Homem: a Bíblia sobre sua criação e queda
Redação Bíblia Online Publicado em
Criado à imagem de Deus e quebrado por escolha própria
A Bíblia responde em duas cenas o que o homem é. Na primeira, Deus o faz à sua imagem e semelhança e lhe entrega a terra para governar — é a criatura mais parecida com o Criador que existe. Na segunda, esse mesmo homem desobedece e se esconde de Deus entre as árvores do jardim, e dali em diante carrega pecado, morte e medo. Tudo o que a Escritura diz sobre o ser humano depois disso — fragilidade, dignidade, redenção — é desdobramento dessas duas cenas, que ficam a três capítulos de distância uma da outra em Gênesis.
Essa é a frase que abre a história do homem:
Aba lubeiti lariñagun:
—Guentoti adüga waméi wügüri. Wenegebei, gabafubei hawagu úduraü, dunuru, ibiñanigu, animaalugu áraabuna hama sun ha aduruuharügübaña múarugu.
Dan le ladügünbalin Bungiu wügüri, lenege guánarügü ladügei, adüga lumuti wügüri adüga würi,
Vale notar o que está ali antes de qualquer interpretação. "Imagem" aparece duas vezes, "semelhança" uma. O homem é criado por último, depois de tudo estar pronto. O domínio sobre peixes, aves e gado vem na mesma frase que a imagem — não é um presente separado. E "homem e mulher os criou": a imagem de Deus é dos dois, não só do macho. O texto não diz que o homem é Deus nem que é um animal entre os outros. Diz que é a criatura feita para parecer com Deus dentro do mundo.
Este artigo faz parte de Histórias da Bíblia Antigo Testamento
O que significa "imagem e semelhança"
As duas palavras hebraicas são tselem (imagem) e demut (semelhança). Tselem é a palavra usada para estátua ou ídolo — uma figura esculpida que representa alguém. Demut é mais abstrata: parecença, o jeito de ser. Juntas, dizem que o homem representa Deus e se parece com ele. Nenhuma das duas sugere forma física, porque a Bíblia insiste que Deus não tem corpo e proíbe fazer imagens dele.
No mundo antigo onde Gênesis foi escrito, essa linguagem tinha um uso conhecido. Reis da Mesopotâmia e do Egito eram chamados de "imagem" do deus que adoravam; o rei governava como representante dele na terra. Olha o que Gênesis faz com isso: tira o título do rei e dá para todo ser humano. Não é o faraó que carrega a imagem de Deus; é o lavrador, a mulher, a criança. Para o leitor da época, isso era revolucionário. Para o leitor de hoje, é o fundamento bíblico de que toda pessoa tem valor que não vem do que ela produz.
A tradição cristã leu "imagem" de três jeitos, e eles não se excluem. A leitura mais antiga, da maioria dos pais da igreja e de Tomás de Aquino, chamada substantiva, vê a imagem nas capacidades que separam o homem do animal: razão, vontade, consciência moral, capacidade de amar. A leitura funcional, forte entre estudiosos do Antigo Testamento, vê a imagem no domínio: o homem é imagem porque governa a terra em nome de Deus, como o rei era imagem do deus. A leitura relacional, associada a Karl Barth e à teologia reformada moderna, vê a imagem na capacidade de relacionamento — com Deus e com o outro, o "homem e mulher" do versículo 27.
A teologia evangélica histórica, que é a leitura adotada aqui, costuma segurar as três juntas: o homem tem capacidades que refletem Deus, as usa para governar como representante dele, e existe em relação. Isso importa para o que vem depois, porque a queda vai atingir as três coisas de uma vez.
O domínio sobre a terra: o que o homem recebeu
Gênesis 1 diz que o homem domina; Gênesis 2 mostra como. Deus forma o homem "do pó da terra" — em hebraico, adam vem de adamah, solo; o nome do primeiro homem é um trocadilho com a terra de onde ele saiu —, sopra nele o fôlego da vida e o põe num jardim "para o cultivar e o guardar". Dá a ele liberdade para comer de toda árvore, menos uma. É isso que domínio significa no texto: cuidar, cultivar, dar nome aos animais, guardar o que foi confiado. Você pode ler a cena completa em Gênesis 2.
