Morte de Jesus: os fatos da cruz e o seu real significado
Redação Bíblia Online Publicado em
O que foi a morte de Jesus e o que ela significa
Jesus morreu crucificado numa sexta-feira de Páscoa, por volta do ano 30, num morro fora dos muros de Jerusalém chamado Gólgota — "Caveira". A sentença foi romana, assinada pelo governador Pôncio Pilatos; a acusação veio do conselho judaico, o Sinédrio. Ele tinha pouco mais de trinta anos e passou cerca de seis horas na cruz, das nove da manhã às três da tarde.
Isso é o fato. O significado, segundo a Bíblia, é que essa morte não foi acidente nem derrota: foi um sacrifício no lugar de outros. O texto mais direto sobre isso foi escrito uns sete séculos antes, por Isaías, e os apóstolos o leram como retrato da cruz.
Mas ele foi traspassado
por causa das nossas
transgressões
e esmagado por causa
das nossas iniquidades;
o castigo que nos traz a paz
estava sobre ele,
e pelas suas feridas fomos sarados.
Todos nós andávamos
desgarrados como ovelhas;
cada um se desviava
pelo seu próprio caminho,
mas o Senhor fez cair sobre ele
a iniquidade de todos nós.
Ele foi oprimido e humilhado,
mas não abriu a boca.
Como cordeiro foi levado
ao matadouro
e, como ovelha muda
diante dos seus tosquiadores,
ele não abriu a boca.
Olha a lógica do versículo 5. Ele fala de duas partes: o que aconteceu com "ele" — traspassado, esmagado, castigado, ferido — e o que resultou para "nós" — paz, cura. Entre uma coisa e outra, a expressão "por causa de": o sofrimento dele tem origem no pecado nosso. O versículo 6 fecha a conta: nós é que nos desviamos; o Senhor fez cair sobre ele a culpa de todos.
É essa troca que o Novo Testamento resume em três palavras: "morreu por nós". Tudo o que vem abaixo — quem condenou, a que hora, o que ele disse, o que aconteceu no templo — sustenta ou ilumina essa frase.
Este artigo faz parte de Estudos Bíblicos Doutrinas e Teologia
Quem condenou Jesus e por quê
Foram dois tribunais, com duas acusações diferentes.
O primeiro foi o Sinédrio, o conselho religioso judaico. Na madrugada de sexta, o sumo sacerdote perguntou se Jesus era o Cristo, o Filho do Deus Bendito. Ele respondeu "Eu sou" e acrescentou a cena de Daniel 7, o Filho do Homem sentado à direita do Poder. Caifás rasgou as próprias vestes e o conselho o declarou réu de morte por blasfêmia — está em Marcos 14:61-64. Para o Sinédrio, o crime era religioso.
Só que, sob Roma, o Sinédrio não tinha autoridade para executar ninguém. Por isso levaram Jesus a Pilatos com uma acusação que um governador romano entenderia: ele estaria agitando a nação, proibindo o tributo a César e se declarando rei (Lucas 23:2). Pilatos disse três vezes que não achava culpa, mandou o caso a Herodes, ofereceu Barrabás no lugar — e cedeu quando ouviu que soltar um homem que se diz rei é se opor a César (João 19:12-16). A placa pregada na cruz, "Rei dos judeus", era a acusação oficial, escrita em três línguas para que todo mundo lesse.
E a Bíblia aponta um terceiro responsável, que costuma ficar de fora: o próprio Jesus. Ele disse que ninguém tiraria a vida dele; ele a entregava por decisão própria (João 10:18). Os Evangelhos seguram as duas coisas ao mesmo tempo: homens o mataram, e isso aconteceu dentro do plano de Deus. Pedro vai dizer exatamente isso em Atos 2, que aparece mais adiante.
Que dia e a que hora: a cronologia da cruz
Os quatro Evangelhos concordam na sequência e dão as horas pelo relógio judaico, que começava a contar ao nascer do sol. Em horas de hoje, fica assim:
Quinta-feira à noite — a última ceia, a oração no Getsêmani e a prisão (Marcos 14:12-50).
Madrugada de sexta — interrogatório diante do Sinédrio; Pedro nega Jesus três vezes.
Início da manhã — Jesus é levado a Pilatos, depois a Herodes, de volta a Pilatos; é açoitado e condenado.
