23 Jesus afirmou:
― Aquele que comeu comigo do mesmo prato há de me trair. 24 O Filho do homem irá, como está escrito a seu respeito, mas ai daquele por quem o Filho do homem é traído! Melhor seria que não houvesse nascido.
25 Então, Judas, que o trairia, disse:
― Com certeza, não sou eu, Rabi!
Jesus afirmou:
― Foi você quem disse isso.
26 Enquanto comiam, Jesus pegou o pão, deu graças, partiu‑o e o deu aos discípulos, dizendo:
― Peguem e comam; isto é o meu corpo.
27 Em seguida, pegou o cálice, deu graças e o ofereceu aos discípulos, dizendo:
― Bebam dele todos vocês. 28 Isto é o meu sangue da aliança, que é derramado em favor de muitos para perdão de pecados. 29 Eu lhes digo que, de agora em diante, não beberei deste fruto da videira até aquele dia em que beberei o vinho novo com vocês no reino do meu Pai.
30 Depois de terem cantado um hino, saíram para o monte das Oliveiras.
31 Então, Jesus lhes disse:
― Ainda esta noite, todos vocês me abandonarão, pois está escrito:
"Ferirei o pastor,
e as ovelhas do rebanho serão dispersas".
32 ― Mas, depois de ressuscitar, irei adiante de vocês para a Galileia.
33 Pedro respondeu:
― Ainda que todos te abandonem, eu nunca te abandonarei!
34 Jesus respondeu:
― Em verdade lhe digo que ainda esta noite, antes que o galo cante, três vezes você me negará.
35 Pedro, porém, declarou:
― Mesmo que seja preciso que eu morra contigo, nunca te negarei.
E todos os outros discípulos disseram o mesmo.
36 Então, Jesus foi com os seus discípulos para um lugar chamado Getsêmani e lhes disse:
― Sentem‑se aqui enquanto vou ali orar.
37 Levando consigo Pedro e os dois filhos de Zebedeu, começou a ficar triste e angustiado. 38 Então, lhes disse:
― A minha alma está profundamente triste, em uma tristeza mortal. Fiquem aqui e vigiem comigo.
39 Indo um pouco mais adiante, prostrou‑se com o rosto em terra e orou:
― Meu Pai, se for possível, afasta de mim este cálice; contudo, não seja como eu quero, mas como tu queres.
40 Depois, voltou aos seus discípulos e os encontrou dormindo.
― Vocês não puderam vigiar comigo nem por uma hora? — perguntou a Pedro. 41 — Vigiem e orem para que não caiam em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca.
42 Ele se retirou, pela segunda vez, e orou:
― Meu Pai, se não for possível afastar de mim este cálice sem que eu o beba, faça‑se a tua vontade.
43 Quando voltou, de novo os encontrou dormindo, porque os olhos deles estavam pesados. 44 Então, deixou‑os novamente e orou pela terceira vez, dizendo as mesmas palavras.
45 Depois, voltou aos discípulos e lhes disse:
― Vocês ainda dormem e descansam? Chegou a hora! O Filho do homem será entregue nas mãos de pecadores. 46 Levantem‑se e vamos! Aí vem o meu traidor!
47 Enquanto ele ainda falava, Judas, um dos Doze, chegou. Com ele estava uma grande multidão armada de espadas e varas, enviada pelos chefes dos sacerdotes e líderes religiosos do povo. 48 O traidor havia combinado um sinal com eles: "Ele é aquele a quem eu saudar com um beijo; prendam‑no". 49 Dirigindo‑se imediatamente a Jesus, Judas disse:
― Saudações, Rabi!
E o beijou.