Quem eram os publicanos na época de Jesus e o que faziam
Publicanos eram os cobradores de impostos que trabalhavam para Roma
Os publicanos eram homens — na maioria judeus — que cobravam impostos e pedágios para o governo que dominava a Judeia e a Galileia no tempo de Jesus. Não eram funcionários públicos com salário fixo: eram particulares que compravam o direito de cobrar um tributo, adiantavam o valor ao governo e depois recuperavam o dinheiro do povo, com lucro em cima. Quanto mais arrancassem, mais ganhavam.
Por isso ninguém gostava deles. Para o judeu comum, o publicano reunia tudo o que havia de errado: servia a um império pagão, enriquecia à custa do vizinho e vivia em contato com estrangeiros e dinheiro sujo. "Publicanos e pecadores" virou uma expressão só, quase um nome composto.
E é exatamente com essa gente que Jesus se senta à mesa. Um deles, sentado no posto de cobrança de Cafarnaum, ouve duas palavras e vira apóstolo:
Quando Jesus saiu dali, viu um homem chamado Mateus sentado na coletoria e lhe disse:
— Siga-me!
Ele se levantou e o seguiu.(Mateus 9:9)
Para entender o peso dessa cena — e das outras duas em que um publicano aparece no centro da história — vale saber como esse sistema funcionava e por que ele pesava tanto.
Como funcionava a cobrança de impostos no Império Romano
Roma não tinha uma Receita Federal. O que tinha era um sistema de arrematação: o Estado estimava quanto um imposto podia render numa região e vendia esse direito de cobrança a quem fizesse a melhor oferta. O arrematante pagava adiantado, e a partir daí o problema era dele. Se recolhesse menos do que pagou, perdia. Se recolhesse mais, o excedente era seu.
Olha a consequência óbvia: todo o incentivo do sistema empurrava o cobrador a exigir mais do que o justo. A lei fixava tabelas, mas quem fiscalizava era o próprio interessado, e o camponês que reclamasse não tinha a quem recorrer.
Havia dois grandes tipos de tributo. Os impostos diretos — sobre a terra e sobre cada pessoa, o chamado tributo per capita — eram na época de Jesus cobrados pela administração provincial, com ajuda das lideranças locais. Já os impostos indiretos — pedágios de estrada, taxas de porto, tarifas sobre mercadoria que cruzava uma fronteira — eram os que ficavam nas mãos dos arrematantes. É nesse segundo grupo que estão os publicanos dos Evangelhos.
Isso explica onde eles aparecem. Cafarnaum ficava na margem do lago da Galileia, perto da fronteira entre o território de Herodes Antipas e o de seu irmão Filipe, numa rota de comércio. Quem passasse com peixe, grão ou tecido pagava na coletoria. Jericó ficava na saída do vale do Jordão para Jerusalém, com uma estrada movimentada e um comércio valioso de bálsamo e tâmaras. Um posto de pedágio ali rendia muito — e Zaqueu, que era chefe dos cobradores de Jericó, era rico.
Quando as multidões foram a João Batista perguntar o que deviam fazer para mudar de vida, os publicanos também foram. A resposta dele revela qual era o pecado típico da profissão:
Também alguns publicanos chegaram para ser batizados e perguntaram a João:
— Mestre, o que devemos fazer?
Ele respondeu:
— Não cobrem mais do que o estipulado.(Lucas 3:12,13)
João não mandou que largassem o ofício. Mandou que parassem de cobrar além da tabela. Isto é, o problema não era cobrar imposto; era a extorsão que o sistema praticamente garantia.
O que significam publicanus, telones e architelones
Três palavras aparecem quando se estuda o assunto, e cada uma conta uma parte da história.
Publicanus é latim. Vem de publicum, a renda pública, o dinheiro do Estado. Em Roma, os publicani eram originalmente grandes empresários — muitos da ordem dos cavaleiros — que formavam sociedades para arrematar contratos do governo, inclusive a cobrança de impostos em províncias inteiras. Quando a Bíblia foi traduzida para o latim, essa palavra foi usada para os cobradores dos Evangelhos, e dela veio o nosso "publicano".
