1 Depois disso, Jesus andava pelas cidades e aldeias anunciando a Boa-Nova do Reino de Deus.
2 Os Doze estavam com ele, como também algumas mulheres que tinham sido livradas de espíritos malignos e curadas de enfermidades: Maria, chamada Madalena, da qual tinham saído sete demônios;
3 Joana, mulher de Cuza, procurador de Herodes; Susana e muitas outras, que o assistiram com as suas posses. (= Mt 13,1-23; 5,15 = Mc 4,1-25)
4 Havia se reunido uma grande multidão: eram pessoas vindas de várias cidades para junto dele. Ele lhes disse esta parábola:
5 "Saiu o semeador a semear a sua semente. E, ao semear, parte da semente caiu à beira do caminho; foi pisada, e as aves do céu a comeram.
6 Outra caiu no pedregulho; e, tendo nascido, secou, por falta de umidade.
7 Outra caiu entre os espinhos; cresceram com ela os espinhos, e sufocaram-na.
8 Outra, porém, caiu em terra boa; tendo crescido, produziu fruto cem por um". Dito isso, Jesus acrescentou alteando a voz: "Quem tem ouvidos para ouvir, ouça!".
9 Os seus discípulos perguntaram-lhe a significação desta parábola.
10 Ele respondeu: "A vós é concedido conhecer os mistérios do Reino de Deus, mas aos outros se lhes fala por parábolas; de forma que vendo não vejam, e ouvindo não entendam.
11 Eis o que significa esta parábola: a semente é a Palavra de Deus.
12 Os que estão à beira do caminho são aqueles que ouvem; mas depois vem o demônio e lhes tira a palavra do coração, para que não creiam nem se salvem.
13 Aqueles que a recebem em solo pedregoso são os ouvintes da Palavra de Deus que a acolhem com alegria; mas não têm raiz, porque creem até certo tempo, e na hora da provação a abandonam.
14 A que caiu entre os espinhos, estes são os que ouvem a palavra, mas, prosseguindo o caminho, são sufocados pelos cuidados, riquezas e prazeres da vida, e assim os seus frutos não amadurecem.
15 A que caiu na terra boa são os que ouvem a palavra com coração reto e bom, retêm-na e dão fruto pela perseverança.
16 Ninguém acende uma lâmpada e a cobre com um vaso ou a põe debaixo da cama; mas a põe sobre um castiçal, para iluminar os que entram.
17 Porque não há coisa oculta que não acabe por se manifestar, nem secreta que não venha a ser descoberta.
18 Vede, pois, como é que ouvis. Porque ao que tiver lhe será dado; e ao que não tiver até aquilo que julga ter lhe será tirado". (= Mt 12,46-50 = Mc 3,31-35)
19 A mãe e os irmãos de Jesus foram procurá-lo, mas não podiam chegar-se a ele por causa da multidão.
20 Foi-lhe avisado: "Tua mãe e teus irmãos estão lá fora e desejam ver-te".
21 Ele lhes disse: "Minha mãe e meus irmãos são estes, que ouvem a Palavra de Deus e a observam". (= Mt 8,18.23-27 = Mc 4,35-41)
22 Num daqueles dias ele subiu com os seus discípulos a uma barca. Disse ele: "Passemos à outra margem do lago." E eles partiram.
23 Durante a travessia, Jesus adormeceu. Desabou então uma tempestade de vento sobre o lago. A barca enchia-se de água, e eles se achavam em perigo.
24 Aproximaram-se dele então e o despertaram com este grito: "Mestre, Mestre! Nós estamos perecendo!". Levantou-se ele e ordenou aos ventos e à fúria da água que se acalmassem; e se acalmaram e logo veio a bonança.
25 Perguntou-lhes, então: "Onde está a vossa fé?". Eles, cheios de respeito e de profunda admiração, diziam uns aos outros: "Quem é este, a quem os ventos e o mar obedecem?". (= Mt 8,28-34 = Mc 5,1-20)
26 Navegaram para a região dos gerasenos, que está defronte da Galileia.
27 Mal saltou em terra, veio-lhe ao encontro um homem dessa região, possuído de muitos demônios; há muito tempo não se vestia nem parava em casa, mas habitava no cemitério.
