Paulo apresenta a sua defesa
1 At 7.2Irmãos e pais, ouvi a minha defesa, que agora vos faço.
2 (Quando ouviram que ele lhes falava em At 21.40hebraico, guardaram ainda maior silêncio. E continuou:)
3 At 2.3-16; cp.At 9.1-22;26.9-18Eu sou At 21.39judeu, nasci em At 21.39;At 9.11Tarso da At 21.39;At 6.9Cilícia, mas criei-me nesta cidade e instruí-me Dt 33.3;2Rs 4.38; cp.Lc 10.39aos pés de At 5.34Gamaliel, conforme At 26.5;Fp 3.6; cp.At 23.6o rigor da Lei de nossos pais, sendo zeloso para com Deus, assim como At 21.20todos vós o sois no dia de hoje; 4 At 8.3;At 22.19s.e persegui este At 9.2Caminho até a morte, acorrentando e entregando à prisão não só homens, mas também mulheres, 5 como são testemunhas At 9.1o sumo sacerdote e todo o Lc 22.66(Gr.);1Tm 4.14(Gr.); cp.At 5.21(Gr.)conselho dos anciãos, dos quais At 9.2recebi cartas para At 2.29;3.17;13.26;23.1;28.17,21;Rm 9.3os irmãos e segui para At 9.2Damasco com o fim de trazer algemados a Jerusalém os que também ali se achassem, para que fossem punidos. 6 At 22.6-11;At 9.3-8;26.12-18Quando eu ia no caminho, e me aproximava de Damasco, pelo meio-dia, brilhou do céu repentinamente em volta de mim uma grande luz, 7 e caí por terra, e ouvi uma voz que me dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues? 8 Eu perguntei: Quem és tu, Senhor? Respondeu-me ele: Eu sou At 26.9Jesus o Nazareno, a quem tu persegues. 9 Os que estavam comigo cp.At 26.13viram, na verdade, a luz, mas cp.At 9.7não ouviram as palavras de quem falava comigo. 10 Eu perguntei: cp.At 16.30Que farei, Senhor? O Senhor respondeu-me: Levanta-te e vai a Damasco, e ali se te dirá tudo o que te é ordenado fazer. 11 Como eu At 9.8não pudesse ver, por causa da intensidade daquela luz, guiado pela mão daqueles que me acompanhavam, cheguei a Damasco. 12 Um homem chamado At 9.10Ananias, temente a Deus segundo a Lei cp.At 6.3;10.22e que tinha bom testemunho de todos os judeus que ali habitavam, 13 vindo ter comigo e pondo-se ao meu lado, disse-me: Saulo, At 9.17irmão, recebe a vista. At 9.18Nessa mesma hora, recebendo a vista, olhei para ele. 14 Ele disse: At 3.13O Deus de nossos pais At 9.15;26.16te designou de antemão para conhecer a sua vontade, At 9.17;26.16;1Co 9.1;15.8ver At 7.52o Justo e ouvires uma voz da sua boca, 15 por que hás de ser sua At 23.11;26.16testemunha para com todos os homens das At 22.14coisas que tens visto e ouvido. 16 Agora, por que te demoras? At 9.18Levanta-te, recebe o batismo e 1Co 6.11;Hb 10.22;At 2.38; cp.Ef 5.26lava os teus pecados, At 7.59invocando o seu nome. 17 Tendo eu At 9.26;26.20voltado para Jerusalém, enquanto estava orando no templo, At 10.10veio-me um êxtase, 18 e vi aquele que me dizia: cp.At 9.29Apressa-te e sai logo de Jerusalém, porque não receberão o teu testemunho a meu respeito. 19 Eu disse: Senhor, eles sabem que At 8.3;At 22.4eu encarcerava e At 26.11;Mt 10.17açoitava pelas sinagogas os que criam em ti; 20 At 7.58s.;8.1;26.10quando se derramou o sangue de Estêvão, tua testemunha, eu também estava presente, consentia nisso e guardei as capas daqueles que o matavam. 21 Disse-me ele: Vai, porque eu te enviarei para longe, cp.At 9.15aos gentios.
Paulo não é açoitado, por ser cidadão romano
22 Escutaram-no até esta palavra, e levantaram a voz, e disseram: At 21.36; cp.1Ts 2.16Tira do mundo semelhante homem; pois At 25.24não convém que ele viva. 23 Clamando eles e cp.At 7.58arrojando de si as capas e 2Sm 16.13lançando pó para o ar, 24 o tribuno mandou recolher a Paulo At 21.34à cidadela, ordenando que fosse At 22.29interrogado debaixo de açoites, para se saber por que motivo clamavam assim contra ele. 25 Depois de estendido para receber os açoites, perguntou Paulo ao centurião que estava presente: É permitido açoitardes um At 16.37romano e que não foi condenado? 26 O centurião, tendo ouvido isso, foi ter com o tribuno e disse-lhe: Que vais fazer? Pois este homem é romano. 27 Vindo o tribuno, perguntou a Paulo: Dize-me, és tu romano? Respondeu ele: Sou. 28 O tribuno disse: Eu adquiri esse direito de cidadão por grande soma de dinheiro. Paulo declarou então: Pois eu o sou de nascimento. 29 Aqueles, pois, que o At 22.24iam interrogar apartaram-se logo dele; o tribuno também ficou At 16.38receoso, quando soube que Paulo era romano e porque o mandara At 22.24s.acorrentar.