Telones é a palavra que os Evangelhos usam, em grego. Ela junta telos, que aqui significa imposto, taxa, aquilo que se paga, com um verbo que quer dizer comprar ou arrematar. O telones é, literalmente, "aquele que comprou o imposto" — a pessoa que arrematou o direito de cobrar. A palavra já traz dentro de si o mecanismo do negócio.
Architelones aparece uma única vez no Novo Testamento, em Lucas 19:2, para descrever Zaqueu. O prefixo archi- indica chefia, como em "arquiteto" ou "arcanjo". Zaqueu era o chefe dos cobradores de Jericó: provavelmente ele arrematava o contrato da região e tinha outros publicanos trabalhando abaixo dele, cada um com sua coletoria. Era o topo da cadeia — e, portanto, o mais rico e o mais odiado.
Na prática, o publicano que o judeu comum via no dia a dia era o telones da ponta: o homem sentado na mesa de cobrança, pesando a mercadoria e exigindo a taxa. Mateus era um desses.
Por que os publicanos eram tão odiados
O desprezo pelos publicanos não vinha de uma única causa. Três motivos se somavam, e cada um bastaria sozinho.
Eram vistos como traidores
Roma era um poder pagão ocupando a terra prometida. Pagar imposto a Roma já doía; servir a Roma cobrando esse imposto dos próprios irmãos era outra coisa. O publicano era o rosto judeu da ocupação. Quando o povo pagava a taxa, não pagava a um soldado estrangeiro — pagava a um vizinho que escolheu lucrar com a dominação.
Há um detalhe que agrava isso: na Galileia, o imposto nem ia direto para Roma, mas para Herodes Antipas, um governante que boa parte do povo considerava corrupto e meio pagão. Em qualquer dos casos, o dinheiro saía da mão do pobre e ia para quem o oprimia, e o publicano era quem fazia essa ponte.
Eram considerados ladrões
Pela estrutura do sistema, o publicano ganhava a diferença entre o que pagou ao governo e o que arrancou do povo. A tentação de inflar a conta era permanente, e a reputação da classe refletia isso. A tradição rabínica posterior, registrada na Mishná, coloca os cobradores de impostos na mesma categoria dos ladrões e assaltantes. Quando Zaqueu fala em devolver o que tomou "por extorsão" (Lucas 19:8), ele não está confessando um pecado raro; está admitindo o que todo mundo já presumia.
Eram tidos como impuros
O terceiro motivo é religioso. O publicano lidava o dia inteiro com gentios — comerciantes de passagem, soldados, funcionários do governo — e com dinheiro que circulava por mãos pagãs. Para quem levava a sério as regras de pureza ritual, isso o colocava num estado permanente de contaminação. A tradição rabínica chegava a dizer que, se um cobrador de impostos entrasse numa casa, a casa toda ficava impura.
Esses três motivos se misturam numa única pergunta que os fariseus fazem aos discípulos quando veem Jesus comendo na casa de Mateus:
Vendo isto, os fariseus perguntavam aos discípulos de Jesus:
— Por que o Mestre de vocês come com os publicanos e pecadores?(Mateus 9:11)
Reparou na dupla? "Publicanos e pecadores." É quase um termo técnico. O próprio Jesus usa a expressão "gentio e publicano" para descrever a situação de quem, depois de repreendido pela igreja, se recusa a ouvir (Mateus 18:17) — ou seja, alguém que passou a ser tratado como quem está do lado de fora. Isso mostra como a palavra funcionava na linguagem comum: publicano era o exemplo pronto de quem estava excluído.
Quais restrições a sociedade impunha a eles
O desprezo não ficava só no sentimento. A tradição judaica, como aparece nos escritos rabínicos, traduzia isso em regras concretas.
O publicano não podia servir de testemunha em juízo. Sua palavra não valia, porque se presumia que era desonesto. Também não se devia aceitar esmola vinda do caixa de um cobrador de impostos, porque aquele dinheiro era considerado roubado — e receber coisa roubada era ser cúmplice. Trocar dinheiro com ele era desaconselhado pelo mesmo motivo.