28 Ao ver Jesus, prostrou-se diante dele e gritou em alta voz: "Por que te ocupas de mim, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? Rogo-te, não me atormentes!".
29 Porque Jesus ordenara ao espírito imundo que saísse do homem. Pois há muito tempo que se apoderara dele, e guardavam-no preso em cadeias e com grilhões nos pés, mas ele rompia as cadeias e era impelido pelo demônio para os desertos.
30 Jesus perguntou-lhe: "Qual é o teu nome?". Ele respondeu: "Legião!". (Porque eram muitos os demônios que nele se ocultavam.)
31 E pediam-lhe que não os mandasse ir para o abismo.
32 Ora, andava ali pastando no monte uma grande manada de porcos; rogaram-lhe os demônios que lhes permitisse entrar neles. Ele permitiu.
33 Saíram, pois, os demônios do homem e entraram nos porcos; e a manada de porcos precipitou-se pelo despenhadeiro, impetuosamente no lago, e afogou-se.
34 Quando aqueles que os guardavam viram o acontecido, fugiram e foram contá-lo na cidade e pelo campo.
35 Saíram eles, pois, a ver o que havia ocorrido. Chegaram a Jesus e acharam a seus pés, sentado, vestido e calmo, o homem de quem haviam sido expulsos os demônios; e, tomados de medo,
36 ouviram das testemunhas a narração desse exorcismo.
37 Então, todo o povo da região dos gerasenos rogou a Jesus que se retirasse deles, pois estavam possuídos de grande temor. Jesus subiu à barca, para regressar.
38 Nesse momento, pedia-lhe o homem, de quem tinham saído os demônios, para ficar com ele. Mas Jesus despediu-o, dizendo:
39 "Volta para casa, e conta quanto Deus te fez". E ele se foi, publicando por toda a cidade essas grandes coisas... (= Mt 9,18-26 = Mc 5,21-43)
40 À sua volta, Jesus foi recebido por uma multidão que o esperava.
41 O chefe da sinagoga, chamado Jairo, foi ao seu encontro. Lançou-se a seus pés e rogou-lhe que fosse à sua casa,
42 porque tinha uma filha única, de uns doze anos, que estava para morrer. Jesus dirigiu-se para lá, comprimido pelo povo.
43 Ora, uma mulher que padecia dum fluxo de sangue havia doze anos, e tinha gasto com médicos todos os seus bens, sem que nenhum a pudesse curar,
44 aproximou-se dele por detrás e tocou-lhe a orla do manto; e, no mesmo instante, lhe parou o fluxo de sangue.
45 Jesus perguntou: "Quem foi que me tocou?" Como todos negassem, Pedro e os que com ele estavam disseram: "Mestre, a multidão te aperta de todos os lados...".
46 Jesus replicou: "Alguém me tocou, porque percebi sair de mim uma força".
47 A mulher viu-se descoberta e foi tremendo e prostrou-se aos seus pés; e declarou diante de todo o povo o motivo por que o havia tocado, e como logo ficara curada.
48 Jesus disse-lhe: "Minha filha, tua fé te salvou; vai em paz".
49 Enquanto ainda falava, veio alguém e disse ao chefe da sinagoga: "Tua filha acaba de morrer; não incomodes mais o Mestre".
50 Mas Jesus o ouviu e disse a Jairo: "Não temas; crê somente e ela será salva".
51 Quando Jesus chegou à casa, não deixou ninguém entrar com ele, senão Pedro, Tiago, João com o pai e a mãe da menina.
52 Todos, entretanto, choravam e se lamentavam. Mas Jesus disse: "Não choreis; a menina não morreu, mas dorme."
53 Zombavam dele, pois sabiam bem que estava morta.
54 Mas segurando ele a mão dela, disse em alta voz: "Menina, levanta-te!".
55 Voltou-lhe a vida e ela levantou-se imediatamente. Jesus mandou que lhe dessem de comer.
56 Seus pais ficaram tomados de pasmo; Jesus ordenou-lhes que não contassem a pessoa alguma o que se tinha passado. (= Mt 10,5-14 = Mc 6,7-13)
1 In seguito egli se ne andava per città e villaggi, predicando e annunciando la buona notizia del regno di Dio; 2 con lui erano i dodici e certe donne che erano state guarite da spiriti maligni e da infermità: Maria, detta Maddalena, dalla quale erano usciti sette demòni; 3 Giovanna, moglie di Cuza, amministratore di Erode; Susanna e molte altre che assistevano Gesù e i suoi con i loro beni.