Domínio, então, não é posse. O homem governa uma terra que não é dele, e governa debaixo de Deus. A literatura de sabedoria repete isso de várias formas, e vale ver três delas porque elas corrigem um erro comum: achar que "imagem de Deus" quer dizer autonomia.
Bungiu adundehabalin wéibugun,
ida lubati wasubudiruni wasinun guánarügü?(Ariñawagúni 20:24)
Gürigia aransehabaña,
gama lumoun lúmañein Bungiu lagumuhóun dimurei.(Ariñawagúni 16:1)
Aríagu liña Bungiu lun hagaburi sun gürigia,
aríagu liña lun sun hagudárigi.(Ariñawagúni 5:21)
Repare na ordem que os três provérbios montam. O homem anda, mas os passos são dirigidos pelo Senhor. O homem planeja, mas a palavra final é de Deus. O homem escolhe caminhos, mas nenhum fica fora dos olhos do Senhor. Isso não anula a responsabilidade — Provérbios inteiro é um livro sobre escolher bem. Diz apenas qual é a posição do homem: governa como quem presta contas, não como dono. Foi exatamente essa posição que Adão e Eva tentaram abandonar.
A queda: o que aconteceu no jardim
Gênesis 3 é curto e vale ser lido inteiro, mas a sequência é esta. A serpente pergunta à mulher se Deus realmente proibiu a árvore. Depois nega a consequência: "certamente não morrereis". E oferece o motivo para desobedecer: "sereis como Deus, conhecedores do bem e do mal". A mulher come; o homem, que estava com ela, come também. E a primeira coisa que acontece não é a morte. É a vergonha: percebem que estão nus e se cobrem com folhas. A narrativa está em Gênesis 3.
Isso aqui é importante: a tentação não foi "seja mau". Foi "seja como Deus". A serpente ofereceu ao homem exatamente o que ele já era — imagem de Deus — mas sem Deus. O pecado da queda, no fundo, é a criatura querendo ser o padrão de si mesma, decidir sozinha o que é bem e o que é mal. Por isso o versículo seguinte mostra o resultado mais imediato, que não é um raio do céu:
Dan le haganbunbalin éibugañaha lan Wabureme Bungiu ñein lidan fuluri-agei luagu láfuhan lidili garabali rábounweyu, aba héibaagun aramudagua luéi tabadinagua wewe fuluri-ágeirugu.(Agumesehani 3:8)
Até aqui, Deus "passeava no jardim" e isso era normal; agora o som da aproximação dele dá medo. O homem feito para a presença de Deus se esconde dela. A relação — aquela terceira dimensão da imagem — rachou. Quando Deus pergunta "onde estás?", Adão responde com medo e com uma desculpa, e culpa a mulher; a mulher culpa a serpente. Ninguém assume. A capacidade moral está lá, mas virou autodefesa.
Jeremias, séculos depois, descreve o padrão que começou ali:
Lariñahare Aburemei:
«Íñarawaguati sun le adiñurutu lanigi nuéi,
le íchugubalin lemenigin hawagu wügüriña,
afiñe ligía luagu hámaba lan ladarira ídemuei.(Heremíasi 17:5)
"Faz da carne o seu braço" — a imagem é de alguém que apoia o peso do corpo no próprio músculo em vez de em Deus. É Adão no jardim, achando que podia se sustentar sozinho. Tiago mostra o que isso faz por dentro:
Maritagualá lubeiti le lóuguabei afiñe luagu libihuba lan somu katei lúmagiñe Wabureme, lugundun mederaguagüdünti lisaminan ani súnwandan ibidiñe lan lun kaba lan ladüga.(Santiagu 1:7,8)
"Ânimo dobre", no grego dipsychos, é literalmente "alma dupla", alguém com duas almas puxando em direções contrárias. Depois da queda, o homem quer Deus e quer ser Deus ao mesmo tempo, e por isso não para em pé em nenhum caminho. Esse é o retrato bíblico do coração humano sem Cristo: não um monstro, mas alguém dividido.