No plano religioso, o publicano era mantido afastado da vida de sinagoga e da mesa das famílias piedosas. Comer com ele era partilhar da sua impureza. Esse é o ponto que torna a cena da casa de Mateus tão escandalosa: não era só má companhia; era, aos olhos dos religiosos, uma contaminação voluntária.
Vale ser honesto sobre as fontes aqui. Essas regras estão em textos rabínicos compilados depois do tempo de Jesus, principalmente a Mishná, no final do segundo século. Elas refletem uma tradição que provavelmente já existia no primeiro século, mas não dá para afirmar com certeza que cada detalhe valia exatamente assim na Galileia dos anos 30. O que os Evangelhos confirmam, sem depender dessas fontes, é a essência: publicano era sinônimo de pecador e de excluído.
Todos os publicanos eram judeus?
Os que aparecem nos Evangelhos, sim. Mateus é chamado para ser um dos Doze e, pelo que sabemos, escreveu depois o Evangelho que traz o seu nome. De Zaqueu, Jesus diz que "também ele é filho de Abraão" (Lucas 19:9) — uma frase que só faz sentido se ele era judeu e se os presentes agiam como se ele não fosse. Os publicanos que procuraram João Batista no Jordão também eram judeus arrependidos, dentro de uma multidão judaica.
Isso é coerente com a lógica do sistema. Roma arrematava os grandes contratos para sociedades de romanos ricos, mas a cobrança na ponta precisava de gente do lugar: quem conhecia as estradas, a língua, as famílias, quem sabia quanto cada comerciante podia pagar. Um estrangeiro não serviria para isso. Então o grande publicanus romano podia ser um cavaleiro em Roma, mas o telones da coletoria de Cafarnaum era um galileu.
É isso, aliás, que explica a profundidade do ódio. Se os cobradores fossem romanos, seriam inimigos. Como eram judeus, eram traidores. A diferença é grande.
Levi, o cobrador de Cafarnaum que virou apóstolo
A primeira história é a mais curta e talvez a mais impressionante. Jesus está em Cafarnaum, passa pelo posto de cobrança à beira do caminho e vê um homem sentado ali, no trabalho. Diz "segue-me". O homem levanta e vai.
Marcos e Lucas chamam esse homem de Levi (Marcos 2:14; Lucas 5:27); Mateus o chama de Mateus (Mateus 9:9). A leitura tradicional, que a maioria dos comentaristas evangélicos e católicos compartilha, é que se trata da mesma pessoa com dois nomes — coisa comum na época, como Simão que é Pedro. A lista dos Doze em Mateus 10:3 ainda acrescenta "Mateus, o publicano", como se o autor não quisesse esconder de onde veio.
Olha o que está em jogo nessa cena. Um pescador que larga a rede pode voltar a pescar no mês seguinte. Um publicano que larga a coletoria perde o contrato, e o contrato não é dele — alguém já estará sentado no lugar amanhã. Era um caminho sem volta. E Mateus foi.
O que ele faz em seguida diz muito: oferece um jantar em casa e convida os colegas. Lucas chama de "grande banquete" (Lucas 5:29). A casa fica cheia de publicanos — a única gente que aceitava ir à casa de um publicano. E Jesus está no meio deles, reclinado à mesa, o que no mundo antigo era o gesto mais claro de aceitação e amizade.
É nesse banquete que os fariseus fazem a pergunta que já vimos, e Jesus responde com a imagem do médico: quem está bem não precisa de médico; ele veio para os doentes. Depois cita Oseias — "misericórdia quero, e não sacrifício" — e fecha com a frase que organiza todo o seu ministério: não veio chamar justos, mas pecadores.
O publicano que orou a distância no Templo
A segunda história não é um episódio real, mas uma parábola. Jesus a conta, segundo Lucas, para pessoas que "confiavam em si mesmas, crendo que eram justas, e desprezavam os outros" (Lucas 18:9). Dois homens subiram ao Templo para orar: um fariseu e um publicano.
