1 Foi do agrado de Dn 5.31Dario constituir sobre o reino Et 1.1cento e vinte Dn 3.2sátrapas, que estivessem por todo o reino; 2 e, sobre eles, três presidentes, dos quais Dn 2.48-49;5.16,29Daniel era um, a fim de que esses sátrapas lhes dessem conta e que o rei Ed 4.22;Et 7.4não sofresse dano. 3 Então, o mesmo Daniel Dn 1.20sobrepujava a esses presidentes e aos sátrapas, porque nele havia Dn 5.12,14;9.23um espírito excelente; e o rei pensava em o constituir Gn 41.40;Et 10.3sobre o reino todo.
4 Nisto os presidentes e os sátrapas Dn 3.8;Gn 43.18;Jz 14.4;Jr 20.10;Lc 20.20procuravam ocasião contra Daniel quanto ao reino; porém Lc 20.26;23.14-15não puderam achar ocasião ou culpa, porquanto ele era Dn 6.22fiel, e não se achava nele nenhum erro nem culpa. 5 Disseram, pois, esses homens: Não acharemos alguma ocasião contra este Daniel, se não o acharmos contra ele pelo que diz respeito At 24.13-16,20-21à lei do seu Deus. 6 Então, os presidentes e sátrapas foram juntos ao rei e lhe disseram assim: Ó rei Dario, Dn 6.21;Dn 5.10vive eternamente. 7 Todos os Dn 3.2,27presidentes do rei, os deputados, os sátrapas, os conselheiros e os governadores, juntamente, Sl 59.3;62.4;64.2-6;83.1-3tomaram conselho para estabelecer um estatuto real e fazer um interdito forte, que todo homem que, por espaço de trinta dias, fizer uma petição a qualquer deus ou a qualquer homem, exceto a ti, ó rei, será Dn 6.16;Dn 3.6;Sl 10.9lançado na cova dos leões. 8 Agora, pois, ó rei, Et 3.12;8.10;Is 10.1estabelece o interdito e assina a escritura, para que não se mude, Dn 6.12,15;Et 1.19;8.8conforme a lei dos medos e dos persas, que não se pode revogar. 9 Por isso, o rei Dario Sl 118.9;146.3assinou a escritura e o interdito.
10 Quando Daniel soube que a escritura estava assinada, entrou em sua casa (ora, na sua câmara estavam abertas as janelas que olhavam 1Rs 8.48-49;Sl 5.7;Jn 2.4para Jerusalém); três vezes no dia, Sl 95.6punha-se de joelhos, Dn 9.4-19;Lc 14.26;At 4.17,19e orava, e Sl 34.1;Fp 4.6;1Ts 5.17-18rendia ações de graças diante de seu Deus, como antes costumava fazer. 11 Então, esses homens Dn 6.6;Sl 37.32-33foram juntos e acharam a Daniel fazendo petições e súplicas diante de seu Deus. 12 Depois, chegando-se eles, Dn 3.8-12;At 16.19-21falaram na presença do rei a respeito do interdito real: Não assinaste um interdito que, durante o espaço de trinta dias, todo homem que fizesse uma petição a qualquer deus ou a qualquer homem, exceto a ti, ó rei, fosse lançado na cova dos leões? Respondeu o rei e disse: Isso é a verdade, conforme Dn 6.8;Et 1.19a lei dos medos e dos persas, que não se pode revogar. 13 Então, responderam e disseram diante do rei: Esse Daniel, que é um dos Dn 2.25;5.13filhos do cativeiro de Judá, Dn 3.12;Et 3.8;At 5.29não faz caso de ti, ó rei, nem Dn 6.9do interdito que assinaste, porém três vezes no dia Dn 6.10faz as suas petições. 14 Tendo, pois, o rei ouvido essas palavras, ficou muito Mc 6.26contrariado e pensou em Daniel para o livrar; e até o pôr do sol trabalhou para o salvar. 15 Então, esses homens foram juntos ao rei e lhe disseram: Sabe, ó rei, que é uma Dn 6.8,12;Et 8.8;Sl 94.20-21lei dos medos e dos persas que nenhum interdito nem estatuto, que o rei estabelecer, pode ser mudado.
