1 Ó Deus, nós ouvimos
com os nossos próprios ouvidos
aquilo que os nossos antepassados
nos contaram.
Ouvimos falar das grandes coisas
que fizeste no tempo deles,
há muitos anos.
2 Eles contaram como expulsaste
os povos pagãos
e puseste o teu povo na terra deles.
Contaram como castigaste
as outras nações
e fizeste o teu povo progredir.
3 Não foi com espadas
que os nossos antepassados
conquistaram aquela terra;
não foi com o seu próprio poder
que eles venceram.
Eles venceram com o teu poder,
com a tua força
e com a luz da tua presença.
Assim tu mostraste o teu amor
por eles.
4 Tu és o meu Rei e o meu Deus.
Tu dás a vitória ao teu povo.
5 Com o teu poder
vencemos os nossos inimigos
e, com a tua presença,
derrotamos os nossos adversários.
6 Não é no meu arco que eu confio,
e não é a minha espada
que me dá a vitória.
7 Pois foste tu que nos livraste
dos nossos inimigos
e venceste aqueles que nos odeiam.
8 Nós te louvaremos o dia todo;
nós te somos gratos para sempre.
9 Mas agora, ó Deus,
tu nos rejeitaste
e deixaste que fôssemos derrotados,
pois já não acompanhas
os nossos exércitos.
10 Tu nos fizeste fugir
dos nossos inimigos,
e eles levaram embora
tudo o que tínhamos.
11 Tu nos trataste como se fôssemos
ovelhas que vão para o matadouro
e nos espalhaste
entre as outras nações.
12 Vendeste barato o teu próprio povo,
como se nós tivéssemos pouco valor.
13 Os povos vizinhos,
vendo o que nos fizeste,
caçoam e zombam de nós.
14 Tu nos fizeste motivo de zombaria
para as outras nações;
os outros povos nos desprezam.
15 Estou sempre humilhado
e coberto de vergonha,
16 ouvindo as zombarias
dos meus inimigos
e os insultos dos que querem
se vingar de mim.
17 Tudo isso nos aconteceu,
embora não tivéssemos esquecido de ti,
nem tivéssemos quebrado a aliança
que fizeste com o teu povo.
18 Não fomos infiéis a ti,
nem desobedecemos
aos teus mandamentos.
19 Porém tu nos jogaste, esmagados,
no lugar onde estão
os monstros marinhos
e nos deixaste
na mais profunda escuridão.
20 Se tivéssemos deixado de adorar
o nosso Deus
e orado a algum deus pagão,
21 tu certamente ficarias sabendo disso,
pois conheces os pensamentos secretos
das pessoas.
22 Mas por causa de ti estamos
em perigo de morte o dia inteiro;
somos tratados como ovelhas
que vão para o matadouro.
23 Acorda, Senhor!
Por que estás dormindo?
Levanta-te.
Não nos rejeites para sempre.
24 Por que te escondes de nós?
Por que esqueces
dos nossos sofrimentos
e das nossas aflições?
25 Nós estamos abatidos,
caídos no chão;
estamos vencidos, jogados no pó.
26 Levanta-te e vem ajudar-nos.
Salva-nos por causa do teu amor.
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1 Com os nossos ouvidos temos ouvido, nossos pais nos têm contado, O que fizeste nos seus dias, nos dias antigos.2 Por tuas próprias mãos desapossaste as nações, e os plantaste a eles; Afligiste os povos, e a eles os estendeste largamente.3 Pois não foi pela sua espada que se apossaram da terra, Nem foi o seu braço que os salvou; Mas a tua destra, e o teu braço, e a luz do teu rosto, Porque os favoreceste.4 Tu é que és meu rei, ó Deus; Ordena as salvações de Jacó.5 Com o teu auxílio derrubaremos os nossos adversários. Em teu nome calcaremos aos pés os que se levantam contra nós.6 Pois não confiarei no meu arco, Nem me salvará a minha espada.7 Mas tu nos salvaste dos nossos adversários, E cobriste de vergonha os que nos odeiam.8 Em Deus é que temos gloriado continuamente, E ao teu nome sempre daremos graças. (Selá)9 Mas agora nos lançaste fora, e nos espuseste à ignomínia; E não sais com os nossos exércitos.10 Fazes-nos dar as costas aos nossos adversários, E os que nos odeiam, despojam-nos à vontade.11 Entregaste-nos como ovelhas para alimento, E por entre as nações nos espalhaste.12 Vendes por nada o teu povo, Não lucras com o preço dele.13 Pões-nos por opróbrio aos nossos vizinhos, Por escárnio e zombaria aos que nos rodeiam.14 Pões-nos por provérbio entre as nações, Por menear de cabeça entre os povos.15 Durante o dia todo está diante de mim a minha ignomínia, E me cobriu a vergonha do meu rosto,16 À voz do que afronta e do que blasfema, À vista do inimigo e do vingador.17 Tudo isto é vindo sobre nós; contudo não nos temos esquecido de ti, Nem temos sido infiéis à tua aliança.18 O nosso coração não tem voltado atrás, Nem do teu caminho têm declinado os nossos passos,19 Para nos teres esmagado onde habitam os chacais, E nos teres coberto da sombra da morte.20 Se nos esquecemos do nome do nosso Deus, Ou estendemos as nossas mãos a um Deus estranho;21 Porventura Deus não há de esquadrinhar isso? Pois ele conhece os segredos do coração.22 Mas por amor de ti somos entregues à morte continuamente, Somos considerados como ovelhas para o matadouro.23 Acorda, por que dormes, Senhor? Desperta, não nos enjeites para sempre.24 Por que escondes o teu rosto, E te esqueces da nossa miséria e da nossa opressão?25 Pois a nossa alma está abatida até o pó, Pegado à terra está o nosso ventre.26 Levanta-te em nosso auxílio, E redime-nos por amor da tua benignidade. Canção de amores