ponto ou dizer com desarmamento: podemos conversar alguns minutos? A reação do outro você não controla. Mas a sua parte — soltar o orgulho e abrir a porta da reconciliação — pode ser feita antes que o dia acabe.

Senhor, perdoa o orgulho que me faz adiar conversas necessárias. Dá-me mansidão para reconhecer meus erros e coragem para dar o primeiro passo rumo à paz com o meu próximo. Amém.

Will JessyGeovana Miranda
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Devocional de Anteontem

25
Domingo
Out

A régua do vizinho

Cada um examine os próprios atos e, então, poderá ter orgulho de si mesmo, sem se comparar com ninguém,

Cinco minutos de intervalo, a tela do celular destravada e uma sucessão rápida de vidas impecáveis: a casa nova do colega, a promoção de quem começou depois, a viagem que parece tão distante da sua realidade. Sem que você perceba, o café esfria e um incômodo silencioso se instala. Fica a impressão amarga de que todo mundo encontrou um atalho para a vida, enquanto você segue patinando na mesma rotina de contas e deveres.

A comparação quase nunca avisa que está entrando. Ela opera por contraste injusto: compara os bastidores cansativos da nossa vida real com a vitrine cuidadosamente editada do outro. O resultado é sempre o mesmo: passamos a desprezar a mesa que temos porque a toalha do vizinho parece mais alva. Perdemos a capacidade de agradecer pelo que recebemos porque gastamos a atenção vigiando o prato ao lado.

Paulo aponta o antídoto em Gálatas: examinar os próprios atos. Diante de Deus, a prestação de contas não é em pelotão, mas individual. A satisfação verdadeira nasce quando olhamos com sinceridade para o chão que nos cabe cultivar, sem precisar da régua alheia para saber se estamos no rumo. Deus não vai perguntar por que você não chegou onde o outro chegou; Ele vai perguntar com que cuidado você tratou o que confiou a você.

Hoje, se a sensação de estar ficando para trás bater à porta, desvie os olhos da tela e da vida alheia. Olhe para as tarefas concretas deste dia, para quem divide a mesa com você e para as sementes que já estão no seu bolso. A bênção do outro não diminui a sua.

Senhor, limpa meus olhos da inveja disfarçada e da pressa de competir. Ensina-me a honrar o lugar e o momento em que me colocaste, cuidando com fidelidade e alegria daquilo que me deste para fazer hoje. Amém.

Cláudia Regina (Kaká)Maria Elizabeth Cintra
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