O fariseu ora de pé, confiante, e sua oração é na verdade um relatório: não sou ladrão, não sou adúltero, jejuo duas vezes por semana, dou o dízimo de tudo. E agradece a Deus por não ser "como este publicano". O publicano, por sua vez, nem se aproxima:
O publicano, estando em pé, longe, nem mesmo ousava levantar os olhos para o céu, mas batia no peito, dizendo: "Ó Deus, tem pena de mim, que sou pecador!"(Lucas 18:13)
Cada detalhe da postura dele conta algo. Ficar de longe: ele sabe que não tem lugar ali. Não levantar os olhos: a oração judaica normalmente se fazia com o rosto voltado para cima. Bater no peito: gesto de luto e de dor, raro entre homens, reservado para a angústia extrema. E a oração em si tem uma única frase, sem lista de méritos, porque ele não tem nenhum.
Jesus conclui que este, e não o outro, "voltou para casa justificado" (Lucas 18:14). A palavra é jurídica: declarado justo diante do tribunal de Deus. Não porque o publicano fosse bom — ele não era, e não finge que é — mas porque pediu misericórdia, e Deus a dá a quem pede.
Vale notar que Jesus escolheu de propósito os dois extremos sociais. Se tivesse colocado um pescador e um carpinteiro, a história não teria força. Ele pegou o religioso exemplar e o pária absoluto e inverteu o resultado esperado. Quem ouvia sabia exatamente o que um publicano era, e o choque foi calculado.
Zaqueu, o chefe dos publicanos de Jericó
A terceira história volta a ser um episódio real, e é a única em que aparece um architelones. Jesus está passando por Jericó, na última viagem para Jerusalém. Zaqueu quer vê-lo, mas é baixo, a multidão não abre caminho — e a gente pode imaginar que ninguém abriria caminho justamente para ele. Então ele corre à frente e sobe numa figueira brava, um sicômoro, de copa larga e galhos baixos.
Um homem rico subindo em árvore em público era ridículo. Zaqueu aceitou o ridículo para ver Jesus passar. E Jesus para debaixo da árvore, chama-o pelo nome e diz que precisa ficar na casa dele hoje. A multidão murmura: hospedar-se na casa do chefe dos extorsores da cidade era o pior lugar possível.
A resposta de Zaqueu vem antes de qualquer sermão. Ele se põe de pé e anuncia:
Zaqueu, por sua vez, se levantou e disse ao Senhor:
— Senhor, vou dar a metade dos meus bens aos pobres. E, se roubei alguma coisa de alguém, vou restituir quatro vezes mais.(Lucas 19:8)
Dá uma olhada nos números. Metade dos bens para os pobres, e depois, do que sobrou, restituição em quatro vezes a quem foi extorquido. A Lei de Moisés exigia, no caso de fraude confessada voluntariamente, devolver o valor mais um quinto (Levítico 6:5). A restituição em quatro ou cinco vezes só se aplicava ao ladrão de gado pego no ato (Êxodo 22:1). Zaqueu escolhe para si mesmo a pena mais dura, a do ladrão flagrado — ele se trata como o pior caso previsto na lei. E faz isso sem que ninguém o obrigue.
Jesus então declara que "hoje veio a salvação a esta casa" e termina com a frase que resume o episódio: o Filho do Homem veio buscar e salvar o que se havia perdido (Lucas 19:10). Zaqueu era, para a cidade inteira, um caso perdido. Jesus foi atrás justamente dele.
O que essas três histórias ensinam
Juntas, as três histórias mostram um padrão, e o padrão é o ponto.
Primeiro: Jesus foi acusado, repetidamente e com razão, de ser "amigo de publicanos e pecadores" (Mateus 11:19). Ele não negou. Transformou a acusação em descrição do próprio ministério. O médico vai aonde está o doente; o pastor vai atrás da ovelha que saiu. Jesus não esperava que o publicano se limpasse para então aceitá-lo. Ele ia à casa, sentava à mesa, e a mudança vinha depois do encontro — não antes dele.