Por volta das 9h — a "hora terceira" de Marcos 15:25: crucificação.
Do meio-dia às 15h — trevas sobre a terra.
15h — a "hora nona": o clamor final e a morte.
Antes do pôr do sol — José de Arimateia pede o corpo e o sepulta às pressas, porque o sábado começava ao anoitecer (Marcos 15:42-46).
O dia da semana, portanto, era sexta-feira — os Evangelhos a chamam de "dia da preparação" para o sábado. Era também a semana da Páscoa, o que explica a cidade cheia e a pressa em tudo. Vale notar um dado que os estudiosos discutem: João 19:14 diz que o julgamento ainda corria "cerca da hora sexta"; a harmonização mais comum é que João conta as horas de outro jeito ou usa um número aproximado. Em nenhum dos relatos muda o essencial: manhã na cruz, morte no meio da tarde.
Marcos registra as três horas centrais com uma sobriedade que impressiona.
Chegado o meio-dia, houve trevas sobre toda a terra até as três horas da tarde. E às três horas, Jesus clamou em alta voz:
— Eloí, Eloí, lemá sabactani? — Isso quer dizer: "Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?"(Marku 15:33,34, NAA)
Se a sua Bíblia diz "hora sexta" e "hora nona" em vez de meio-dia e três da tarde, é a mesma coisa: a ACF mantém a contagem antiga, a NAA e a NVI já convertem. E o grito em aramaico — "Eloí, Eloí, lemá sabactâni" — é a primeira linha do Salmo 22. Jesus morre rezando um salmo, e esse salmo volta a aparecer nesta página.
O que aconteceu no Gólgota
Lucas conta a cena inteira, da chegada ao morro até a promessa feita a um dos criminosos.
Quando chegaram ao lugar chamado Calvário, ali o crucificaram, bem como aos malfeitores, um à sua direita, outro à sua esquerda. Mas Jesus dizia:
— Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem.
Então, para repartir as roupas dele, lançaram sortes. O povo estava ali e observava tudo. Também as autoridades zombavam e diziam:
— Salvou os outros. Que salve a si mesmo, se é, de fato, o Cristo de Deus, o escolhido.
Igualmente os soldados zombavam dele e, aproximando-se, trouxeram-lhe vinagre, dizendo:
— Se você é o rei dos judeus, salve a si mesmo.
Acima de Jesus estava a seguinte inscrição: "Este é o Rei dos Judeus".
Um dos malfeitores crucificados blasfemava contra Jesus, dizendo:
— Você não é o Cristo? Salve a si mesmo e a nós também.
Porém o outro malfeitor o repreendeu, dizendo:
— Você nem ao menos teme a Deus, estando sob igual sentença? A nossa punição é justa, porque estamos recebendo o castigo que os nossos atos merecem; mas este não fez mal nenhum.
E acrescentou:
— Jesus, lembre-se de mim quando você vier no seu Reino.
Jesus lhe respondeu:
— Em verdade lhe digo que hoje você estará comigo no paraíso.…(Luka 23:33-43a, NAA)
Repare nos detalhes antes de tirar conclusões. As primeiras palavras de Jesus na cruz são um pedido de perdão para quem o estava pregando ali. Os soldados repartem as roupas — o crucificado era despido, e isso fazia parte da humilhação. E três grupos diferentes zombam dele: as autoridades, os soldados e um dos criminosos, todos com o mesmo refrão: "salve a si mesmo". A ironia que Lucas deixa o leitor perceber é que ele poderia, e não salva a si mesmo justamente para salvar os outros.
O segundo criminoso é o único na cena que lê a situação certa. Ele reconhece que a própria punição é justa, afirma que Jesus "não fez mal nenhum" e, olhando para um homem agonizando numa cruz, pede um lugar no reino dele. A resposta é "hoje" — não um dia, não no fim dos tempos. Uma leitura tradicional entre evangélicos tira daqui que a salvação não depende de obras nem de ritos: aquele homem não teve tempo para nenhum dos dois. É interpretação, mas o texto a sustenta bem.
João acrescenta o que Lucas só menciona: as roupas e as pessoas ao pé da cruz.