4 Ora come si riuniva gran folla e la gente di ogni città accorreva a lui, egli disse in parabola:
5 "Il seminatore uscì a seminare la sua semenza; mentre seminava, una parte del seme cadde lungo la strada, fu calpestato e gli uccelli del cielo lo mangiarono. 6 Un’altra cadde sulla roccia e, come fu nato, seccò perché non aveva umidità. 7 Un’altra cadde in mezzo alle spine e le spine, nate insieme con il seme, lo soffocarono. 8 Un’altra parte cadde nella buona terra e, germogliata, fruttò il cento per uno". Dicendo queste cose, esclamava: "Chi ha orecchi da udire, oda!".
9 I suoi discepoli gli domandarono che volesse dire questa parabola. 10 Ed egli disse: "A voi è dato di conoscere i misteri del regno di Dio, ma agli altri se ne parla in parabole, affinché vedendo non vedano, e udendo non intendano.
11 Ora questo è il senso della parabola: il seme è la parola di Dio. 12 Quelli lungo la strada sono coloro che hanno udito, ma poi viene il diavolo e porta via la Parola dal loro cuore, affinché non credano e non siano salvati. 13 Quelli sulla roccia sono coloro i quali, quando hanno udito la Parola, la ricevono con gioia, ma costoro non hanno radice, credono per un tempo e, quando viene la prova, si tirano indietro. 14 E quello che è caduto fra le spine, sono coloro che hanno udito, ma se ne vanno e restano soffocati dalle preoccupazioni, dalle ricchezze e dai piaceri della vita e non arrivano a maturità. 15 E quello che è in buona terra, sono coloro i quali, dopo aver udito la Parola, la ritengono in un cuore onesto e buono e portano frutto con perseveranza".
16 "Nessuno, accesa una lampada, la copre con un vaso, o la mette sotto il letto; anzi, la mette sul candeliere, perché chi entra veda la luce. 17 Poiché non c’è nulla di nascosto che non debba manifestarsi né di segreto che non debba sapersi e venire alla luce. 18 Badate dunque a come ascoltate, perché a chi ha, sarà dato, ma a chi non ha, anche ciò che pensa di avere gli sarà tolto".
19 Sua madre e i suoi fratelli vennero a lui, ma non potevano avvicinarglisi a motivo della folla. 20 Allora gli fu riferito: "Tua madre e i tuoi fratelli sono là fuori, che ti vogliono vedere". 21 Ma egli, rispondendo, disse loro: "Mia madre e miei fratelli sono quelli che ascoltano la parola di Dio e la mettono in pratica".
22 Un giorno egli entrò in una barca con i suoi discepoli e disse loro: "Passiamo all’altra riva del lago". E presero il largo. 23 Mentre navigavano, egli si addormentò; e si abbatté sul lago un turbine di vento, tanto che la barca si riempiva d’acqua, ed essi erano in pericolo. 24 Essi, accostatisi, lo svegliarono, dicendo: "Maestro, Maestro, siamo perduti!". Ma egli, destatosi, sgridò il vento e i flutti che si calmarono, e si fece bonaccia. 25 Poi disse loro: "Dov’è la vostra fede?". Ma essi, impauriti e meravigliati, dicevano l’uno all’altro: "Chi è mai costui che comanda anche ai venti e all’acqua e gli ubbidiscono?".
