Jó descreve a sua miséria
1 Então, Jó respondeu:
2 Jó 31.6Oxalá que, de fato, se pesasse a minha insubmissão,
e juntamente, na balança, se pusesse a minha calamidade!
3 Pois, agora, seria esta Jó 23.2mais pesada do que a areia dos mares.
Portanto, as minhas palavras foram temerárias.
4 Porque Jó 16.13;Sl 38.2as setas do Todo-Poderoso estão em mim cravadas,
e o meu espírito suga Jó 20.16;21.20o veneno delas.
Jó 30.15Os terrores de Deus se arregimentam contra mim.
5 Zurrará Jó 39.5-8o asno montês quando tiver erva?
Ou mugirá o boi junto ao seu pasto?
6 Pode comer-se sem sal o que é insípido?
Ou há gosto na clara do ovo?
7 Isto! … A minha alma Jó 3.24;33.20recusa tocá-lo,
é para mim como comida repugnante.
8 Quem dera que se cumprisse o meu rogo,
e que Deus me concedesse o que anelo!
9 Que fosse Jó 7.16;9.21;10.1;Nm 11.15;1Rs 19.4do agrado de Deus esmagar-me,
que estendesse a sua mão, e me exterminasse!
10 Então, eu acharia ainda conforto
e exultaria na dor que não poupa;
porque Jó 22.22;23.11-12não tenho negado as palavras do Santo.
11 Pois que força é a minha, para que eu espere?
Ou qual é o meu fim, para me Jó 21.4portar com paciência?
12 É a minha força a força de pedras?
Ou é de cobre a minha carne?
13 Não é verdade que Jó 26.2não há socorro em mim,
e que o ser bem sucedido me é vedado?
14 Ao que está prestes Jó 4.5a sucumbir deve o amigo mostrar compaixão,
mesmo ao que Jó 1.5;15.4abandona o temor do Todo-Poderoso.
15 Meus irmãos houveram-se Jr 15.18aleivosamente como uma torrente,
como o canal de torrentes que desaparecem;
16 as quais se turvam com o gelo,
e nelas se esconde a neve.
17 No tempo em Jó 24.19que ficam quentes, desvanecem;
quando vem o calor, se fazem secas.
18 As caravanas que acompanham o seu curso se desviam;
sobem ao deserto e perecem.
19 As caravanas de Gn 25.15;Is 21.14;Jr 25.23Tema viram,
e os viandantes de Jó 1.15Sabá por elas esperaram.
20 Jr 14.3Ficaram desapontados por terem esperado,
chegaram ali e ficaram confundidos.
21 Assim, pois, vos assemelhais à torrente;
vedes em mim um terror e tendes medo.
22 Acaso, disse eu: Dai-me um presente?
Ou: Fazei-me uma oferta da vossa fazenda?
23 Ou: Livrai-me da mão do adversário?
Ou: Redimi-me do poder dos opressores?
24 Ensinai-me, e eu me calarei;
e fazei-me entender em que tenho errado.
25 Quão persuasivas são palavras de justiça!
Mas que é o que a vossa arguição reprova?
26 Acaso, pensais em reprovardes palavras,
sendo que Jó 8.2;15.2;16.3os ditos do homem desesperado são proferidos ao vento?
27 Até quereis Jl 3.3;Na 3.10deitar sorte sobre Jó 22.9;24.3,9o órfão
2Pe 2.3e fazer mercadoria do vosso amigo.
28 Agora, pois, tende a bondade de olhar para mim,
porque, certamente, à vossa face, Jó 27.4;33.3;36.4não mentirei.
29 Mudai de parecer, vos peço, não haja injustiça;
Sim, mudai de parecer; Jó 13.18;19.6;23.10;27.5-6;34.5;42.1-6a minha causa é justa.
30 Há injustiça na minha língua?
Não pode Jó 12.11o meu paladar discernir coisas perniciosas?
Jó
1 Então, Jó respondeu:
2 "Quem dera pudessem pesar a minha aflição
e pôr na balança a minha desgraça!
3 Veriam que o seu peso é maior que o da areia dos mares.
Por isso, as minhas palavras são tão impetuosas.
4 As flechas do Todo-poderoso6.4 Hebraico: Shadai; também no versículo 14. estão cravadas em mim,
e o meu espírito suga delas o veneno;
os terrores de Deus me assediam.
5 Acaso o jumento selvagem zurra se tem capim,
ou muge o boi se tem forragem?
6 Come-se sem sal uma comida insípida,
ou há algum sabor na clara do ovo?6.6 Ou o soro do queijo; ou ainda o suco da malva.
7 Recuso-me a tocar nisso;
esse tipo de comida causa-me repugnância.
8 "Ah! Se fosse atendido o meu pedido,
se Deus me concedesse o que anelo,
9 se Deus se dispusesse a esmagar-me,
se soltasse a mão e me eliminasse!
10 Pois eu ainda teria o meu consolo,
e me alegraria em meio à dor implacável,
por não ter negado as palavras do Santo.
11 "Que esperança posso ter, se já não tenho forças?
Como posso ter paciência, se não tenho futuro?
12 Acaso tenho a força da pedra?
Acaso a minha carne é de bronze?
13 Acaso a minha força será de alguma ajuda,
agora que os recursos me foram tirados?
14 "Um homem desesperado deve receber a compaixão do seu amigo,
muito embora ele tenha abandonado o temor do Todo-poderoso.6.14 Ou um homem que nega misericórdia a um amigo abandona o temor do Todo-poderoso.
15 Os meus irmãos enganaram-me como riachos temporários,
como os riachos que transbordam
16 quando o degelo os torna turvos
e a neve que se derrete os faz encher,
17 mas que param de fluir no tempo da seca
e no calor desaparecem dos seus leitos.
18 As caravanas se desviam das suas rotas;
sobem para lugares desertos e perecem.
19 Procuram água as caravanas de Temá,
olham esperançosos os mercadores de Sabá.
20 Ficam frustrados, porque estavam confiantes;
lá chegaram somente para sofrer decepção.
21 Pois agora vocês de nada me valeram;
contemplam a minha temível situação e se enchem de medo.
22 Alguma vez pedi a vocês que me dessem alguma coisa?
Ou que da sua riqueza pagassem resgate por mim?
23 Ou que me livrassem das mãos do inimigo?
Ou que me libertassem das garras de quem me oprime?
24 "Ensinem-me, e eu me calarei;
mostrem-me onde errei.
25 Como doem as palavras verdadeiras!
Mas o que provam os argumentos de vocês?
26 Vocês pretendem corrigir o que digo
e tratar como vento as palavras de um homem desesperado?
27 Vocês seriam capazes de pôr em sorteio o órfão
e de vender um amigo por uma bagatela!
28 "Mas agora tenham a bondade de olhar para mim.
Será que eu mentiria na frente de vocês?
29 Reconsiderem a questão; não sejam injustos;
tornem a analisá-la,
pois a minha integridade está em jogo.6.29 Ou a minha retidão ainda está firme.
30 Há alguma iniquidade nos meus lábios?
Será que a minha boca não consegue discernir a maldade?