Os soldados, pois, quando crucificaram Jesus, pegaram as roupas dele e dividiram em quatro partes, uma parte para cada soldado; e pegaram também a túnica. A túnica, porém, era sem costura, toda tecida de alto a baixo. Por isso, os soldados disseram uns aos outros:
— Não a rasguemos, mas vamos tirar a sorte para ver quem ficará com ela.
Isso aconteceu para que se cumprisse a Escritura, que diz:
"Repartiram entre si
as minhas roupas
e sobre a minha túnica
lançaram sortes."
E foi isso que os soldados fizeram.
E junto à cruz estavam a mãe de Jesus, a irmã dela, Maria, mulher de Clopas, e Maria Madalena. Vendo Jesus a sua mãe e junto dela o discípulo amado, disse:
— Mulher, eis aí o seu filho.
Depois, disse ao discípulo:
— Eis aí a sua mãe.
Dessa hora em diante, o discípulo a tomou para casa.…(Yɔhana 19:23-27a, NAA)
Quatro soldados, quatro partes, e sobra a túnica, tecida de uma peça só — rasgar estragaria, então tiram a sorte. João diz que isso cumpria a Escritura e cita o Salmo 22:18, que aparece inteiro mais abaixo. Depois, Jesus confia a mãe ao discípulo. Maria era viúva, e Jesus o filho mais velho; providenciar quem cuidaria dela era dever de primogênito, e ele o cumpre pregado numa cruz.
As sete palavras da cruz
Juntando os quatro Evangelhos, a tradição cristã lista sete frases de Jesus na cruz, nesta ordem:
"Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem" — Lucas 23:34
"Hoje você estará comigo no paraíso" — Lucas 23:43
"Mulher, eis aí o seu filho… Eis aí a sua mãe" — João 19:26-27
"Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?" — Mateus 27:46 e Marcos 15:34
"Tenho sede" — João 19:28
"Está consumado" — João 19:30
"Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito" — Lucas 23:46
Nenhum Evangelho traz as sete; a ordem é uma reconstrução. As duas de João que faltavam nesta página estão aqui.
Depois, vendo Jesus que tudo já estava consumado, para que se cumprisse a Escritura, disse:
— Tenho sede!
Estava ali um vaso cheio de vinagre. Embeberam de vinagre uma esponja e, fixando-a num caniço de hissopo, aproximaram a esponja da boca de Jesus. Quando Jesus tomou o vinagre, disse:
— Está consumado!
E, inclinando a cabeça, entregou o espírito.(Yɔhana 19:28-30, NAA)
"Tenho sede" é a frase mais humana da cruz, e João a liga a uma Escritura — provavelmente o Salmo 69:21, que fala de vinagre dado a quem sofre. Já "Está consumado" merece atenção pela palavra grega: tetelestai, do verbo teleō, "levar ao fim, completar". João usa a mesma raiz dois versículos antes, quando diz que Jesus sabia que "tudo já estava consumado". Não é "acabou comigo"; é "ficou pronto". Você talvez já tenha ouvido que a palavra aparecia em recibos antigos com o sentido de "pago"; esse uso existe em documentos comerciais da época, mas o que o texto de João sustenta sozinho é o sentido de obra terminada.
E repare no verbo final: ele "entregou" o espírito. Não foi tirado; foi entregue — é o que Jesus havia anunciado em João 10:18.
O véu rasgado, o terremoto e o centurião
Mateus é quem registra o que aconteceu longe do morro, no templo, na hora exata da morte.
Naquele momento, o véu do templo rasgou-se em duas partes, de alto a baixo. A terra tremeu, e as rochas se fenderam. Os sepulcros se abriram, e os corpos de muitos santos que tinham morrido foram ressuscitados.
Estes, saindo dos sepulcros, depois da ressurreição de Jesus, entraram na cidade santa e apareceram a muitos.
Quando o centurião e os que com ele vigiavam Jesus viram o terremoto e tudo o que havia acontecido, ficaram aterrorizados e exclamaram:
— Verdadeiramente, este era o Filho de Deus!(Matiyu 27:51-54, NVI)
Para entender o véu, é preciso saber o que ele era: a cortina que separava o Santo dos Santos, o lugar mais interno do templo, do resto do santuário (Êxodo 26:33). Só o sumo sacerdote passava por ela, uma vez por ano, no Dia da Expiação. Mateus anota a direção do rasgo — "de alto a baixo" —, e a leitura tradicional é que o detalhe aponta para quem rasgou: veio de cima, não de mão humana.
