1 Este livro conta a história de Tobite, que era filho de Tobiel, que era filho de Ananiel, que era filho de Aduel, que era filho de Gabael, que era filho de Rafael, que era filho de Raguel, que era descendente de Asiel, da tribo de Naftali. 2 Quando Salmaneser era rei da Assíria, Tobite foi levado da cidade de Tisbé como prisioneiro. Essa cidade ficava na região Norte da Galileia, ao sul de Cades, no território de Naftali, a noroeste de Hazor e ao norte de Peor.2Rs 17.3; 18.9
A mocidade de Tobite
3 Eu, Tobite, tenho seguido o caminho da verdade e tenho sido correto durante toda a minha vida. E, quando fui levado como prisioneiro para a cidade de Nínive, na Assíria, muitas vezes ajudei com dinheiro os meus parentes e os meus patrícios que também estavam em Nínive.
4 Eu ainda era criança e morava em Israel, a minha terra. Nessa época, a tribo inteira de Naftali, à qual eu pertenço, se revoltou contra os reis que eram descendentes de Davi1.4 Davi; de acordo com uma versão antiga; o texto grego traz: Davi, o meu antepassado.. E também rejeitou Jerusalém como a cidade escolhida por Deus para que nela todas as tribos de Israel oferecessem sacrifícios. Era ali onde o Templo, a Casa de Deus, tinha sido construído e dedicado ao seu serviço para sempre. 5 Mas os meus parentes e todas as outras pessoas que eram da tribo de Naftali iam até a cidade de Dã, nas montanhas da Galileia, para ali oferecerem os seus sacrifícios ao touro de ouro que Jeroboão, rei de Israel, tinha mandado fazer.1Rs 12.28-29
6 Muitas vezes, eu era a única pessoa que ia a Jerusalém para tomar parte nas festas, conforme a Lei de Moisés manda o povo de Israel fazer para sempre. Eu ia depressa, levando comigo a primeira parte das minhas colheitas, as primeiras crias dos meus animais, a décima parte do meu gado e a primeira lã das minhas ovelhas.Dt 16.167 Tudo isso eu entregava aos sacerdotes, os descendentes de Arão, em frente do altar, no Templo. E aos levitas que estavam a serviço de Deus em Jerusalém eu entregava a décima parte do meu trigo, do vinho, do azeite, das romãs, dos figos e das outras frutas. Todos os anos, menos no sétimo, quando a terra descansava1.7 a terra descansava: De sete em sete anos não se plantavam os campos, nem se faziam colheitas (ver Levítico 25.1-7)., eu vendia uma segunda décima parte dos meus produtos, levava para Jerusalém o dinheiro ganho com essa venda e ali o gastava durante as festas. 8 E, de três em três anos, eu ia a Jerusalém e dava uma terceira décima parte aos órfãos, às viúvas e aos estrangeiros que moravam em Israel, e comíamos juntos o jantar da festa. Eu fazia isso como manda a Lei de Moisés e conforme as leis que Débora, a minha avó, a mãe de Tobiel1.8 Tobiel; de acordo com uma versão antiga; o texto grego traz: Ananiel., o meu pai, me havia ensinado a obedecer. O meu pai tinha morrido, deixando-me órfão.
Tobite é levado como prisioneiro para a Assíria
9 Eu já era homem feito quando me casei com Ana, que era da minha tribo. Tivemos um filho, e pus nele o nome de Tobias. 10 Mais tarde, fui levado como prisioneiro para a Assíria e fiquei morando em Nínive. Todos os meus parentes e patrícios que moravam em Nínive comiam dos alimentos daquele povo pagão, 11 mas eu fiquei firme e não comia daquelas coisas. 12 De todo o meu coração eu obedecia ao meu Deus, 13 e, por isso, o Deus Altíssimo fez com que o rei Salmaneser me tratasse com simpatia e respeito. Fui, então, encarregado de comprar todos os mantimentos para o palácio do rei. 14 Enquanto Salmaneser vivia, eu ia sempre até a Média, a fim de fazer compras para ele. Certa vez, na cidade de Ragues, na Média, eu deixei guardados para mim na casa de Gabael, filho de Gabri, alguns sacos cheios de moedas de prata, que pesavam mais ou menos trezentos e quarenta quilos.
15 Quando Salmaneser morreu, o seu filho Senaqueribe ficou no lugar dele como rei da Assíria. As estradas para a Média foram fechadas, e, por isso, eu não pude continuar a fazer as minhas viagens até lá.
A caridade de Tobite
16 Ainda no tempo de Salmaneser, muitas vezes eu dei dinheiro para ajudar os meus patrícios. 17 Se estavam com fome, eu lhes dava comida; se não tinham roupa, eu dava. E, se eu visse o corpo de um dos meus patrícios jogado do lado de fora das muralhas de Nínive, eu o pegava e sepultava.Jó 31.16-20
18 Certa vez, Senaqueribe disse blasfêmias contra Deus, o Rei do céu, e, por isso, Deus o castigou, e ele precisou fugir de Judá. Senaqueribe ficou tão furioso, que mandou matar muitos israelitas. Em segredo, eu pegava os corpos e os sepultava; e, quando o rei Senaqueribe os procurava, não achava. 19 Mas um dos moradores de Nínive foi contar ao rei que era eu quem sepultava os corpos. Quando fiquei sabendo que o rei sabia do que eu havia feito e queria me matar, fiquei com medo e me escondi; e, depois, fugi. 20 Todos os meus bens foram tomados e entregues ao tesouro do rei. Não fiquei com nada, a não ser com Ana, a minha esposa, e com o meu filho Tobias.
21 Uns quarenta dias depois disso, dois filhos de Senaqueribe o mataram e fugiram para as montanhas de Ararate. Outro filho dele, chamado Esar-Hadom, ficou no seu lugar como rei. Esar-Hadom pôs Aicar, filho do meu irmão Anael, como ministro das finanças do reino, e ele se tornou a mais alta autoridade do governo. 22 Assim, Aicar continuou a ocupar esse cargo, pois Senaqueribe o havia colocado como copeiro-chefe, como o responsável pelo sinete oficial do governo e como administrador e ministro das finanças. E Esar-Hadom fez com que ele continuasse nos seus cargos. Aicar era meu sobrinho, e ele falou com o rei a meu respeito; e foi assim que eu pude voltar para Nínive.