26 Approdarono nel paese dei Geraseni, che sta di fronte alla Galilea. 27 Quando egli fu sceso a terra, gli venne incontro un uomo della città, il quale era posseduto da demòni; da lungo tempo non indossava vestiti e non abitava in una casa, ma stava fra i sepolcri. 28 Quando vide Gesù, dato un gran grido, gli si prostrò davanti e disse a gran voce: "Che c’è fra me e te, o Gesù, Figlio del Dio Altissimo? Ti prego, non mi tormentare". 29 Poiché Gesù comandava allo spirito immondo di uscire da quell’uomo; molte volte, infatti, esso se ne era impadronito e, benché lo si fosse legato con catene e custodito in ceppi, aveva spezzato i legami ed era portato via dal demonio nei deserti. 30 Gesù gli domandò: "Qual è il tuo nome?". Ed egli rispose: "Legione", perché molti demòni erano entrati in lui. 31 Ed essi lo pregavano che non comandasse loro di andare nell’abisso. 32 C’era là un branco numeroso di porci che pascolava sul monte e quei demòni lo pregarono di permettere loro di entrare in quelli. Ed egli lo permise. 33 I demòni, usciti da quell’uomo, entrarono nei porci; quel branco si avventò a precipizio giù nel lago e affogò. 34 Quando quelli che li pasturavano videro ciò che era avvenuto, se ne fuggirono e portarono la notizia in città e per la campagna. 35 La gente uscì a vedere l’accaduto; e, venuta a Gesù, trovò l’uomo, dal quale erano usciti i demòni, che sedeva ai piedi di Gesù, vestito e sano di mente, e si impaurì. 36 E quelli che avevano visto, raccontarono loro come l’indemoniato era stato liberato. 37 E l’intera popolazione della circostante regione dei Geraseni pregò Gesù che se ne andasse via da loro, perché erano presi da grande spavento. Egli, montato nella barca, se ne tornò indietro. 38 L’uomo dal quale erano usciti i demòni lo pregava di poter stare con lui, ma Gesù lo rimandò, dicendo: 39 "Torna a casa tua e racconta le grandi cose che Dio ha fatto per te". Ed egli se ne andò per tutta la città, proclamando tutte le grandi cose che Gesù aveva fatto per lui.
40 Al suo ritorno, Gesù fu accolto dalla folla, perché tutti lo stavano aspettando.
41 Ed ecco venire un uomo, chiamato Iairo, che era capo della sinagoga e, gettatosi ai piedi di Gesù, lo pregava di entrare in casa sua, 42 perché aveva una figlia unica di circa dodici anni, che stava per morire. Ora, mentre Gesù vi andava, la folla faceva ressa intorno a lui.
43 Una donna che aveva un flusso di sangue da dodici anni e aveva speso nei medici tutte le sue sostanze senza poter essere guarita da nessuno, 44 accostatasi da dietro, gli toccò il lembo della veste e in quell’istante il suo flusso ristagnò. 45 E Gesù disse: "Chi mi ha toccato?". E siccome tutti negavano, Pietro e quelli che erano con lui risposero: "Maestro, la folla ti stringe e ti preme". 46 Ma Gesù replicò: "Qualcuno mi ha toccato, perché ho sentito che una potenza è uscita da me". 47 E la donna, vedendo che non era rimasta inosservata, venne tutta tremante e, gettatasi ai suoi piedi, dichiarò, in presenza di tutto il popolo, per quale motivo l’aveva toccato e come era stata guarita in un istante. 48 Ma egli le disse: "Figliola, la tua fede ti ha salvata; va’ in pace".
49 Mentre egli parlava ancora, venne uno dalla casa del capo della sinagoga, a dirgli: "Tua figlia è morta; non incomodare più oltre il Maestro". 50 Ma Gesù, udito ciò, rispose a Iairo: "Non temere; solo abbi fede e lei sarà salva". 51 E, arrivato alla casa, non permise a nessuno di entrarvi con lui, salvo che a Pietro, a Giovanni, a Giacomo e al padre e alla madre della fanciulla. 52 Ora tutti piangevano e facevano cordoglio per lei. Ma egli disse: "Non piangete; lei non è morta, ma dorme". 53 E ridevano di lui, sapendo che era morta. 54 Ma egli, presala per la mano, disse ad alta voce: "Fanciulla, alzati!". 55 E il suo spirito tornò; ella si alzò subito ed egli comandò che le si desse da mangiare. 56 I suoi genitori rimasero sbigottiti, ma egli ordinò loro di non dire a nessuno quello che era avvenuto.