O que isso significa não é invenção de pregador. O próprio Novo Testamento interpreta: a carta aos Hebreus diz que agora temos entrada no santuário "através do véu, isto é, da sua carne" (Hebreus 10:19-20). O corpo rompido de Jesus é a cortina aberta: o acesso a Deus deixou de depender de um sacerdote e de uma data.
Mateus também registra sepulcros abertos e santos que ressuscitaram — um trecho difícil, que só ele traz e não explica. Alguns intérpretes o leem de modo literal, outros como um sinal antecipado da ressurreição geral; honestamente, o texto não dá material para decidir. Já o centurião é fácil de entender e difícil de esquecer: um pagão, o encarregado da execução, é quem diz "este era o Filho de Deus". Mateus abre o ministério de Jesus com essa frase na voz do Pai, no batismo, e a fecha na boca de um soldado romano.
O que o Antigo Testamento já dizia da cruz
Os apóstolos não leram a cruz como surpresa. Dois textos, acima de todos, foram a chave: Isaías 53 e o Salmo 22.
De Isaías você já viu o trecho central no início desta página. Vale ler Isaías 53 inteiro: o servo desprezado, que leva as dores dos outros, que não abre a boca diante dos acusadores — Jesus ficou em silêncio diante de Pilatos — e que é sepultado como rico, como de fato aconteceu no túmulo de José de Arimateia.
O Salmo 22 é ainda mais surpreendente, porque Jesus o citou na cruz, e o salmo continua descrevendo a cena.
Todos os que me veem
zombam de mim;
fazem caretas e balançam
a cabeça, dizendo:
"Confiou no Senhor!
Ele que o livre!
Salve-o, pois nele tem prazer."(Salmos 22:7,8, NAA)
Compare com Mateus 27:39-43: os que passavam "balançavam a cabeça" e diziam que, se ele confiava em Deus, Deus que o livrasse. São as mesmas duas imagens, a careta e a frase, mil anos antes. E o salmo desce ao corpo:
Cães me cercam;
um bando de malfeitores
me rodeia;
traspassaram-me as mãos e os pés.
Posso contar
todos os meus ossos;
os meus inimigos
estão olhando para mim
e me encarando.
Repartem entre si
as minhas roupas
e sobre a minha túnica
lançam sortes.(Salmos 22:16-18, NAA)
Mãos e pés traspassados; ossos à mostra; roupas repartidas e sorteadas — João 19:24 cita este versículo 18 literalmente. Uma observação honesta sobre o versículo 16: o texto hebraico tradicional é difícil nesse ponto, e as versões antigas divergem entre "como leão" e "traspassaram"; a maioria das traduções segue a segunda leitura, apoiada em manuscritos antigos. O que ninguém discute é que, no tempo de Davi, a crucificação romana não existia como pena. Os cristãos leem o salmo como profecia; e vale notar que ele termina em louvor, nos versículos 22 em diante, e é esse final que Hebreus 2:12 coloca na boca de Jesus ressuscitado.
Por que Jesus precisou morrer
Essa é a pergunta de fundo, e a Bíblia a responde em camadas. A primeira camada é a condição de quem estava do outro lado.
U sipɛ Ɗalapa shɔnɔpɔ̃, ama risiutɛ ɓɛsa a tete ɓɛjaa vɔrɔ. Dɔdɔrim naa au ritɛ Ɗalapa ɓɛsam, shɔyɛ rau yisinɛ kɛpi kovi a Kirisi suru ni viya!(Rooma 5:10)
Paulo escolhe uma palavra dura: "inimigos". Não "distantes", não "confusos". E diz que a reconciliação veio "pela morte do seu Filho" — não pelo ensino, não pelos milagres. Por que precisava ser morte? Porque, na lógica bíblica, a morte é o que o pecado produz: "o salário do pecado é a morte" (Romanos 6:23). Alguém pagou esse salário.
A segunda camada é o paralelo que Hebreus faz entre a morte humana e a morte de Cristo.
