A traição de Simão
1 Quando Onias III era Grande Sacerdote em Jerusalém, os moradores da Cidade Santa tinham paz e felicidade, e as leis eram rigorosamente obedecidas, pois Onias era muito religioso e odiava o mal. 2 Reis da Síria e do Egito respeitavam o Templo e aumentavam a sua glória, enviando-lhe presentes. 3 O próprio rei Seleuco IV Filopátor3.3 Seleuco IV Filopátor: filho de Antíoco III; reinou de 187 a 175 a.C., da Síria, pagava do seu próprio dinheiro todas as despesas dos sacrifícios que eram oferecidos no Templo.
4 Um homem chamado Simão, do grupo de sacerdotes de Bilga3.4 do grupo de sacerdotes de Bilga: de acordo com algumas versões antigas (ver 1Crônicas 24.14); o texto grego traz: da tribo de Benjamim., que tinha sido nomeado administrador do Templo, teve um mal-entendido com o Grande Sacerdote Onias a respeito da administração do mercado da cidade. 5 Não podendo convencer Onias, Simão foi falar com Apolônio, filho de Trasaios, que, naquela época, era o governador da província da Celessíria e da Fenícia. 6 Simão contou a Apolônio que havia muitas riquezas no tesouro do Templo; ninguém sabia quanto dinheiro havia sido guardado ali, mas era muito mais do que o necessário para pagar as despesas dos sacrifícios. Portanto, todo aquele dinheiro podia ser entregue ao tesouro do rei.
Heliodoro em Jerusalém
7 Apolônio se reuniu com o rei e lhe contou o que tinha sabido a respeito do dinheiro que estava guardado no tesouro do Templo. Aí, o rei mandou que Heliodoro, o seu primeiro-ministro, fosse até lá, pegasse aquele dinheiro e o trouxesse para ele. 8 Heliodoro saiu imediatamente, fazendo de conta que estava indo visitar as cidades da província da Celessíria e da Fenícia; porém o que ele ia fazer era cumprir a ordem do rei.
9 Quando Heliodoro chegou a Jerusalém, foi bem-recebido por Onias, o Grande Sacerdote. Heliodoro contou a Onias o que ele tinha ouvido dizer a respeito do tesouro do Templo, explicou o motivo da sua visita e perguntou se era verdade a história sobre o dinheiro.
10,11 Onias respondeu que não era verdade o que Simão, aquele mentiroso sem-vergonha, tinha dito. A verdade era que uma parte do dinheiro depositado no Templo ficava reservada para as viúvas e os órfãos, e a outra parte pertencia a Hircano, filho de Tobias, um homem muito importante. E disse também que a soma total que havia no tesouro do Templo eram catorze mil quilos de prata e sete mil quilos de ouro. 12 Além disso, era inteiramente impossível mexer com aquele dinheiro; isso seria fazer uma grande injustiça contra os que confiavam na santidade e na segurança do Templo, um lugar sagrado que era famoso no mundo inteiro.
13 Mas Heliodoro insistiu, dizendo que as ordens do rei precisavam ser obedecidas e que o dinheiro devia ser levado para o tesouro do rei. 14 No dia marcado, Heliodoro entrou no Templo para fazer uma lista das riquezas que havia no tesouro.
Isso causou um grande mal-estar em todos os moradores de Jerusalém. 15 Os sacerdotes, vestindo os seus mantos sacerdotais, se curvaram diante do altar e pediram que Deus, que havia dado as leis a respeito dos depósitos, guardasse seguro o dinheiro para os que o haviam depositado no Templo. 16 Era de cortar o coração ver Onias, o Grande Sacerdote, pois o seu rosto pálido mostrava a aflição da sua alma. 17 Ele estava tremendo de medo, de modo que todos os que o viam percebiam o quanto ele estava sofrendo. 18 Todos saíram das suas casas e se ajuntaram para orar, pedindo a Deus que não deixasse que o Templo fosse profanado. 19 Mulheres, vestidas com roupas feitas de pano grosseiro e com os seios descobertos3.19 vestidas com roupas feitas de pano grosseiro e com os seios descobertos: em sinal de tristeza e terror., enchiam as ruas. Muitas moças, que normalmente eram proibidas de sair de casa, correram para os portões da cidade ou para as muralhas, enquanto que outras ficaram nas janelas, espiando. 20 Todas, com as mãos levantadas, pediam a ajuda de Deus. 21 Dava dó ver todos os moradores deitados com o rosto no chão e ver como sofria o Grande Sacerdote, cheio de aflição.