Segundo: a graça não é aprovação. Nenhuma das histórias sugere que Jesus achava a extorsão aceitável. Mateus deixou a coletoria. O publicano da parábola se declarou pecador. Zaqueu devolveu em dobro do que a lei pedia. A misericórdia que Jesus oferece produz arrependimento concreto, com consequência no bolso e na agenda. Quem recebe de graça não fica igual.
Terceiro: a lógica religiosa de "quem merece" é invertida. Jesus chegou a dizer aos líderes religiosos que "os publicanos e as prostitutas" entrariam no reino de Deus antes deles, porque creram na mensagem de João quando os religiosos não creram (Mateus 21:31-32). O critério nunca foi a ficha limpa. Foi reconhecer a necessidade e se voltar para quem pode socorrer.
Isso diz algo sobre a leitura dessas passagens hoje. É fácil ler a parábola do fariseu e do publicano e se identificar com o publicano — ele é o simpático da história. Mas quem procura "quem eram os publicanos" para entender a Bíblia melhor está, provavelmente, mais perto do fariseu que do publicano, e a parábola foi contada para gente assim. A pergunta que ela deixa não é "quem são os publicanos de hoje", mas "de que lado da oração eu estou".
"Não vim chamar justos, mas pecadores"
Tudo volta à mesa na casa de Mateus. O publicano de Cafarnaum ouviu "segue-me" no meio do expediente e levantou; os colegas dele encheram a sala; os fariseus reclamaram da porta; e Jesus respondeu com a frase que explica por que ele estava ali e por que estava aqui:
Vão e aprendam o que significa: "Quero misericórdia, e não sacrifício." Pois não vim chamar justos, e sim pecadores.(Mateus 9:13)
Leia a cena inteira em Mateus 9:9-13 — e depois os paralelos em Marcos 2:13-17 e Lucas 5:27-32, onde o mesmo homem é chamado de Levi.
Mateus e Levi eram a mesma pessoa?
A leitura tradicional da igreja é que sim. Marcos 2:14 e Lucas 5:27 chamam o cobrador de Cafarnaum de Levi; Mateus 9:9 o chama de Mateus, e a lista dos Doze em Mateus 10:3 acrescenta "Mateus, o publicano". Dois nomes para uma mesma pessoa era comum entre judeus da época, como Simão e Pedro. Nem todos os estudiosos concordam, mas a identificação é antiga e amplamente aceita.
Jesus mandou os publicanos abandonarem a profissão?
Não há registro de que tenha mandado. João Batista, em Lucas 3:12-13, disse aos cobradores que não exigissem mais do que o fixado — ou seja, que trabalhassem com honestidade, não que deixassem o ofício. Zaqueu, em Lucas 19:8, promete restituir o que extorquiu, mas o texto não diz que largou a função. Mateus deixou a coletoria porque foi chamado para ser apóstolo, não porque a profissão fosse proibida.
Jesus era contra pagar impostos a Roma?
Não. Quando lhe perguntaram se era lícito pagar tributo a César, ele respondeu que se desse a César o que é de César e a Deus o que é de Deus (Mateus 22:21). O problema que a Bíblia aponta nos publicanos nunca foi a cobrança em si, e sim a extorsão e a desonestidade que o sistema de arrematação incentivava.
Por que Zaqueu devolveu quatro vezes, e não apenas o valor?
A Lei de Moisés exigia, para quem confessava uma fraude por conta própria, devolver o valor mais um quinto (Levítico 6:5). A restituição em quatro vezes era a pena do ladrão de gado pego no ato (Êxodo 22:1). Zaqueu aplicou a si mesmo a pena mais severa, sem ser obrigado, como sinal de arrependimento genuíno.
A palavra "publicano" ainda é usada hoje?
Fora do contexto bíblico, praticamente não. Ela sobreviveu nas traduções da Bíblia por causa do latim publicanus, que a Vulgata usou para traduzir o grego telones. Em traduções mais recentes, como a NVI, muitas vezes aparece "cobrador de impostos" no lugar, que é o sentido direto da palavra.
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