Ji nagbete shɔ maatɛ nɛ jashɔzɛ yɛ vɔ ɓagbete sheeli, a kɨntiuni kɛ Ɗalapa ruuyeenɛ au yuu, Jinankɔ Kirisi ãu yuurɛ a vɔ ɓagbete aru shɔzɛ waanɛ i kpa naraanɛ ai ruuvini. Kirisi yɛ sɔ kotipitɔ aru u sɔki shɔ waanɛyi ruuvini, yɛ sɔ sɔ̃ntɔ, totiɓa au ruuvini ɓa, u raa shɔgbete i au ɗɔganɛyɛ.(Hiburuyi 9:27,28)
Olha a simetria: os homens morrem "uma vez", e depois vem o juízo; Cristo se ofereceu "uma vez", e depois vem a volta. O autor está comparando com os sacrifícios do templo, repetidos todo ano, e dizendo que a cruz não precisa de repetição — bastou uma. Não há sacrifício a fazer de novo, nem por sacerdote nem por quem crê.
A terceira camada tem uma palavra que raramente usamos fora da igreja.
Kirisi au yuu ukɔɔ ɔ̃rɛ nyaba gbete shɔ yasiu ruuviniyɛ, ɓa u ruuvinikɔ sheeli ɓa ama pɛ shɔ kotipimiyi ruuvini piti kpai.(1 Yɔhana 2:2)
"Propiciação" — em grego hilasmos — era o termo ligado ao Dia da Expiação, ao sacrifício que removia o que impedia o povo de se aproximar de Deus. João aplica a palavra a uma pessoa: Jesus é aquilo que tira do caminho o que separava. E ele estende o alcance: "não somente pelos nossos, mas pelos de todo o mundo". Como entender esse "todo o mundo" é um ponto em que cristãos divergem, e a pergunta aparece no fim desta página.
Ninguém tirou a vida de Jesus: a cruz como escolha
Se a cruz fosse só uma execução injusta, seria tragédia. O que a torna sacrifício é que Jesus foi para ela por vontade própria. Paulo descreve a descida.
Roori yuu a gɨn Ɗalapa nyarɛ au n-tiurɛ shɔ nyo vɔrɔ
aka naɓaanɛ a laa.(Filibuyi 2:8)
Leia Filipenses 2 a partir do versículo 6: ele era igual a Deus, se esvaziou, se fez servo, se humilhou, obedeceu até a morte — "e morte de cruz". Essa última frase é o degrau mais baixo da escada. A cruz era a pena de escravos e rebeldes; um cidadão romano não podia ser crucificado. Paulo não diz só que Jesus morreu; diz que aceitou a morte mais vergonhosa que o império tinha.
O próprio Jesus descreveu isso antes, com a imagem mais simples da Bíblia.
Ɔkɔng ɔ̃rɛ jagamɛrɛ̃ tɔ̃vɨn, shɔgbete kasitɛ u vɔrɛ au yuu mɛrɛ̃.(Yɔhana 10:11)
Um pastor que morre pelo rebanho é um pastor que escolhe. Sete versículos depois, ele explica: ninguém tira a vida dele, ele a dá. E na última noite, com os discípulos à mesa, deixou a definição que cumpriria no dia seguinte.
Ɔrinɛ pẽniba gbete ɔ yɛ tasi mɛsayi yɛ, ukɔ ɔ̃rɛ ɔ ãwɔ suru ai yuu.(Yɔhana 15:13)
Ele chamou os discípulos de amigos no mesmo fôlego. Horas depois, fez exatamente o que acabara de dizer que era o maior amor.
A medida do amor: João 3:16 e 1 João 3:16
Dois versículos com o mesmo número, escritos pelo mesmo autor, que se completam.
Ɗalapa ɔri kootipi waanɛ a ãu jagbete, aru shɔgbete kɛ ã sɨsin nɛ au biini u kpaa Suru gbete sɔ̃nya ɓayɛ.(Yɔhana 3:16)
"Deu" aqui não é só o envio: dois versículos antes, Jesus comparou a si mesmo à serpente levantada no deserto, "levantado" na cruz. E "mundo" — kosmos — não é o planeta nem os bons; é a humanidade inteira, inclusive quem o rejeitou naquele morro. O amor veio antes do merecimento.