O que a queda rompeu: pecado, morte e fragilidade
Gênesis 3 descreve as consequências em cadeia: dor no parto, trabalho duro numa terra que resiste, expulsão do jardim e, por fim, a volta ao pó. Paulo resume esse capítulo numa frase:
Ítara kei lídangiñe lan meha aban wügüri lebelura figóu ubouagun, belú ligía óunweni lídangiñe figóu, ítara liña giñe hóunweguba lubéi sun gürigia lugundun afigouhaaña súngubei.(Rómana 5:12)
Leia devagar a lógica do versículo. Por um homem, o pecado entrou. Pelo pecado, a morte. E a morte passou a todos — "porque todos pecaram". Paulo está dizendo duas coisas ao mesmo tempo: que Adão abriu a porta e que cada um de nós passa por ela. A teologia evangélica histórica, seguindo Agostinho, chama isso de pecado original: a humanidade herda de Adão tanto a inclinação para o pecado quanto a sentença da morte. As igrejas orientais leem o mesmo versículo com ênfase diferente — herdamos a mortalidade e a corrupção, não uma culpa pessoal pelo que Adão fez. As duas leituras concordam no essencial: ninguém nasce fora do alcance da queda.
Jó é o livro que mais sente isso na pele, e dois versículos mostram as duas faces da fragilidade. A primeira é a brevidade:
"Poucos dias e farto de inquietação" não é pessimismo; é descrição. Jó perdeu filhos, bens e saúde, e fala do ser humano como quem fala de si. A segunda face é a distância moral entre o homem e Deus, nas palavras de Elifaz, um dos amigos de Jó:
«Gayaraati funagia richagua lan gürigia ligibugiñe Bungiu?
Gayaraati san haruma lan ligibugiñe le adügübalin?(Hobu 4:17)
Vale notar que é Elifaz falando, e o livro de Jó não endossa tudo o que os amigos dizem — eles erram feio ao acusar Jó de pecado escondido. Mas essa frase específica a Bíblia inteira confirma: nenhum homem é mais puro que o Criador. Elifaz usa a verdade do jeito errado, para esmagar um amigo que sofre. A verdade continua verdade.
"Que é o homem?": a pergunta que a Bíblia faz três vezes
Há uma pergunta que atravessa o Antigo e o Novo Testamento com as mesmas palavras. Ela aparece primeiro no Salmo 8: o salmista olha o céu e pergunta "que é o homem, para que dele te lembres?", e a resposta do salmo é Gênesis 1 em forma de canto — Deus o fez pouco menor que os anjos, coroou-o de glória e pôs tudo debaixo dos seus pés. É a dignidade da criação.
Jó pega a mesma pergunta e a vira do avesso:
Kátañanu san gürigia bíchugunbei saragu ibereseni hau?
Ka san uagu badiherida hawagu?(Hobu 7:17)
No salmo, "que é o homem" é espanto de gratidão. Em Jó, é quase uma reclamação: por que Deus dá tanta atenção a uma criatura tão frágil, a ponto de examiná-la e discipliná-la? É a pergunta do homem caído: se somos pó, por que importamos tanto? O autor de Hebreus faz a pergunta pela terceira vez, e dá a resposta que nem o salmista nem Jó tinham ainda:
lubaragiñe lira, lariñahare tidan Lererun:
«Kátañanu san wügüriña lun basaminaruba lan hawagun?
Kátañanu san gürigia lun bebereseduba lan hau?(Ebüréu 2:6)
Hebreus cita o Salmo 8 e, nos versículos seguintes, diz algo que surpreende: ainda não vemos todas as coisas debaixo dos pés do homem — a queda quebrou o domínio —, "mas vemos Jesus". O "filho do homem" que foi coroado de glória e honra é Cristo. A pergunta "que é o homem?" só se responde olhando para o único homem que viveu a imagem de Deus sem rachadura. Isso leva ao que Paulo chama de último Adão.