22 Enquanto todos pediam ao Senhor Todo-Poderoso que guardasse bem seguro o dinheiro que tinham depositado no tesouro do Templo, 23 Heliodoro estava cumprindo a ordem do rei. 24 Mas, quando ele chegou ao tesouro do Templo com os seus guarda-costas, o Todo-Poderoso Rei dos espíritos celestiais e de todas as autoridades se manifestou com um poder tão grande, que todos os que tinham tido o atrevimento de acompanhar Heliodoro ficaram apavorados e perderam as forças por causa daquela manifestação do poder de Deus. 25 Numa visão, eles viram um cavalo arreado com os arreios mais finos e montado por um cavaleiro de aparência terrível, vestindo o que parecia uma armadura folheada a ouro. O cavalo avançou, furioso, contra Heliodoro e o atacou com as patas dianteiras. 26 Heliodoro viu também dois moços, muito fortes, muito bonitos e bem-vestidos. Cada um ficou de um lado de Heliodoro, e os dois começaram a chicoteá-lo sem parar, dando muitas chicotadas nele. 27 De repente, Heliodoro caiu no chão, desmaiado3.27 desmaiado; ou coberto por uma escuridão profunda.. Os seus companheiros o colocaram numa esteira 28 e levaram embora aquele homem que, um pouco antes, tinha entrado no tesouro do Templo com muitos companheiros e com os seus guarda-costas, mas que, agora, não podia ajudar a si mesmo. E todos os que estavam ali declararam que tinham visto3.28 todos os que estavam ali declararam que tinham visto; alguns manuscritos trazem: ele declarou que tinha visto. o grande poder de Deus.
29 Derrubado pelo poder de Deus, Heliodoro tinha ficado estendido no chão, sem poder falar e sem qualquer esperança de melhorar. 30 Enquanto isso, os judeus louvavam o Senhor, que, com esse milagre, tinha protegido o seu Templo. E o Templo, onde um pouco antes havia medo e confusão, agora estava cheio de alegria e felicidade por causa da manifestação do Senhor Todo-Poderoso.
A conversão de Heliodoro
31 Alguns amigos de Heliodoro foram depressa falar com Onias. Pediram que ele orasse ao Altíssimo para que conservasse com vida aquele homem que estava largado na cama, quase morto. 32 Onias ofereceu um sacrifício pela cura de Heliodoro. 33 Enquanto ele oferecia o sacrifício para tirar pecados, os mesmos dois moços, usando as mesmas roupas, apareceram de novo para Heliodoro. Eles ficaram de pé na frente dele e lhe disseram:
— Fique muito agradecido ao Grande Sacerdote Onias, pois foi por causa dele que Deus, o Senhor, salvou a sua vida. 34 E você, que foi castigado por Deus, fale a todos sobre o poder maravilhoso de Deus.
Quando acabaram de dizer isso, os dois desapareceram. 35 Aí, Heliodoro ofereceu um sacrifício a Deus e fez muitas promessas Àquele que o havia salvado da morte. Depois, foi e se despediu em paz de Onias e voltou com o seu exército até onde estava o rei Seleuco. 36 E Heliodoro contava a todos as coisas que o Altíssimo Deus havia feito, coisas que ele tinha visto com os seus próprios olhos.
37 O rei perguntou a Heliodoro quem seria o homem mais indicado para ser enviado outra vez para Jerusalém. Heliodoro respondeu:
38 — Se o senhor tiver um inimigo ou se souber de alguém que esteja planejando fazer uma revolução contra o seu governo, então, mande esse homem para Jerusalém. Se, por acaso, voltar vivo, ele voltará todo ferido; pois ninguém pode negar que existe uma força divina naquele lugar. 39 Aquele que mora no céu vigia aquele Templo e o protege; ele ataca e mata as pessoas que vão lá com más intenções.
40 Foi isso o que aconteceu com Heliodoro, e foi assim que o tesouro do Templo foi salvo.