A reunião do Sinédrio
30 No dia seguinte, At 23.28querendo saber com certeza a causa por que ele era acusado pelos judeus, cp.At 21.33soltou-o, e ordenou que se reunissem os principais sacerdotes e todo o Mt 5.22Sinédrio, e, mandando trazer Paulo, apresentou-o diante deles.
1 — Irmãos e pais, ouçam agora a minha defesa.
2 Quando ouviram que ele lhes falava em língua hebraica, ficaram em absoluto silêncio.
Então, Paulo disse:
3 — Sou judeu, nascido em Tarso da Cilícia, mas criado nesta cidade. Fui instruído rigorosamente por Gamaliel na lei dos nossos antepassados, sendo tão zeloso para com Deus quanto qualquer de vocês hoje. 4 Persegui os seguidores deste Caminho até a morte, prendendo tanto homens como mulheres e lançando-os na prisão, 5 como podem testemunhar o sumo sacerdote e todo o Sinédrio. Deles cheguei a receber cartas para os seus irmãos em Damasco e fui até lá, a fim de trazer a Jerusalém como prisioneiros os que lá estivessem, para serem punidos.
6 — Por volta do meio-dia, eu me aproximava de Damasco, quando, de repente, uma forte luz vinda do céu brilhou ao meu redor. 7 Caí por terra e ouvi uma voz que me dizia: "Saulo, Saulo, por que você me persegue?". 8 Então, perguntei: "Quem és tu, Senhor?". Ele respondeu: "Eu sou Jesus, o Nazareno, a quem você persegue". 9 Os que me acompanhavam viram a luz, mas não entenderam a voz daquele que falava comigo.
10 — Assim, perguntei: "Que devo fazer, Senhor?". O Senhor disse: "Levante-se e entre em Damasco, onde será dito o que você deve fazer". 11 Os que estavam comigo me levaram pela mão até Damasco, porque o resplendor da luz havia me deixado cego.
12 — Um homem chamado Ananias, fiel seguidor da lei e muito respeitado por todos os judeus que ali viviam, 13 veio ver-me e, pondo-se junto a mim, disse: "Irmão Saulo, recupere a visão". Naquele mesmo instante, pude vê-lo.
14 — Então, ele disse: "O Deus dos nossos antepassados o escolheu para conhecer a sua vontade, ver o Justo e ouvir as palavras da sua boca. 15 Você será testemunha dele a todos os homens, daquilo que viu e ouviu. 16 E agora, o que está esperando? Levante-se, seja batizado e lave os seus pecados, invocando o nome dele".
17 — Quando voltei a Jerusalém, enquanto eu orava no templo, caí em êxtase 18 e vi o Senhor, que me dizia: "Depressa! Saia de Jerusalém imediatamente, pois não aceitarão o seu testemunho a meu respeito".
19 — Eu respondi: "Senhor, estes homens sabem que eu ia de uma sinagoga a outra, a fim de prender e açoitar os que creem em ti; 20 e, quando foi derramado o sangue de Estêvão, tua testemunha,22.20 Ou teu mártir. eu estava lá, dando minha aprovação e cuidando dos mantos dos que o matavam".
21 — Então, o Senhor me disse: "Vá; eu o enviarei para longe, aos gentios".
Paulo, cidadão romano
22 A multidão ouvia Paulo até que ele disse isso. Então, todos levantaram a voz e gritaram:
— Tira esse homem da face da terra! Ele não merece viver!
23 Como estavam gritando, tirando as suas capas e lançando poeira ao ar, 24 o comandante ordenou que Paulo fosse levado à fortaleza, açoitado e interrogado, para saber por que o povo gritava daquela forma contra ele. 25 Enquanto o amarravam a fim de açoitá-lo, Paulo disse ao centurião que ali estava:
— Vocês têm o direito de açoitar um cidadão romano sem que ele tenha sido condenado?
26 Ao ouvir isso, o centurião foi prevenir o comandante:
— Que vais fazer? Este homem é cidadão romano.
27 O comandante dirigiu-se a Paulo e perguntou:
— Diga-me, você é cidadão romano?
Ele respondeu:
— Sim, eu sou.
28 Então, o comandante disse:
— Eu precisei pagar um elevado preço pela minha cidadania.
Paulo respondeu:
— Eu a tenho por direito de nascimento.
29 Os que iam interrogá-lo retiraram-se imediatamente. O próprio comandante ficou alarmado, ao saber que havia prendido um cidadão romano.
Paulo diante do Sinédrio
30 No dia seguinte, visto que o comandante queria saber exatamente por que Paulo estava sendo acusado pelos judeus, soltou-o e ordenou que se reunissem os chefes dos sacerdotes e todo o Sinédrio. Então, trazendo Paulo, apresentou-o a eles.