Tobite sepulta um israelita
1 Portanto, foi durante o reinado de Esar-Hadom que eu voltei para casa; e outra vez Ana, a minha mulher, o meu filho Tobias e eu estávamos juntos. Durante a nossa Festa de Pentecostes, também chamada de Festa da Colheita, prepararam um ótimo jantar para mim, e eu me sentei para comer.Êx 23.162 Puseram a mesa e colocaram muitos pratos de comida em frente de mim. Aí, eu disse a Tobias:
— Filho, vá procurar um pobre, um que seja nosso patrício, daqueles que foram trazidos aqui para Nínive como prisioneiros. Se ele obedece a Deus de todo o coração, então, traga-o, e ele jantará comigo. Eu vou ficar esperando até que você volte, meu filho.
3 Então, Tobias foi procurar algum dos nossos patrícios que fosse pobre. Quando voltou, disse:
— Pai!
— Que foi, meu filho? — perguntei.
Ele respondeu:
— Pai, mataram um dos nossos patrícios! Alguém o estrangulou há pouco e jogou o corpo na praça do mercado.
4 Eu me levantei da mesa, sem ter comido nada, e saí logo. Tirei o defunto da rua e o pus num quartinho de fora, para que ficasse ali até o pôr do sol. Depois de anoitecer, eu poderia sepultá-lo. 5 Entrei em casa, tomei um banho para me purificar e jantei, muito triste.Nm 19.11-136 Lembrei daquilo que o profeta Amós tinha dito ao povo de Betel: "As suas festas serão transformadas em velórios; vocês vão chorar ao invés de cantar." Aí, comecei a chorar.Am 8.10
7 Depois do pôr do sol saí, fiz uma cova e sepultei o corpo. 8 Os vizinhos viram o que eu estava fazendo e caçoaram de mim, dizendo:
— Será que ele não tem mais medo? Por ter feito a mesma coisa, ele já precisou fugir uma vez para não ser morto. E vejam só! Mais uma vez ele está sepultando gente morta!
A cegueira de Tobite
9 Naquela noite, eu tomei um banho e fui dormir no pátio de dentro da minha casa. Eu me deitei perto do muro e, por causa do calor, não cobri a cabeça com o cobertor. 10 Eu não sabia que em cima do muro havia alguns passarinhos; durante a noite, as suas fezes ainda quentes caíram nos meus olhos, formando umas manchas brancas. Fui aos médicos, esperando ser curado; porém, quanto mais eles punham remédios nos meus olhos, mais eles pioravam, até que fiquei completamente cego. Passei quatro anos sem poder ver nada, e todos os meus patrícios tinham pena de mim. Durante dois anos, Aicar tomou conta de mim, mas, depois, foi para o país de Elão.
11 Depois que Aicar foi embora, Ana, a minha esposa, começou a ganhar dinheiro fazendo tecidos. Este é um trabalho que as mulheres geralmente fazem. 12 Ela levava o tecido aos patrões, e eles lhe pagavam pelo serviço. No dia sete do mês de adar, ela terminou de fazer uma peça de tecido e entregou aos patrões. Eles pagaram pelo serviço e também lhe deram de presente um cabrito. 13 Quando ela chegou à casa, o cabrito começou a berrar. Eu perguntei logo:
— De onde veio esse cabrito? Não me diga que você roubou esse animal! Se roubou, leve-o de volta aos donos. Não temos o direito de comer qualquer coisa que tenha sido roubada.
14 Ela respondeu:
— É que, além de me pagarem, eles ainda me deram de presente este cabrito.
Eu não quis acreditar e insisti com ela para que devolvesse o cabrito aos patrões; e fiquei vermelho de vergonha por causa do que ela havia feito. Mas Ana disse:
— Onde estão as esmolas que você dá? Onde estão as obras de caridade que você faz? Agora, a gente fica sabendo quem você realmente é!