Fervor espiritual
Não sejais vagarosos no cuidado; sede fervorosos no espírito, servindo ao Senhor;
A vida cristã não pressupõe mornidão espiritual. Com efeito, as Escrituras asseveram que o morno corre sério risco de ser vomitado da boca de Deus (Apocalipse 3:15,16). A ideia de uma prática cristã “light”, desprovida de compromisso, associada a visitas ocasionais aos templos, ao cântico de alguns hinos e à leitura esporádica das Escrituras não corresponde a uma vida cristã fervorosa. Tampouco o fervor pode ser confundido com manifestações exteriores de emoção, como corpos balançando para lá e para cá, mãos levantadas a cada frase de efeito dita por um cantor ou pregador, ou lágrimas diante de algo que nos emocione. Se não provoca mudança de vida, não nos impulsiona à perseverança na fé e não nos estimula à fidelidade e à obediência a Deus, não passa de um comportamento litúrgico sem vida e sem resultados.
Apesar de os encontros entre os irmãos na fé serem festivos e agradáveis, e considerados nas Escrituras como festas de amor (Judas 1:12), há que se considerar que a vida cristã não é uma festa interminável. Na verdade, viver em Cristo significa travar uma guerra diária, o que Paulo chamou de “o bom combate”. A vida cristã terrena não é um romance cheio de momentos felizes, mas uma carreira permeada por desafios difíceis de enfrentar (1 Timóteo 4:7).
A nossa fé tem como exemplo as testemunhas do passado, que foram perseguidas, caluniadas, presas e martirizadas. Uma verdadeira nuvem de testemunhas que fervorosamente resistiram a todos os desafios e venceram toda oposição para continuarem fiéis a Deus (Hebreus 11:2-39).
Fervor espiritual não se trata de mero comportamento apaixonado e cheio de emocionalismo; é, isto sim, um compromisso inarredável de fidelidade e obediência a Deus, se necessário, ao custo da própria vida. E esse fervor não nasce de nós mesmos, mas é produzido pelo Espírito Santo.
Deus lhe abençoe!
“Não adianta pular, gritar, gesticular, chorar ou demonstrar os mais exacerbados sinais de emocionalismo, se não tivermos compromisso com Deus. As águas agitadas de um maremoto não significam que o mar está fervendo” (Aureliano Jr.).