O último Adão: como Deus refaz o homem
Paulo tem um jeito próprio de contar a história da humanidade: ela tem dois homens no centro. Adão, de quem todos herdamos a imagem caída, e Cristo, que Paulo chama de último Adão. Em 1 Coríntios 15, no meio de um argumento sobre a ressurreição, ele coloca os dois lado a lado:
Ítara liña tariñagun Lererun Bungiu: «Adán le furumiñeti wügüri, aban meha wügüri wínwanti»; ánheinti Kristu, le giñe gíribei lagumuhóun Adán, aban sífiri ligía le íchugubei ibagari. Furumiñe ibiha wamuti ibagari le ubouaguna; lárigiñe, ábame wibihini ibagari le lánina sielu. Le meha furumiñeti wügüri le adügǘbei lau múa, ubouaguna meha; libiaman wügüri le Wabureme Hesukrístu, siéluna. Sun gürigia ubouagu ítara liña hágubu kei lúgubu Adán le adügǘbei lau múa; sun lánigu Kristu, habihuba hágubu kei lúgubu Kristu, le siélunabei. Wágubu guentó, libe lúgubu Adán, le lánina ubóu; gama lumoun lachülürüba weyu lun wibihin amu luwuyeri úgubu libe lúgubu Kristu, le lánina sielu.(1 Korintuna 15:45-49)
O texto é denso, então acompanhe a construção. "Alma vivente" é citação de Gênesis 2:7 — Adão recebeu vida. "Espírito vivificante" é Cristo — ele dá vida. O primeiro homem veio da terra e foi terreno; o segundo veio do céu. E a conclusão, no versículo 49, usa de novo a palavra de Gênesis 1: "assim como trouxemos a imagem do terreno, assim traremos também a imagem do celestial". A imagem que a queda deformou não é consertada por esforço; é trocada. O cristão vai carregar a imagem de Cristo como hoje carrega a de Adão — e Paulo fala no futuro porque está pensando no corpo ressurreto.
Isso tem uma consequência que Efésios desdobra: se há um novo homem, há uma nova humanidade.
Gumuguagüda lumuti lúrudu lau sun burí gumadi lánina lúrudu ligía, adügeina laña huríu hama ha mámabaña huríu lun ábanbaña lan lidan. Ítara liña ladügüni arandaruni wádangua.(Éfesuna 2:15)
"Um novo homem" aqui é coletivo: judeus e gentios, que a lei separava, feitos um só povo em Cristo. A queda tinha espalhado a humanidade em divisão — Caim e Abel, Babel, Israel e as nações. O último Adão começa a reunir. O "homem" que Gênesis 1 criou como um é refeito como um.
O novo homem: a imagem sendo restaurada
Se a troca completa da imagem é futura, algo dela começa agora. Paulo usa o vocabulário de Gênesis quando descreve a vida cristã:
Ánheinti luagu binadu ligaburi habagaridun, lunti hígiruni, le mabuidunhalibei ladüga hayumahan le geyeeraguadibei; iserigua humá lidan hani sífiri luma lidan hisaminan, daügua humá lau iseri igaburi, igaburi le ladügübei Bungiu kei ligaburi guánarügü, lidan irichaü le tímatimaati luma arumani.(Éfesuna 4:22-24)
"Despojar-se do velho homem" e "revestir-se do novo homem" é imagem de roupa — a mesma figura de Gênesis 3, onde o pecado começa com nudez e vergonha e Deus veste Adão e Eva antes de expulsá-los do jardim. Mas o detalhe que importa é o fim do versículo 24: o novo homem é "criado segundo Deus em justiça e santidade". É Gênesis 1:26 de novo. O que Deus faz na conversão não é um conserto na imagem velha; é um novo ato de criação, e Colossenses 3:10 diz isso com todas as letras — o novo homem é renovado "segundo a imagem daquele que o criou".
Só que criação nova é começo, não fim. Paulo fala disso como crescimento:
Dan meha le irahügidina, kei meha irahüñü nadimureha, kei meha irahüñü nasaminara, kei giñe meha irahüñü naritagua; ánheinti dan le wügürihadina, aba nígiruni le hani irahüñü.(1 Korintuna 13:11)
No contexto, Paulo está falando do amor como o que permanece quando os dons passam. Mas a figura serve ao assunto: o novo homem nasce criança e precisa crescer. Deixar as coisas de menino não é uma regra moral; é o movimento natural de quem está sendo refeito à imagem de alguém adulto — e esse alguém é Cristo.