16 Nisso passou o rei as ordens, e trouxeram a Daniel Dn 6.7;2Sm 3.39;Jr 38.5e lançaram-no na cova dos leões. Dn 6.20;Dn 3.17,28;Jó 5.19;Sl 37.39-40Ora, falou o rei e disse a Daniel: O teu Deus, a quem continuamente serves, te livrará. 17 Uma Lm 3.53;Mt 27.66pedra foi trazida e posta sobre a boca do covil; e o rei a selou com o seu anel e com o anel dos seus grandes, para que, no tocante a Daniel, nada se mudasse. 18 Depois, o rei se foi para o seu palácio e passou a noite 2Sm 12.16-17em jejum; não foram trazidos à sua presença instrumentos de música, Dn 2.1;Et 6.1;Sl 77.4e fugiu dele o sono.
19 Então, o rei se levantou pela manhã, muito cedo, e foi com pressa à cova dos leões. 20 Chegando-se ele à cova, a Daniel, clamou com voz triste; falou o rei e disse a Daniel: Daniel, servo do Dn 6.26Deus vivo, porventura, Dn 6.16,27o teu Deus, a quem continuamente serves, Dn 3.17;Gn 18.14;Nm 11.23;Jr 32.17pode livrar-te dos leões? 21 Logo, disse Daniel ao rei: Dn 6.6Ó rei, vive eternamente. 22 O meu Deus Dn 3.28;Nm 20.16;Is 63.9;At 12.11enviou o seu Anjo Sl 91.11-13;2Tm 4.17;Hb 11.33e fechou as bocas aos leões; eles não me fizeram mal algum, porque foi achada em mim Dn 6.4;Gn 40.15;1Sm 24.10;Sl 84.11;Is 3.10inocência diante dele; também diante de ti, ó rei, não tenho cometido delito algum. 23 Nisso Dn 6.14,18se alegrou muito o rei e ordenou que tirassem da cova a Daniel. Assim foi Daniel tirado da cova, Dn 3.25,27e não se achou nele lesão alguma, porque ele havia Dn 3.17,28;1Cr 5.20;2Cr 20.20;Sl 118.8-9;Is 26.3confiado em seu Deus.
24 O rei deu ordens, e foram trazidos aqueles homens que tinham acusado a Daniel. Dt 19.18-19;Et 7.10Foram lançados na cova dos leões, eles, Dt 24.16;2Rs 14.6;Et 9.10seus filhos e suas mulheres; e ainda não tinham chegado ao fundo da cova, quando os leões Sl 54.5se apoderaram deles Is 38.13e lhes esmigalharam todos os ossos.
25 Então, o rei Dario escreveu a todos Dn 4.1;Ed 1.1-2;Et 3.12;8.9os povos, nações e línguas que habitam em toda a terra: Ed 4.17;1Pe 1.2Paz vos seja multiplicada! 26 Dn 3.29;Ed 6.8-12;7.13,21Faço um decreto que em todo o domínio do meu reino, Sl 99.1-3;Is 66.2;Jr 10.10tremam os homens e temam diante do Deus de Daniel, pois ele é Dn 6.20;Os 1.10;Rm 9.26o Deus vivo Sl 93.1-2;Ml 3.6e que permanece para sempre; o seu reino é o que Dn 4.3;7.14,27não será destruído, e o seu domínio durará até Sl 145.12-13;Is 9.7o fim. 27 Ele Dn 6.22livra, e salva, e faz milagres e Dn 4.2-3,34maravilhas no céu e na terra; foi ele quem livrou a Daniel do poder dos leões.
28 Daniel, pois, prosperava no reinado de Dario e no reinado de Dn 1.21;10.1;2Cr 36.22-23Ciro, o persa.
1 Dario, o medo, recebeu a realeza mais ou menos com a idade de sessenta e dois anos.
2 Aprouve a Dario, o medo, constituir e espalhar por todo o seu reino cento e vinte sátrapas,
3 submetidos a três ministros, um dos quais era Daniel, a quem eles teriam de prestar contas, a fim de que os interesses do rei nunca fossem lesados.
4 Ora, Daniel, devido à superioridade de seu espírito, levava vantagem sobre os ministros e sátrapas e, com isso, o rei sonhava em pô-lo à frente de todo o reino.
5 Por isso, ministros e sátrapas procuravam um meio de acusar Daniel em relação à sua administração. Mas não puderam descobrir pretexto algum, nem falta, porque ele era íntegro e nada de faltoso e repreensível se encontrava nele.
6 Esses homens disseram, então: "Não acharemos motivo algum de acusação contra esse Daniel, a não ser naquilo que diz respeito à Lei de seu Deus".
