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Oração por livramento da violência e proteção do lar

Redação Bíblia Online Publicado em

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Uma oração para rezar na porta de casa

Mulher de camiseta vinho, de costas, observa o pôr do sol sobre uma comunidade em colinas.

Esta oração é para a hora em que você confere a tranca e o medo não sai junto com a chave virada. Ela toma emprestadas as palavras do Salmo 46:1 — refúgio, fortaleza, socorro presente — e as põe na sua boca, à sua própria porta. Antes de começar, pare um instante. Respire fundo uma vez e deixe os ombros descerem.

Deus é o nosso refúgio

e fortaleza,

socorro bem presente

na angústia.(Salmos 46:1)

Senhor, tu és o meu refúgio e a minha fortaleza, socorro bem presente nesta angústia que ronda o meu bairro e bate à minha porta.

Guarda esta casa: a porta por onde entro e saio, a janela que fica aberta, o caminho de cada um dos meus até voltar. Livra esta casa da violência, do assalto na esquina, do susto que acorda de madrugada. Olha com misericórdia para esta rua: aquieta as calçadas e dá descanso a quem mora aqui.

Eu tranco o que posso trancar. O resto, que é maior do que eu, deixo contigo. Faz desta casa um abrigo, não um posto de vigia. Amém.

(Salmo 46:1)

Este artigo faz parte de Orações Proteção e Libertação

O que o Salmo 46 estava respondendo

O Salmo 46 não nasceu em paz. Ele é o canto de uma cidade que sente o chão tremer: os versículos 2 e 3 falam da terra que se abala, de montes que caem no mar, de águas que rugem. Uma leitura tradicional liga o salmo a Jerusalém cercada por exércitos — talvez os assírios no tempo de Ezequias — mas o texto não diz quando foi. Diz só o que se sente quando a ameaça está perto demais.

E aí vem a imagem que sustenta tudo: dentro da cidade há um rio, e Deus está no meio dela. Leia o Salmo 46 inteiro, com calma. Ele não promete que a terra vai parar de tremer. Promete que, enquanto ela treme, há um lugar onde se pode ficar.

O Senhor dos Exércitos está conosco;

o Deus de Jacó é o nosso refúgio.

(Selá.)(Salmos 46:7)

Repare na palavra "conosco". Não é um Deus que olha de longe para a casa em risco. É um Deus que mora na mesma rua. Quando você reza "tu és o meu refúgio", está dizendo o que esse salmo descobriu há milhares de anos: o abrigo não é um muro, é uma presença.

Trancar a porta e orar não são coisas rivais

Talvez você se pergunte se orar por proteção é um jeito de não cuidar do que depende de você. Não é. A cidade do salmo tinha muralhas. Prudência é um dom, e checar a porta, avisar quando chegar, olhar a rua antes de sair são gestos de amor pelos seus.

O que a oração faz é outra coisa. Ela recolhe o que a tranca não consegue segurar: o pensamento que fica rodando depois que tudo já foi verificado. Outro salmo diz isso de um jeito direto — se o Senhor não guardar a cidade, em vão vigia a sentinela (Salmo 127:1). A sentinela continua no posto. Só não carrega a cidade sozinha.

Por isso a oração termina onde termina: "eu tranco o que posso trancar; o resto deixo contigo." Essa linha divide o peso. O que é seu, você faz. O que é maior do que você, você entrega.

Quando o medo volta no meio da noite

O corpo que vive em bairro tenso aprende a acordar com qualquer barulho. Você sabe como é: o coração dispara antes de a cabeça entender o que foi. Nessa hora, não é preciso rezar a oração inteira. Basta a primeira frase. "Tu és o meu refúgio." Diga baixo, e respire até o fim da respiração.

O próprio salmo ensina esse gesto. No versículo 10, a voz muda — já não é o povo falando de Deus, é Deus falando ao povo. E o que ele diz é um pedido de silêncio.

Aquietai-vos, e sabei que eu sou Deus;

serei exaltado entre os gentios;

serei exaltado

sobre a terra.(Salmos 46:10)

Aquietar-se não é fingir que o perigo não existe. É parar de lutar com o pensamento por alguns instantes e deixar que outra coisa fale. O que ainda está acordado dentro de você agora? Nomeie isso para Deus, com a palavra que vier. Depois, fique em silêncio um pouco. O silêncio também é oração.

Há uma pergunta difícil que ninguém faz em voz alta: e se acontecer mesmo assim? A Bíblia não promete que a violência nunca vai tocar a sua casa — o salmo começa justamente com a terra tremendo. O que ela promete é que, nesse dia, você não estará sem refúgio. É menos do que gostaríamos de ouvir, e é mais verdadeiro do que qualquer garantia.

Orar pela rua, não só pela porta

Você deve ter notado que a oração não pede só pela sua casa. Pede pelas calçadas, por quem mora na mesma rua. Isso não é enfeite. O povo de Deus, mesmo exilado numa cidade que não era a sua, recebeu a instrução de orar pela paz daquela cidade, "porque na sua paz vós tereis paz" (Jeremias 29:7).

A sua segurança está ligada à do vizinho que você nem conhece. Quando reza "aquieta as calçadas", você está pedindo por ele também — e, de um jeito que custa mais, pelas pessoas que fazem o bairro ser o que é. Não precisa sentir ternura por elas para incluí-las. Basta deixar que o pedido seja maior do que a sua porta.

Antes de apagar a luz

Volte, se quiser, à última linha da oração. Ela é a parte mais curta e a que mais pesa. Depois de conferir o que precisava conferir, sente-se um instante na beira da cama. Pense em cada pessoa desta casa, uma por uma, e no caminho de quem ainda não voltou.

Então diga só isto, devagar: "Senhor, esta noite a vigília é tua. O que é meu, eu fiz. O resto, deixo contigo." Amém.

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