Homem de Deus: o nome que Paulo dá a Timóteo
Há uma expressão no Antigo Testamento reservada a profetas como Moisés, Samuel e Elias: "homem de Deus". Paulo pega esse título e dá a um jovem pastor inseguro em Éfeso:
Ánheinti buguya, Timotéu, keisi aban luwügüriñe Bungiu, anurahabá luéi burí katei le. Barüba aban ibagari le suruti, le lánina gúnfuli luma Bungiu, afiñeni, ínsiñeni, gaguraasuni luma areiduni.(1 Timotéu 6:11)
O versículo vem logo depois do aviso sobre o amor ao dinheiro ser raiz de males. Olha a sequência: foge disto, segue aquilo — justiça, piedade, fé, amor, paciência, mansidão. Essa é a lista de um homem refeito. Nenhum desses itens é força bruta ou sucesso; são as marcas da imagem de Deus funcionando de novo. O homem de Deus não é o super-herói espiritual; é alguém que sabe de que fugir e para onde correr.
E a imagem restaurada aparece também em como ele trata os outros:
Madeinhabá lun aban weiriei mutu; lubaragiñe lira, adimurehabá lun kamá hamuga lun búguchi; óusera báñame nibureingiña keisi bamulenu.(1 Timotéu 5:1)
Timóteo era jovem e precisava corrigir pessoas mais velhas. Paulo diz: faça isso como quem fala com um pai, e trate os jovens como irmãos. O homem que reconhece a imagem de Deus em si reconhece a mesma imagem no outro, e por isso a igreja é tratada como família, não como organização. É um versículo pequeno, mas é Gênesis 1:27 aplicado a uma conversa difícil.
Tudo começa no versículo 26
Dá para voltar agora à primeira frase e lê-la com mais peso. "Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança" é a declaração mais alta que a Bíblia faz sobre o ser humano, e tudo o que veio depois — o esconder-se no jardim, a morte que passou a todos, a pergunta "que é o homem?", o último Adão, o novo homem — é a história do que aconteceu com essa imagem e do que Deus está fazendo para refazê-la.
Leia Gênesis 1 a 3 de uma vez, sem pausa. São três capítulos, e cabem numa sentada. Neles está a dignidade do homem, a queda do homem e a primeira promessa de que a história não acabaria no pó.
O que significa ser criado à imagem de Deus?
Significa que o ser humano foi feito para refletir e representar Deus na terra. As palavras hebraicas são tselem (imagem, como uma estátua que representa alguém) e demut (semelhança). A tradição cristã vê a imagem nas capacidades do homem (razão, vontade, consciência), na função de governar a criação em nome de Deus e na capacidade de relacionamento com Deus e com o próximo. Não se refere a forma física, já que Deus não tem corpo.
A imagem de Deus foi perdida com a queda?
Não foi perdida, mas foi deformada. Gênesis 9:6 e Tiago 3:9 ainda tratam todo ser humano como portador da imagem depois da queda, o que fundamenta o valor da vida. Mas o reflexo ficou distorcido: a relação com Deus rachou, o domínio virou exploração e a consciência moral virou autodefesa. O Novo Testamento fala de o novo homem ser "renovado segundo a imagem daquele que o criou" (Colossenses 3:10) — restauração, não criação do zero.
Por que Jesus é chamado de "último Adão"?
Porque Paulo, em 1 Coríntios 15:45 e Romanos 5, lê a história humana a partir de dois homens representativos. Adão abriu a porta ao pecado e à morte para todos os que descendem dele; Cristo abre a porta à justiça e à vida para todos os que estão nele. "Último" não quer dizer que haverá outros antes dele, mas que ele é o definitivo: depois dele não há outro começo para a humanidade.
Adão e Eva realmente existiram ou são símbolos?
A teologia evangélica histórica, seguida aqui, entende Adão e Eva como pessoas reais, porque Paulo em Romanos 5 e 1 Coríntios 15 trata Adão como figura histórica paralela a Cristo, e Lucas 3:38 o inclui numa genealogia. Há cristãos que leem Gênesis 1–3 como narrativa teológica sem compromisso com um casal literal. As duas leituras concordam que o texto ensina que a humanidade foi criada boa por Deus e caiu por sua própria escolha.
O que mudou na natureza humana depois da queda?
Segundo Gênesis 3 e Romanos 5, entraram a morte, a vergonha, o medo da presença de Deus e a tendência de culpar o outro. A tradição evangélica chama isso de pecado original: a inclinação para o pecado é herdada, não só aprendida. Isso não significa que o homem perdeu a razão ou a capacidade de fazer bem relativo, mas que nenhuma parte dele ficou intacta e que ele não consegue, por conta própria, voltar ao jardim.
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