Shɔmpɛ nogbete au zɛ ɔrinɛyɛ: Kirisi ãu Suru au yuu. Aruumkɔ ntɔtɛ ukɔma u ãu surutɔ au ɓɛzɔ̃yi yuuniǃ(1 Yɔhana 3:16)
A primeira carta de João pega o mesmo fato e vira a direção: "nisto conhecemos o amor" — a cruz é a definição — e por isso "devemos dar a vida pelos irmãos". No versículo seguinte, João aterrissa isso em algo bem menos heroico: repartir bens com quem precisa (1 João 3:17). A cruz é dom recebido e padrão a seguir, e João não separa as duas coisas.
Como os cristãos explicam o significado da cruz
Até aqui a página falou de sacrifício "no lugar de" — e é bom dizer de onde vem essa ênfase. É a leitura da teologia evangélica histórica, herdada dos Reformadores: a expiação substitutiva, em que Jesus assume o castigo que o pecado merecia, com base em textos como Isaías 53:5-6, Romanos 3:25 e 2 Coríntios 5:21. É a leitura que este texto assume. Mas não é a única maneira como cristãos leram a cruz ao longo dos séculos, e as outras também partem da Bíblia:
Christus Victor — a cruz como vitória sobre o diabo, o pecado e a morte. Era a ênfase dos primeiros séculos e foi recuperada no século XX pelo teólogo Gustaf Aulén. Apoia-se em textos como Colossenses 2:15 e Hebreus 2:14.
Satisfação — formulada por Anselmo no século XI: o pecado ofende a honra de Deus, e só alguém que é Deus e homem pode restaurá-la. É a raiz da leitura substitutiva, com outro vocabulário.
Influência moral — associada a Abelardo: a cruz revela o amor de Deus de um modo que transforma quem o contempla. Romanos 5:8 e 1 João 3:16 são seus textos.
Exemplo — Cristo sofreu "deixando-nos exemplo" (1 Pedro 2:21); a cruz ensina a seguir.
Isso aqui é importante: essas leituras não são necessariamente rivais. O próprio Novo Testamento usa várias imagens para o mesmo evento — sacrifício, resgate, reconciliação, vitória, exemplo. Na tradição evangélica, a substituição fica no centro e as demais são facetas verdadeiras dela; outras tradições cristãs organizam o quadro de outro jeito. O que nenhuma delas nega é a frase de Isaías: ele foi ferido por causa de nós.
O que a ressurreição muda na morte de Jesus
Sem o domingo, a sexta-feira seria apenas a morte de um justo. O primeiro sermão cristão, feito por Pedro cinquenta dias depois, em Jerusalém, junta as duas coisas numa frase.
Ɔ wesho a ruum, n shɔbiiyi shɔ Israila! Yesɔ shɔ Nazara ukɔ ɔ̃rɛ shɔ gbete Ɗalapa tasɔɔ u kaka suru wasa-wasa yɛ, a nyaba vibiizaanɛ a vitasinɛni gbete Ɗalapa pɛli awɔ ɗɔbii au kabiiyɛ. Ɔ yuu ɔ zɛ vim tɛttɔ, aruviya pɛli ji awɔ tetemkɔ. Ji nagbete Ɗalapa kasiu vipɛlinɛyɛ pɔ̃ tɛttɔ gboti au sisɨnɛ yɛ ãwɔ Yesɔ tɔ; awɔ yɛ pɔ̃ shɔruuviniyi i nyourɛ a nyaba naɓaanɛlaa. Ama Ɗalapa kaka kaliu naarɛ a yusiu a suruni, aruviya yɛ pɛli ɓa vɔrɔ yɛ sã ɓa u ɔ̃ naa shɔ jaahm ɓa.(Atos 2:22-24)
Repare na ordem das responsabilidades: "vocês" o mataram; isso aconteceu "segundo o plano de Deus"; e "Deus o ressuscitou", porque "não era possível" que a morte o retivesse. A ressurreição é o veredicto de Deus sobre a cruz: aquele que morreu como condenado estava certo, e o sacrifício foi aceito.
Paulo tira daí uma consequência direta para a morte em si.
Nagbete u zɛ tɛttɔ Kirisi yulapatɛ a vɔnɛni yɛ vɔ tɔɓa vɔrɔyɛ roo kpati ɓa au yuuni ɓa. Ji nankɔ, aru gbete vɔtɛttɔ, vɔrɔ kaka tɔɓa au yuuni ɓa; a dɔdɔrim yɛ ɔ̃u ɔ̃nɛ a nyazɔ a Ɗalapani.(Rooma 6:9,10)
"Morreu para o pecado uma vez" — de novo a palavra "uma vez" — e a morte "não tem mais domínio sobre ele". Isto é o que faz a cruz ser notícia e não só história: o que a morte fez com Jesus ela não vai fazer de novo, e quem está unido a ele participa disso.