7 Então, ministros e sátrapas vieram tumultuosamente procurar o rei e lhe disseram: "Rei Dario, longa vida ao rei!
8 Os ministros do reino, os prefeitos, os sátrapas, os conselheiros e os governadores estão todos de acordo em que seja publicado um edito real com uma interdição, estabelecendo que aquele que nesses trinta dias dirigir preces a um deus ou homem qualquer que seja, além de ti, ó rei, seja jogado na cova dos leões.
9 Promulga pois, ó rei, esta interdição, e manda fazer um documento, a fim de que, conforme o estabelecido na lei definitiva dos medos e dos persas, não possa ser revogada".
10 Em consequência, o rei Dario fez redigir o documento contendo a referida interdição.
11 Ouvindo essa notícia, Daniel entrou em sua casa, a qual tinha no quarto de cima janelas que davam para o lado de Jerusalém. Três vezes ao dia, ajoelhado, como antes, continuou a orar e a louvar a Deus.
12 Então, esses homens acorreram amotinados e encontraram Daniel em oração, invocando seu Deus.
13 Foram imediatamente ao palácio do rei e disseram-lhe, a respeito do edito real de interdição: "Não promulgaste, ó rei, uma proibição estabelecendo que quem nesses trinta dias invocasse algum deus ou homem qualquer que fosse, à exceção tua, seria jogado na cova dos leões?". "Certamente" – respondeu o rei –, "(assim foi feito) segundo a lei dos medos e dos persas, que não pode ser modificada."
14 "Pois bem" – continuaram –, "Daniel, o deportado de Judá, não tem consideração nem por tua pessoa nem por teu decreto: três vezes ao dia ele faz sua oração."
15 Ouvindo essas palavras, o rei, bastante contrariado, tomou contudo a resolução de salvar Daniel, e nisso esforçou-se até o pôr do sol.
16 Mas os mesmos homens novamente o vieram procurar em tumulto: "Saibas, ó rei" – disseram-lhe – "que a lei dos medos e dos persas não permite derrogação alguma a uma proibição ou a uma medida publicada em edito pelo rei".
17 Então, o rei deu ordem para trazerem Daniel e o jogarem na cova dos leões. "Que o Deus, que tu adoras com tanta fidelidade" – disse-lhe – "queira ele mesmo salvar-te!"
18 Trouxeram uma pedra, que foi rolada sobre a abertura da cova; o rei lacrou-a com seu sinete e com o dos grandes, a fim de que nada fosse modificado em relação a Daniel.
19 De volta a seu palácio, o rei passou a noite sem nada tomar, e sem mandar vir concubina alguma para junto de si. Não conseguiu adormecer.
20 Logo ao amanhecer, levantou-se e dirigiu-se a toda pressa à cova dos leões.
21 Quando se aproximou, chamou Daniel com voz cheia de tristeza: "Daniel" – disse-lhe –, "servo de Deus vivo, teu Deus que tu adoras com tanta fidelidade terá podido salvar-te dos leões?!".
22 Daniel respondeu-lhe: "Senhor, vida longa ao rei!
23 Meu Deus enviou seu anjo e fechou a boca dos leões; eles não me fizeram mal algum, porque a seus olhos eu era inocente e porque contra ti também, ó rei, não cometi falta alguma".
24 Então o rei, todo feliz, ordenou que se retirasse Daniel da cova. Foi ele assim retirado sem traço algum de ferimento, porque tinha tido fé em seu Deus.
25 Por ordem do rei, mandaram vir então os acusadores de Daniel, que foram jogados na cova dos leões com suas mulheres e seus filhos. Não haviam tocado o fundo da cova, e já os leões os agarraram e lhes trituraram os ossos!
26 Então, o rei Dario escreveu: "A todos os povos, a todas as nações e aos povos de todas as línguas que habitam sobre a terra, felicidade e prosperidade!
27 Por mim é ordenado que em toda a extensão de meu reino se mantenha perante o Deus de Daniel temor e tremor. É o Deus vivo, que subsiste eternamente; seu reino é indestrutível e seu domínio é perpétuo.
28 Ele salva e livra, faz milagres e prodígios no céu e sobre a terra: foi ele quem livrou Daniel das garras dos leões".
29 Foi assim que Daniel prosperou durante o reinado de Dario e durante o de Ciro, o persa.