Como a igreja lembra a morte de Jesus: batismo e Ceia
Duas práticas cristãs existem para contar essa morte de novo, uma com água e outra com pão e vinho.
Aru ɔ ji zɛ ɓa nɛ shɔgbete shɔ pɛliu batizima a Yesɔ nii yɛ, shɔ pɛliu batizima u tasi nɛ u a Yesɔ Kirisi ni gbete. Naa shɔ pɛliu Batizimatɛ, ɔ̃ kɛ naa shɔ gbãu a Kirisi ni nyazɔ a ɗagbete vɔyɛ, nagbete shɔ yusi Kirisi a saa yɛ au ɓeye bassinɛ, ukɔ ma u ɔ̃ sɔ̃njo a suru sɔɔ ni.(Rooma 6:3,4)
Para Paulo, o batismo não é só um rito de entrada: é ser "sepultado com ele". A pessoa que desce à água encena a morte de Jesus e se levanta para "andar em novidade de vida". Cristãos divergem sobre a forma e a idade do batismo, mas não sobre o que ele aponta.
Vim ukɔ ɔ̃rɛ kopiɗaviya ɔkɛ shaa borodim nɛ ɔkɛ ɓoonɛ a kopi mi si ɔ nwa ruu Uɓeyelapa vɔnɛtɛ se legbete sɔyɛ.(1 Koranti 11:26)
E a Ceia, cada vez que é celebrada, "anuncia a morte do Senhor até que ele venha". É a única ordem que Jesus deu para a igreja repetir, e o que ela repete é a cruz — não a transfiguração, não os milagres. Durante dois mil anos, toda semana, em toda língua, alguém levanta um pão e diz que ele morreu por nós.
É para isso que voltamos ao texto de Isaías: "o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas feridas fomos sarados" (Isaías 53:5, NAA). Leia Isaías 53 inteiro e, depois, João 19 do começo ao fim. Um escreveu o que ia acontecer; o outro conta que aconteceu.
Que dia da semana Jesus morreu?
Numa sexta-feira. Os Evangelhos a chamam de "dia da preparação", porque o sábado começava ao pôr do sol, e por isso o sepultamento foi apressado (Marcos 15:42; João 19:31). Era também a semana da Páscoa judaica. A sexta-feira santa do calendário cristão marca essa data.
Quantas horas Jesus ficou na cruz?
Cerca de seis horas. Marcos 15:25 situa a crucificação na "hora terceira", por volta das 9h; Marcos 15:34 coloca a morte na "hora nona", por volta das 15h. Das 12h às 15h houve trevas sobre a terra. A maior parte dos crucificados demorava mais para morrer, o que explica a surpresa de Pilatos em Marcos 15:44.
Com quantos anos Jesus morreu?
A Bíblia não dá a idade exata. Lucas 3:23 diz que ele tinha "cerca de trinta anos" ao começar o ministério, que durou aproximadamente três anos. Por isso se costuma dizer que morreu com 33, embora o número preciso dependa de cálculos sobre o ano da crucificação, situada entre 30 e 33 d.C.
Por que Jesus perguntou "por que me desamparaste"?
Ele estava citando a primeira linha do Salmo 22, a oração de um justo que sofre e se sente abandonado, mas que termina em louvor. Na leitura evangélica tradicional, o grito expressa de verdade o peso de carregar o pecado dos outros, como Isaías 53:6 descreve. Não é perda de fé: Jesus se dirige a "Deus meu", e suas últimas palavras em Lucas 23:46 são de confiança.
Jesus morreu por todas as pessoas ou só pelas que creem?
Os cristãos divergem. Textos como 1 João 2:2 e João 3:16 falam de "todo o mundo", e muitas tradições entendem que a morte de Jesus é suficiente e oferecida a todos. Outras, sobretudo na herança reformada, entendem que ela foi planejada de modo eficaz para os que creem, com base em passagens como João 10:11 e 15. As duas concordam que a salvação é recebida pela fé e que ninguém que vem a Cristo é rejeitado.
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